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24 de julho de 2013

Coronelismo e compromisso

Atividade História do Brasil III Durante o período de 1894 a 1930, o sistema político bra¬sileiro era caracterizado pelo predomínio político das oligarquias ligadas ao setor agroexportador de café. A relação entre o poder federal e local era articulado de forma a garantir a manutenção dessas oligarquias no poder. Sobre esse contexto, Maria de Lour¬des Mônaco Janotti (1986) publicou um trabalho intitulado Coro¬nelismo: uma política de compromisso. Tendo como base o conteúdo trabalhado nessa unidade, bem como o trabalho de Janotti, explique: Por que o coronelismo pode ser entendido como uma políti¬ca de compromisso? Essa atividade deve conter, no máximo, uma lauda, que será postada no Portfólio. O coronelismo pode ser considerado uma política de compromisso porque no seu estado “normal”, isto é, quando não ocorriam conflitos entre os setores beneficiados por essa política, ela envolvia uma série de “acordos de cavalheiros”, hierarquizados tanto de baixo para cima como de cima para baixo. Na base estavam os chamados coronéis de menor importância, do qual dependiam, para terem atividades remuneradas, seja em dinheiro, seja em produtos, os trabalhadores rurais de uma pequena região, que viviam em condições de absoluta insegurança e precariedade. Por meio de mecanismos de coerção, executados por capangas seus armados, mecanismos de coerção que por vezes chegavam ao assassínio, e de mecanismos de consenso, como o chamado compadrio, esse pequeno coronel assegurava que os trabalhadores rurais votassem nos candidatos dos coronéis mais importantes, ou os impedia de votar em outros candidatos, ou os impedia de votar pura e simplesmente. Havia assim um compromisso, um acordo, entre os coronéis menos importantes e os mais importantes. Os coronéis mais importantes, além de controlarem uma rede de coronéis menos importantes, pelos mesmos mecanismos de coerção e de consenso, tinham também, sendo proprietários de mais terras, sob seu controle um número bem maior de trabalhadores. Mas sua função principal era a coordenação com as autoridades estaduais que controlavam os órgãos do Executivo e do Judiciário e também os processos eleitorais tanto para o Executivo como para o Legislativo. Havia toda uma hierarquia para se confirmar, “a bico de pena” o resultado de cada urna e o resultado de todas as urnas, de modo que só recebiam diploma, independente de quantos votos tivessem legitimamente recebido, os aprovados por acordos entre os grandes coronéis e as autoridades estaduais, a começar do governador. Havia assim um compromisso em outro nível, segundo o qual os grandes coronéis “indicavam” quem seriam os vereadores e quem seria apontado como prefeito (as eleições diretas para prefeito só viriam de fato em 1946, com exceção de algumas cidades maiores), o que era respeitado pelas autoridades estaduais. Em troca, segundo o compromisso, os grandes coronéis apoiavam os candidatos a parlamentares estaduais e federais e para presidente de Estado e presidente da República indicados pelas autoridades estaduais. Na cúpula, o presidente da República controlava a “política dos governadores”. Enfim, uma rede de compromissos.

