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14 de fevereiro de 2013

Denunciada prisão ilegal de jornalistas pelos EUA

Segundo artigo de Monica Campbell, pesquisadora do Comitê para Proteger Jornalistas, uma organização internacional, em http://www.cpj.org/2013/02/attacks-on-the-press-misusing-terror-laws.php, em inglês, 232 jornalistas estavam na cadeia em 2012, em todo o mundo. A mídia brasileira e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo deram ênfase a críticas do CPJ à repressão a jornalistas no Brasil, mas o ponto mais interessante do relato de Campbell é: "Os Estados Unidos ajudaram a legitimar a tática (de prender ilegalmente jornalistas) ao terem aprisionado pelo menos 14 jornalistas no Iraque, Afeganistão e Baía de Guantánamo durante a última década. Embora a maior parte deles nunca tenha sido formalmente acusada, todos foram em geral acusados por funcionários dos Estados Unidos de terem cometido infrações relacionadas à segurança ou ao terror. Os funcionários dos Estados Unidos nunca forneceram provas de nenhuma das alegações".

28 de setembro de 2012

Jornal NY Times teria "censurado" discurso do presidente do Egito

Segundo o jornalista americano Paul Woodward, em http://warincontext.org/2012/09/27/new-york-times-covers-morsis-u-n-speech-but-refuses-to-mention-palestine/, em inglês, o jornal The New York Times, o mais importante dos Estados Unidos e um dos mais importantes do mundo, teria resumido o discurso do presidente do Egito, Mohammed Morsi, na Assembléia Geral da ONU, sem mencionar o tema mais importante do discurso, a questão da Palestina. A mídia americana em geral tem sido acusada de não mencionar o problema da Palestina em geral e a repressão israelense contra os palestinos em particular.

19 de novembro de 2010

Dificuldades para a liberdade de imprensa nos EUA

Há pouco tempo o Diário de S. Paulo me encomendou o seguinte artigo:

O precedente dos Papéis do Pentágono


O caso dos documentos sobre a guerra do Afeganistão agora vazados lembra o episódio dos chamados Papéis do Pentágono, de 1971. A 13 de junho daquele ano, o jornal “The New York Times” começou a publicar uma série de documentos secretos do Departamento da Defesa sobre a atuação dos Estados Unidos na então Indochina. Esse Departamento, equivalente ao Ministério da Defesa brasileiro, e que tem sua sede num edifício chamado Pentágono, por causa de sua forma, havia encomendado uma pesquisa sobre seus documentos secretos a respeito da Indochina, no período entre a Segunda Guerra Mundial e 1968. Os documentos haviam sido passados ao jornal por um dos pesquisadores designados pelo Departamento, Daniel Ellsberg, que era contrário à Guerra do Vietnã. O vazamento foi facilitado pela utilização das recém-introduzidas máquinas copiadores (Xerox).

O então presidente Richard Nixon e o secretário de Estado (equivalente a ministro das Relações Exteriores), Henry Kissinger, forçaram o Departamento da Justiça a entrar com uma ação judicial para proibir o “NY Times” de continuar publicando a série, sob o argumento de que a segurança nacional corria riscos com sua divulgação. Um tribunal federal de Nova York, sede do jornal, decidiu pela suspensão temporária da série.

Ellsberg então procurou o jornal “The Washington Post”, que continuou a publicar a série. O Departamento da Justiça entrou com uma ação num tribunal federal de Washington, sede do jornal, mas esse tribunal julgou que a segurança nacional não estava ameaçada e não suspendeu a publicação. O Departamento recorreu à Suprema Corte, que pela primeira vez se reuniu extraordinariamente num sábado de manhã, 23 de junho, dada a importância do assunto. Em sentença definitiva, a Suprema Corte decidiu que não havia provas de que a segurança nacional estivesse ameaçada, e a imprensa ficou livre para publicar os documentos. Em meio aos intensos debates sobre a Guerra do Vietnã, todo o episódio teve uma repercussão muito maior do que o episódio atual sobre o Afeganistão. No entanto, a vitória da liberdade de imprensa não foi completa, pois ficou claro que, se houvesse provas de que a segurança nacional americana estava ameaçada, a Suprema Corte poderia ter proibido a divulgação dos documentos. Ficou aberto assim um precedente perigosos para a liberdade de circulação de informações.