4 de junho de 2010

Por que os brasileiros não reagiram ao ataque em Gaza?

As forças de esquerda no Brasil são em geral favoráveis aos palestinos, ao ponto de parte delas pôr até em dúvida a legimitidade da existência do Estado de Israel, coisa que me parece incabível. Por isso, é tanto mais de estranhar que não tenha praticamente havido manifestações políticas contra o ataque de Israel à Frota da Liberdade de Gaza. Somente as autoridades se manifestaram. Por que será?

4 comentários:

Marco disse...

Renato, há muito tempo que a nossa esquerda perdeu as referências. Me parece ser um fenômeno mundial, haja vista que com a crise internacional do capital, não ouvimos nenhum manifestação de fato de oposição ao capitalismo. Parece que ninguém tem coragem de dizer que o período histórico desse modo de produção se esgotou.
Será que as esquerdas sempre estarão condenadas à existências de grandes líderes e teóricos, verdadeiros taumaturgos do porte de Lênin, Rosa Luxemburgo, Fidel? E mesmo antes, Rousseau, Marx, Engels?
Aqui no Brasil, era mais óbvia a luta quando o inimigo era a ditadura: a pauta da esquerda era a antítese da ditadura. Mas agora, com o cenário mais complexo e menos maniqueísta, as coisas ficaram mais difíceis. E enquanto não surgem novos teóricos para interpretar o papel das forças progressistas no contexto do atual Brasil, vemos ainda as velhas disputas pelas migalhas de poder, nas centrais sindicais, sindicatos, movimento estudantil, etc...

AF STURT disse...

Concordo com o Marco.Qual foi o principal lider teorico do movimento marxista ou de esquerda no Brasil?Se olharmos bem nem tem...
Tivemos e temos bons teoricos marxistas e até politicos,mas jamais eles uniram estudos com militancia,ou shegarão ao poder e fizeram a revolução.Destaco Amozonas,Prestes e Brizola.

Renato Pompeu disse...

Não sou marxista, nem nunca fui, e nisso sigo Marx, que declarou abertamente que nunca foi marxista. Mas estranho o vosso marxismo. Ao invés de explicarem a história por condições socioeconômicas materiais, a explicais pelo surgimento ou não de personalidades excepcionais.

Marco disse...

Renato, há que se esclarecer o seguinte: eu me propus debater a falta de referências da esquerda. Dentro da esquerda, uma das principais correntes é o marxismo, mas não é exclusivo, nem mesmo unânime. Citei Rousseau, que nasceu um século antes de Marx. Você é mais um exemplo cabal, pois o considero da esquerda, e você acaba de afirmar categoricamente que não é marxista.
Ao contrário do que o seu comentário sugere, me causa enorme incômodo o fato das esquerdas ficarem à mercê dos taumaturgos. Como eu disse, seria isso uma condenação? Será que o motor da história está emperrado no sentido de obstruir a emancipação dos homens? "Um povo forte não precisa de um líder forte", disse Zapata. Seríamos um povo "fraco", carente de tutores?
Na militância da esquerda brasileira não há pautas sobre questões maiores, como política internacional, onde se inseriria a questão de Israel.
O por quê disso eu não tenho certeza, mas imagino estar ligado às disputas intestinas que consomem toda capacidade dos poucos abnegados que ainda fazem política ideológica no Brasil.
E digo mais, não é um problema nacional, pois não vimos grandes manifestações nas ruas de qualquer cidade do mundo. Cada um está tão envolvido com a própria subsistência, com a competitividade do mercado, com a manutenção do emprego, que discussões sobre valores morais, autodeterminação dos povos, guerras e a influência econômica delas soam como superfluidades de dândis desocupados.
Abraços.