12 de abril de 2011

Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e Caio Prado Júnior

Eis mais um trabalho meu de história no Centro Claretiano:

Renato Ribeiro Pompeu


RA 1052390




Atividade de

Metodologia da

História II

A IMPORTÂNCIA DE

FREYRE, HOLLANDA

E PRADO JR.


Centro Educacional Claretiano

Curso de História – 2.o ano

Polo de São Paulo



































2011

Nos anos 1930, quatro décadas após a Abolição da Escravatura, começava a chegar à maturidade a primeira geração de brasileiros que não tinha conhecido a escravidão ao vivo. Isso se dava ao mesmo tempo em que um Estado centralizado procurava instaurar uma economia mais voltada para a produção de bens destinados ao mercado interno como um todo, ao invés de basear-se em economias regionais de exportação, cada uma de per si diretamente ligada ao mercado mundial. O rádio passou a difundir para todo o País a cultura do samba e do futebol. Ou seja, consolidavam-se conjuntamente a autoconsciência do povo brasileiro, do Estado-Nação e da própria nação brasileira.

Era um povo novo que surgia na história, conforme RIBEIRO (2000), composto de índios, negros e brancos, e seus mestiços. Esse povo já contava com um Estado que procurou reconhecê-lo e promovê-lo, o Estado oriundo da Revolução de 1930. Esse povo começou a ter uma consciência nacional, expressa primordialmente na universalização, por meio do Carnaval, da música popular tal como era difundida a partir das rádios do Rio de Janeiro, e na devoção à Seleção Brasileira de futebol.

Dessa situação fazem parte, tanto como reflexo intelectual da situação cultural circundante, como na qualidade de motores de todo o processo, três livros primordiais, todos objetos da presente Atividade, “Casa Grande e Senzala” (1933), de Gilberto Freyre, FREYRE (2011), imediatamente consagrada como primeira obra de peso a defender abertamente a miscigenação como um dado positivo da formação do povo brasileiro – até então as teses “científicas” vigentes atribuíam o atraso nacional à “inferioridade racial” de índios, negros e mestiços; “Raízes do Brasil” (1936), de Sergio Buarque de Holanda, HOLANDA (2010) – que procurava dar uma explicação institucional ao atraso do País, que apresentava como resultado do patrimonialismo português e suas sequelas, como o clientelismo, e “Formação do Brasil Contemporâneo” (1942), de Caio Prado Jr., PRADO JR. (2000) - que apontava o “sentido do colonialismo”, ou seja, o fato de a economia brasileira ter estado baseada, desde a Colônia, na grande propriedade agrícola monocultora e exportadora, como o fator do atraso brasileiro, o que ainda estaria vigorando na era contemporânea..

Em comum às três obras, estava o abandono do racialismo das concepções anteriormente vigentes. Ao mesmo tempo, é notável que elas tenham obedecido a inspirações inteiramente diferentes entre si. Freyre é tributário da antropologia cultural americana – foi seu mestre Franz Boas, nos Estados Unidos, que lhe chamou a atenção para o fato de que a miscigenação no Brasil era um trunfo, principalmente se comparada à rígida separação entre as etnias existente nos Estados Unidos. Holanda é tributário da sociologia alemã do começo do século – foi seu mestre Max Weber, na Alemanha, que chamou sua atenção para o caráter patrimonialista das relações pré-capitalistas; Prado Jr. é tributário da tradição marxista-leninista, na qual se introduziu de modo autodidata, mas depois passou por uma formação ao mesmo tempo mais rigorosa e mais dogmática, ao ter passado um período na União Soviética nos tempos do auge do stalinismo. Entretanto, o apego de Prado Jr. ao que julgava ser ciência e o respeito que tinha pelas fontes primárias o fez repelir a noção soviética de que, à escravidão, havia sucedido no Brasil o “feudalismo”.

As influências da antropologia americana, da sociologia alemã e da economia política marxista assim impregnaram esses primeiros grandes feitos das ciências humanas brasileiras. (Mais tarde seriam de particular importância as influências francesas).

Se formos inserir essas obras no conteúdo até agora da disciplina de Metodologia da História II, notaremos que “Casa Grande e Senzala”, paradoxalmente, se assemelha mais à terceira geração da Escola dos Annales, com seu ecletismo, seu subjetivismo, seu colorido, seu recurso a fontes inusitadas como receitas de doces. Já “Raízes do Brasil” lembra mais a primeira geração dos Annales, particularmente as obras de Marc Bloch, que, por meio de um fio condutor – no caso de Holanda o patrimonialismo português, o caráter personalista das institucionalidades brasileiras – explica uma totalidade cultural, vista em seus diversos aspectos, sociais, econômicos, políticos, etc. E “Formação do Brasil Contemporâneo” participa das grandezas e das limitações de um marxismo que, contrariamente às postulações de seu fundador, evoluiu para um positivismo marxistizante que tudo explica a partir de motivações econômicas. Como bom positivista, Prado Jr. só admitia como fontes documentos oficiais devidamente autenticados, além do que, para ele, as fontes falavam por si, não podiam ser questionadas.

Em suma, essas três grandes obras, que surgiram ao mesmo tempo que emergiam no Brasil o povo, o Estado-Nação e a Nação tal como conhecemos essas realidades nos dias de hoje, foram não só reflexo como motores da progressiva consolidação dessas realidades.





BIBLIOGRAFIA



FREYRE, Gilberto, “Casa Grande e Senzala”, São Paulo, 2011, Global

HOLANDA, Sergio Buarque de, “Raízes do Brasil”. São Paulo, 2010, Companhia das Letras

PRADO JR., Caio, “Formação do Brasil Contemporâneo”, São Paulo, 2010, Brasiliense

RIBEIRO, Darcy, “O processo civilizatório”, São Paulo, 2000, Publifolha

Um comentário:

mariana lacerda disse...

Estava precisando de um texto que fizesse uma comparação destes grandes autores/estudiosos da formação do Brasil. Obrigado.