9 de maio de 2013

A verdadeira dimensão do coronelismo

A revista Carta Capital me encomendou há tempo a seguinte resenha: A grandeza dum incompreendido - O que mais chama a atenção na obra do advogado, professor, chefe da Casa Civil do governo Kubitschek e ministro do Supremo Tribunal Federal cassado pelo regime militar, Victor Nunes Leal (1914-1985), “Coronelismo, enxada e voto – O município e o regime representativo no Brasil”, publicada originalmente em 1948 e agora relançada em sétima edição pela Companhia das Letras, é que ela não foi compreendida nem pelo prefaciador convidado pelo próprio autor para uma de suas edições, Barbosa Lima Sobrinho. Com efeito, esse grande jornalista, na sua apresentação, considerou que se tratava de um trabalho sobre o mandonismo local, longe das altas esferas do poder republicano nas grandes metrópoles. Na verdade, Nunes Leal descreve, considerando que os proprietários rurais eram chamados de coronéis por terem essa patente na antiga Guarda Nacional, como os pequenos coronéis controlavam, por troca de favores e por coerção violenta, os votos dos trabalhadores rurais. E como, num outro nível, os grandes coronéis faziam a intermediação entre os pequenos coronéis e as autoridades municipais e estaduais, por meio de imporem ao governador, aos parlamentares estaduais e aos pequenos coronéis, os seus candidatos a vereador e a prefeito. Esses grandes coronéis controlavam o processo de registro de eleitores e de apuração “a bico de pena” e com isso garantiam a cada governador a eleição de deputados e senadores estaduais e federais por ele indicados. Em troca os governadores faziam a intermediação entre os grandes coronéis e o presidente da República, que, ao indicar os candidatos a governador e a seu sucessor como presidente, coordenava todo o sistema liderado pelos Partidos Republicanos estaduais. Foi esse o regime político que vigorou nacionalmente de 1894 a 1930 no Brasil, e que sobreviveu muito além desse período em várias regiões. A rigor, modificado, o coronelismo sobrevive até hoje, por exemplo, no Maranhão, apenas com as grandes propriedades de terras sendo menos importantes do que o empresariado envolvido em obras públicas e infraestrutura. Mas o importante é que, em seu clássico pioneiro da sociologia política brasileira, Nunes Leal descreve os mecanismos da política em escala nacional. Talvez ainda mais importante, como chama a atenção no prefácio da atual edição o historiador José Murilo de Carvalho, seja o fato de que Nunes Leal, ao contrário dos grandes nomes dos anos 1930, Sérgio Buarque de Hollanda, Gilberto Freyre e Caio Prado Jr., não se limitou a tentar explicar a inviabilidade até então da democracia no Brasil – mas também, e de novo pioneiramente, vislumbrou como era possível ir aperfeiçoando, no presente e no futuro, a democracia brasileira. – RENATO POMPEU

7 de dezembro de 2012

Coronelismo: uma visão

Mais um trabalho meu de História Renato Ribeiro Pompeu RA 1052390 ATIVIDADE DE HISTÓRIA DO BRASIL III Centro Universitário Claretiano Curso de História – 3.o ano Polo de São Paulo 2012 Atividade História do Brasil III Durante o período de 1894 a 1930, o sistema político bra¬sileiro era caracterizado pelo predomínio político das oligarquias ligadas ao setor agroexportador de café. A relação entre o poder federal e local era articulado de forma a garantir a manutenção dessas oligarquias no poder. Sobre esse contexto, Maria de Lour¬des Mônaco Janotti (1986) publicou um trabalho intitulado Coro¬nelismo: uma política de compromisso. Tendo como base o conteúdo trabalhado nessa unidade, bem como o trabalho de Janotti, explique: Por que o coronelismo pode ser entendido como uma políti¬ca de compromisso? Essa atividade deve conter, no máximo, uma lauda, que será postada no Portfólio. O coronelismo pode ser considerado uma política de compromisso porque no seu estado “normal”, isto é, quando não ocorriam conflitos entre os setores beneficiados por essa política, ela envolvia uma série de “acordos de cavalheiros”, hierarquizados tanto de baixo para cima como de cima para baixo. Na base estavam os chamados coronéis de menor importância, do qual dependiam, para terem atividades remuneradas, seja em dinheiro, seja em produtos, os trabalhadores rurais de uma pequena região, que viviam em condições de absoluta insegurança e precariedade. Por meio de mecanismos de coerção, executados por capangas seus armados, mecanismos de coerção que por vezes chegavam ao assassínio, e de mecanismos de consenso, como o chamado compadrio, esse pequeno coronel assegurava que os trabalhadores rurais votassem nos candidatos dos coronéis mais importantes, ou os impedia de votar em outros candidatos, ou os impedia de votar pura e simplesmente. Havia assim um compromisso, um acordo, entre os coronéis menos importantes e os mais importantes. Os coronéis mais importantes, além de controlarem uma rede de coronéis menos importantes, pelos mesmos mecanismos de coerção e de consenso, tinham também, sendo proprietários de mais terras, sob seu controle um número bem maior de trabalhadores. Mas sua função principal era a coordenação com as autoridades estaduais que controlavam os órgãos do Executivo e do Judiciário e também os processos eleitorais tanto para o Executivo como para o Legislativo. Havia toda uma hierarquia para se confirmar, “a bico de pena” o resultado de cada urna e o resultado de todas as urnas, de modo que só recebiam diploma, independente de quantos votos tivessem legitimamente recebido, os aprovados por acordos entre os grandes coronéis e as autoridades estaduais, a começar do governador. Havia assim um compromisso em outro nível, segundo o qual os grandes coronéis “indicavam” quem seriam os vereadores e quem seria apontado como prefeito (as eleições diretas para prefeito só viriam de fato em 1946, com exceção de algumas cidades maiores), o que era respeitado pelas autoridades estaduais. Em troca, segundo o compromisso, os grandes coronéis apoiavam os candidatos a parlamentares estaduais e federais e para presidente de Estado e presidente da República indicados pelas autoridades estaduais. Na cúpula, o presidente da República controlava a “política dos governadores”. Enfim, uma rede de compromissos.

