8 de outubro de 2010

Sobre o filme "Agonia e êxtase"


Mais um trabalho do curso de História:

Atividade
Assista ao filme Agonia e Êxtase (1965), já lançado em DVD. A par­tir da maneira como o filme representa Michelangelo, discorra em um pequeno texto (de cerca de 30 linhas) a respeito do mecenato, do papel da Igreja como patrocinadora da arte no século 16 e do papel do artista na sociedade de então. Poste a sua atividade no Portfólio.

Tendo como fonte o filme americano locado na Itália Agonia e êxtase (1965), centrado na demorada execução das pinturas dos afrescos no teto da Capela Sistina, no Vaticano, e no complicado relacionamento entre o mecenas que encomendou a obra, o papa Júlio II, e seu grande autor, o genial pintor Michelangelo, vemos como o mecenato funcionava ao mesmo tempo, na época, o século 16, como elemento facilitador e complicador do trabalho do artista. Facilitador porque possibilitava a cada artista contemplado o acesso às caras matérias-primas e aos caros instrumentos de trabalho, e garantia ao criador a sobrevivência digna durante o tempo necessário para a execução da obra e mesmo além desse período.
Fator complicador porque tirava do artista o pleno controle sobre sua própria criatividade. O filme mostra como Michelangelo se julgava um escultor, e não um pintor; por isso não queria aceitar a encomenda das pinturas no teto da Capela Sistina. No entanto, foi forçado a isso, não só por necessidade de sobrevivência – como se fosse um assalariado obrigado a alugar sua força-de-trabalho para subsistir –, mas também pela coerção extraeconômica, dado o poder espiritual, temporal, político, militar e policial de que o papa dispunha naquela época.
Michelangelo foi forçado também a aceitar, inicialmente, uma temática não de sua criação para as pinturas. Insatisfeito com o resultado de seu trabalho, ele destrói os afrescos, abandona o contrato, foge de Roma e se esconde na marmoraria de Carrara, perseguido por soldados do papa. Este se vê contestado por seu patrocinado, num momento em que o papado em particular e a Igreja Católica Romana em geral procuravam reafirmar seu poder em todos os níveis, do religioso ao temporal, passando pelo prestígio e pela cultura, ameaçados pelo crescente descontentamento com o desvirtuamento e desmoralização das duas instituições, o papado e a Igreja.
Mas o filme mostra também como Michelangelo soube se aproveitar das contradições da relação entre cada mecenas e cada artista, ao conceber a pintura do nascimento de Adão e principalmente ao conseguir convencer o papa de que sua idéia era melhor do que o que lhe tinha sido inicialmente encomendado. Ao mesmo tempo, Michelangelo dispensa a maioria de seus auxiliares, numa transição do trabalho coletivo tradicional para o trabalho individualizado moderno. Mais do que tudo, Michelangelo pôde ser artisticamente livre com base no requintado gosto do papa Júlio II; apesar das peias do mecenato, Michelangelo talvez tenha tido liberdade maior do que os artistas atuais, que dependem dos gostos talvez não tão requintados dos vários segmentos de mercado.



REFERÊNCIA CINEMATOGRÁFICA

Agonia e êxtase – filme da Twentieth Century Fox, com Charlton Heston, Rex Harrison, Diane Cilento, Harry Andrews, Alberto Lupo, Adolfo Celi, Valentino Venantini, John Stacy, Ernesto Tozzi, Maxine Audley e Tomas Milian, roteiro de Philip Dunne baseado no livro “The Agony and the Ecstasy”, de Irving Stone; música de Alex North, produção e direção de Carol Reed, produzido por Todd Ao, colorido em DeLuxe, 1965

Um comentário:

Ana Claudia Dantas disse...

O filme é muito bom. Tinha me esquecido dele, vou rever