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5 de julho de 2011
Trotsky lia Nietzsche
Em http://www.marxists.org/archive/trotsky/1900/12/nietzsche.htm, em inglês, por ocasião da morte de Nietzsche, Trotsky escreveu um artigo que demonstra intensiva leitura dos textos do filósofo alemão. Mas Trotsky estava longe de ser nietzscheano, como tantos pensadores esquerdistas do fim do século 20, como os franceses Gilles Deleuze e Michel Foucault. Pelo contrário, Trotsky defende no artigo que Nietzsche era um porta-voz dos chamados bon-vivants - gente de alta renda que não precisa trabalhar e quer mandar nos grandes burgueses, e mais gente que aspira esse status. Trotsky não usa o termo, mas seria uma espécie de lumpesinato de luxo. Ver o artigo e, se for o caso, usar o tradutor eletrônico.
17 de abril de 2011
A esquerda iludida
Marx, no final de sua vida, achava que o proletariado, particularmente o inglês, se estava aburguesando, e chamou o Manifesto Comunista de texto de interesse primordialmente histórico. Lenin, no final de sua vida, ficou tão preocupado com o burocratismo do Estado soviético que sofreu um derrame e deixou um documento intitulado "Nós, os comunistas, somos profundamente culpados perante os povos da Rússia". Trotsky, no fim de sua vida, achava que, se o proletariado ocidental não tomasse o poder ao fim da Segunda Guerra Mundial, estaria provado que o proletariado não tem condições de ser a classe dominante em nenhum país. Por que partir do ponto de partida dos grandes pensadores, e não de seu ponto de chegada?
21 de agosto de 2010
Trotsky na TV russa RT
O site http://liammacuaid.wordpress.com/2010/08/20/russian-tv-on-trotsky/ apresenta, em inglês, o que informa ser uma notícia da TV russa RT a respeito dos 70 anos, a 21 de agosto, do assassínio de Trotsky, tema proibido nos tempos da União Soviética. O programa apresenta Trotsky de maneira isenta e discute os movimentos trotskistas de hoje. O grupo trotskista internacional Workers' Power (Poder dos Trabalhadores) considerou o programa "surpreendentemente favorável".
18 de agosto de 2010
70 anos do assassínio de Trotsky
Sábado 21 de agosto se assinalam 70 anos do assassínio em 1940 do revolucionário ucraniano (na sua época se dizia "pequeno-russo") Lev Trotsky. Para marcar a data, o site esquerdista americano Rustbelt Radical publica em inglês, em http://rustbeltradical.wordpress.com/2010/08/18/it-was-they-who-killed-him/ o obituário que Trotsky escreveu a respeito do assassínio de seu filho, Lev Sedov, em 1938, em Paris, com o título: "Foram eles que o mataram".
14 de julho de 2010
Ainda há quem defenda Stalin
O jornal brasileiro A Verdade, possivelmente inspirado no seu xará russo, Pravda, e que se apresenta como "jornal dos trabalhadores a serviço do socialismo", divulga em http://www.averdade.org.br/modules/news/article.php?storyid=517 uma entrevista do professor americano Grover Furr, segundo o qual são falsas 60 das 61 acusações de Kruchtchev a Stalin, no 20.o Congresso do Partido Comunista da URSS. O jornal assim apresenta a entrevista (respeitada a grafia errônea dos nomes russos): "A Verdade entrevistou, por e-mail, Grover Fur (sic), professor da Universidade Montclair, no Estado de Nova Jersey, EUA, e autor do livro Antistalinskaia Podlost ("A infâmia antistalinista"), lançado recentemente em Moscou, na Rússia. Grover Furr é ph.D. em literatura comparada (medieval) pela Universidade de Princeton, e, desde 1970, ensina na Universidade de Montclair, sendo responsável pelos cursos de Guerra do Vietnã e Literatura de Protesto Social, entre outros. Suas principais áreas de pesquisa são o marxismo, a história da URSS e do movimento comunista internacional e os movimentos políticos e sociais. Nesta entrevista, o professor Grover fala de sua pesquisa e afirma que '60 de 61 acusações que o primeiro-ministro Nikita Kruschev fez contra Stálin são comprovadamente falsas'."
