1 de fevereiro de 2011

Funcionário público consegue criticar o governo?

Recentemente, a revista Carta Capital me encomendou a seguinte resenha:

Gonçalves Dias


e a escravidão



Poderia o poeta maranhense Gonçalves Dias (“Não chores, meu filho/ não chores, que a vida/ é luta renhida/ viver é lutar”), que em plenos meados do século 19 só podia sobreviver como alto funcionário público de um governo imperial brasileiro sustentado pela escravidão, lutar pelo abolicionismo? Não só podia, como, efetivamente, depois de muitas hesitações, divulgou textos que guardou durante anos antes de atacar publicamente o sistema escravista. Esta é a resposta do professor de Literatura da Universidade Federal de São Carlos-SP e da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho em Araraquara-SP, Wilton José Marques, no livro “Gonçalves Dias, o poeta na contramão – Literatura & escravidão no romantismo brasileiro”, publicado pela EdUFSCar, a editora da Universidade Federal de São Carlos. A obra, muito bem documentada, retrata como, durante o Império – e na verdade até meados do século 20 –, o intelectual brasileiro típico pertencia à parentela pobre da oligarquia agrária, de cujos favores dependia para obter algum cargo público que lhe assegurasse um sustento mais digno. Isso criava um dilema permanente, pois o intelectual sempre tem uma vocação crítica a que, nessa situação, não podia dar vazão. Para Gonçalves Dias, essa contradição era tão aguda que ele foi levado a se arriscar. – RENATO POMPEU

Um comentário:

Will disse...

Olá Renato,
obrigado pela resenha. Ela, com certeza, ajudará a divulgar essa faceta desconhecida de Gonçalves Dias.

um amplexo
Wilton