10 de março de 2012

O coronelismo em questão


Eis um trabalho meu sobre o coronelismo, no 3.o ano de História

Atividade História do Brasil III
Durante o período de 1894 a 1930, o sistema político bra­sileiro era caracterizado pelo predomínio político das oligarquias ligadas ao setor agroexportador de café. A relação entre o poder federal e local era articulado de forma a garantir a manutenção dessas oligarquias no poder. Sobre esse contexto, Maria de Lour­des Mônaco Janotti (1986) publicou um trabalho intitulado Coro­nelismo: uma política de compromisso. Tendo como base o conteúdo trabalhado nessa unidade, bem como o trabalho de Janotti, explique: Por que o coronelismo pode ser entendido como uma políti­ca de compromisso? Essa atividade deve conter, no máximo, uma lauda, que será postada no Portfólio.

O coronelismo pode ser considerado uma política de compromisso porque no seu estado “normal”, isto é, quando não ocorriam conflitos entre os setores beneficiados por essa política, ela envolvia uma série de “acordos de cavalheiros”, hierarquizados tanto de baixo para cima como de cima para baixo. Na base estavam os chamados coronéis de menor importância, do qual dependiam, para terem atividades remuneradas, seja em dinheiro, seja em produtos, os trabalhadores rurais de uma pequena região, que viviam em condições de absoluta insegurança e precariedade. Por meio de mecanismos de coerção, executados por capangas seus armados, mecanismos de coerção que por vezes chegavam ao assassínio, e de mecanismos de consenso, como o chamado compadrio, esse pequeno coronel assegurava que os trabalhadores rurais votassem nos candidatos dos coronéis mais importantes, ou os impedia de votar em outros candidatos, ou os impedia de votar pura e simplesmente. Havia assim um compromisso, um acordo, entre os coronéis menos importantes e os mais importantes.
Os coronéis mais importantes, além de controlarem uma rede de coronéis menos importantes, pelos mesmos mecanismos de coerção e de consenso, tinham também, sendo proprietários de mais terras, sob seu controle um número bem maior de trabalhadores. Mas sua função principal era a coordenação com as autoridades estaduais que controlavam os órgãos do Executivo e do Judiciário e também os processos eleitorais tanto para o Executivo como para o Legislativo. Havia toda uma hierarquia para se confirmar, “a bico de pena” o resultado de cada urna e o resultado de todas as urnas, de modo que só recebiam diploma, independente de quantos votos tivessem legitimamente recebido, os aprovados por acordos entre os grandes coronéis e as autoridades estaduais, a começar do governador. Havia assim um compromisso em outro nível, segundo o qual os grandes coronéis “indicavam” quem seriam os vereadores e quem seria apontado como prefeito (as eleições diretas para prefeito só viriam de fato em 1946, com exceção de algumas cidades maiores), o que era respeitado pelas autoridades estaduais. Em troca, segundo o compromisso, os grandes coronéis apoiavam os candidatos a parlamentares estaduais e federais e para presidente de Estado e presidente da República indicados pelas autoridades estaduais. Na cúpula, o presidente da República controlava a “política dos governadores”. Enfim, uma rede de compromissos.