Abaixo, trecho das declarações de Fur:
"Desde o fim da década de 1920, Stálin tem sido o maior alvo do anticomunismo ideológico e acadêmico. Leon Trótsky atacava Stálin para justificar sua própria incapacidade de ganhar as massas trabalhadoras da União Soviética [URSS]. A verdadeira causa da derrota de Trótsky é que sua interpretação do marxismo – um tipo de determinismo econômico extremado – predizia que a revolução estava fadada ao fracasso a não ser que fosse seguida por outras revoluções nos países industrialmente avançados. Mas a liderança do Partido preferiu o plano de Stálin para primeiro construir o socialismo em um só país. As ideias de Trótsky tiveram (e ainda têm) uma grande influência sobre todos aqueles declaradamente capitalistas e anticomunistas. Os historiadores trotskistas são muito bem acolhidos pelos historiadores capitalistas. Pierre Broué e Vadim Rogovin, os mais proeminentes historiadores trotskistas das últimas décadas, já foram louvados e ainda são frequentemente citados por historiadores abertamente reacionários. Muitos na liderança do Partido em 1930 combateram Stálin quando este lutava por democracia interna no Partido e, especialmente, por eleições democráticas para os sovietes. As grandes conspirações da década de 1930 revelaram a existência de uma ampla corrente de oposição às políticas associadas a Stálin. Essas conspirações de fato existiam: os oposicionistas realmente estavam tentando derrubar o partido soviético e assassinar a liderança do governo, ou tomar o poder liderando uma revolta na retaguarda, em colaboração com os alemães e os japoneses. Nikolai Ezhov, líder da NKVD (o Comissariado do Povo para Assuntos Internos), tinha sua própria conspiração direitista, incluindo colaboração com o Eixo. Visando aos seus próprios fins; ele executou centenas de milhares de cidadãos soviéticos completamente inocentes para minar a confiança e a lealdade ao governo soviético. Quando Stálin morreu, Kruschev e muitos líderes do Partido viram que poderiam jogar a culpa por essas grandes repressões em cima de Stálin. Eles também inventaram muitas outras mentiras escancaradas sobre Stálin, Lavrentii Béria e pessoas próximas aos dois. Quando, bem mais tarde (1985), [Mikhail] Gorbachev assumiu o poder, ele também percebeu que as suas 'reformas' capitalistas – o distanciamento do socialismo em direção a relações capitalistas de mercado– poderiam ser justificadas se sua campanha anticomunista fosse descrita como uma tentativa de 'corrigir os crimes de Stálin'. Essas mentiras e histórias de horror permanecem como a principal forma de propaganda anticomunista, hoje, no mundo. A tendência é que elas se intensifiquem, pois os capitalistas estão diminuindo os salários e retirando benefícios sociais dos trabalhadores, caminhando em direção a um exacerbado nacionalismo, ao racismo e à guerra."
Abaixo, trecho das declarações de Fur:
"Desde o fim da década de 1920, Stálin tem sido o maior alvo do anticomunismo ideológico e acadêmico. Leon Trótsky atacava Stálin para justificar sua própria incapacidade de ganhar as massas trabalhadoras da União Soviética [URSS]. A verdadeira causa da derrota de Trótsky é que sua interpretação do marxismo – um tipo de determinismo econômico extremado – predizia que a revolução estava fadada ao fracasso a não ser que fosse seguida por outras revoluções nos países industrialmente avançados. Mas a liderança do Partido preferiu o plano de Stálin para primeiro construir o socialismo em um só país. As ideias de Trótsky tiveram (e ainda têm) uma grande influência sobre todos aqueles declaradamente capitalistas e anticomunistas. Os historiadores trotskistas são muito bem acolhidos pelos historiadores capitalistas. Pierre Broué e Vadim Rogovin, os mais proeminentes historiadores trotskistas das últimas décadas, já foram louvados e ainda são frequentemente citados por historiadores abertamente reacionários. Muitos na liderança do Partido em 1930 combateram Stálin quando este lutava por democracia interna no Partido e, especialmente, por eleições democráticas para os sovietes. As grandes conspirações da década de 1930 revelaram a existência de uma ampla corrente de oposição às políticas associadas a Stálin. Essas conspirações de fato existiam: os oposicionistas realmente estavam tentando derrubar o partido soviético e assassinar a liderança do governo, ou tomar o poder liderando uma revolta na retaguarda, em colaboração com os alemães e os japoneses. Nikolai Ezhov, líder da NKVD (o Comissariado do Povo para Assuntos Internos), tinha sua própria conspiração direitista, incluindo colaboração com o Eixo. Visando aos seus próprios fins; ele executou centenas de milhares de cidadãos soviéticos completamente inocentes para minar a confiança e a lealdade ao governo soviético. Quando Stálin morreu, Kruschev e muitos líderes do Partido viram que poderiam jogar a culpa por essas grandes repressões em cima de Stálin. Eles também inventaram muitas outras mentiras escancaradas sobre Stálin, Lavrentii Béria e pessoas próximas aos dois. Quando, bem mais tarde (1985), [Mikhail] Gorbachev assumiu o poder, ele também percebeu que as suas 'reformas' capitalistas – o distanciamento do socialismo em direção a relações capitalistas de mercado– poderiam ser justificadas se sua campanha anticomunista fosse descrita como uma tentativa de 'corrigir os crimes de Stálin'. Essas mentiras e histórias de horror permanecem como a principal forma de propaganda anticomunista, hoje, no mundo. A tendência é que elas se intensifiquem, pois os capitalistas estão diminuindo os salários e retirando benefícios sociais dos trabalhadores, caminhando em direção a um exacerbado nacionalismo, ao racismo e à guerra."
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