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20 de julho de 2013

Lulismo, varguismo

Trabalho de História Elabore uma dissertação de até três laudas sobre a retomada de símbolos da Era Vargas durante a Era Lula. Lembre-se de que a Era Vargas remete ao tema da fundação do Estado Social no Brasil (este severamente abatido após os períodos Militar e Neoliberal). No entanto, a Era Lula não rompeu a lógica do mercado herdada dos tempos de FHC. INTRODUÇÃO Talvez mais do que adotar símbolos e gestos característicos do antigo presidente Getúlio Vargas, como o de se deixar fotografar com as mãos sujas de petróleo para saudar a inauguração de mais um poço ou campo, ou de pronunciar discursos inflamados de fácil compreensão pelas massas de trabalhadores, o presidente Luís Inácio Lula da Silva tenha utilizado formas mais profundas das práticas políticas da Era Vargas. Em particular, a Era Lula parece ter conseguido conciliar, ao estilo do Estado Novo, os interesses mais disparatados, desde os setores mais conservadores das elites dominantes, até os setores mais organizados das massas trabalhadoras. DESENVOLVIMENTO Considera-se que quem mais bem explorou essa hipótese das semelhanças profundas entre o Estado Novo de Getúlio Vargas e os governos da Era Lula foi o cientista político fluminense Luiz Werneck Vianna, em VIANNA (2007). Ele primeiro assinala que, durante a Era Neoliberal, e explicitamente nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, havia o objetivo de “enterrar” a Era Vargas, nas suas duas vertentes, a da preocupação de fazer avançar o nacional-desenvolvimentismo e a da preocupação em criar diques de contenção para proteção do nível de vida dos trabalhadores, notadamente dos proletariados urbanos dos setores da produção e dos serviços. Fernando Henrique Cardoso se tinha consagrado como arauto da chamada Teoria da Dependência. Mas esta, nas suas mãos, muito mais do que uma denúncia segundo a qual o atraso da sociedade brasileira se devia a sua inserção semicolonial na dinâmica do capitalismo mundial, era na verdade uma constatação de que a economia brasileira poderia muito bem se desenvolver, e mesmo se desenvolver aceleradamente, por meio, justamente, dessa dependência. Aliás, mais do que um programa, a Teoria da Dependência, nas mãos de Fernando Henrique Cardoso, era fruto da observação: durante uma fase do regime militar, o País tinha crescido em ritmos sem precedentes, justamente impulsionado pelos capitais estrangeiros. FHC, cuja oposição ao regime militar fora patrocinada pela Fundação Ford, em meio à crescente oposição do governo americano à continuidade do regime militar, por causa do crescente nacional-estatismo dos militares brasileiros, queria enterrar o nacional-desenvolvimentismo da Era Vargas substituindo-o por um internacional-desenvolvimentismo, para o que pretendia reduzir drasticamente os diques de contenção da legislação trabalhista, a fim de criar um ambiente mais favorável para os capitais internacionais. Não teve tempo, porém, de cumprir principalmente, a par da “abertura da economia”, a tarefa da “flexibilização trabalhista”, pois foi literalmente surpreendido, no começo do seu segundo mandato, pela crise da dívida externa, prova viva do caráter vicioso, e não virtuoso, como FHC defendia, da dependência sobre a qual tinha teorizado. Cabe aqui dar a palavra a Luiz Werneck Vianna. Na abertura de VIANNA (2007), ele escreve: A crer nos indicadores dos dois períodos presidenciais de Fernando Henrique, mas, sobretudo, a partir do mandato de Lula, o capitalismo brasileiro encontrou um caminho de expansão e de intensificação da sua experiência. Contudo, tem sido agora que se vê conduzido por um projeto pluriclassista e com a definida intenção de favorecer uma reconciliação política com a história do país, contrariamente à administração anterior, mais homogênea em sua composição de interesses e decididamente refratária ao que entendia ser o legado patrimonial da nossa herança republicana. Com efeito, estão aí, neste governo Lula, guindadas a Ministérios estratégicos, as lideranças das múltiplas frações da burguesia brasileira — a industrial, a comercial, a financeira, a agrária, inclusive os cúlaques que começaram sua história na pequena e média propriedades, e que, com a cultura da soja, atingiram o reino do grande capital —, lado a lado com o sindicalismo das grandes centrais sindicais e com a representação dos intelectuais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). De outra parte, estão aí a revalorização da questão nacional, do Estado como agente indutor do desenvolvimento, o tema do planejamento na economia, a retomada do papel político da representação funcional, da qual é ícone institucional a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Se, antes, a ruptura com o passado fazia parte de um bordão comum ao PSDB e ao PT — o fim da Era Vargas —, sob o governo Lula, que converteu Celso Furtado em um dos seus principais ícones, e em que ressoam linguagens e temas do chamado período nacional-desenvolvimentista em personagens destacados da sua administração, como José de Alencar, Dilma Rousseff e Luciano Coutinho, todos em posições-chave, menos que de ruptura o passado é mais objeto de negociação. Assim, o governo que, no seu cerne, representa as forças expansivas no mercado, naturalmente avessas à primazia do público, em especial no que se refere à dimensão da economia — marca da tradição republicana brasileira —, adquire, com sua interpelação positiva do passado, uma certa autonomia quanto a elas, das quais não provém e não lhe asseguram escoras políticas e sociais confiáveis. Pois, para um governo originário da esquerda, a autonomia diante do núcleo duro das elites políticas e sociais que nele se acham presentes, respaldadas pelas poderosas agências da sociedade civil a elas vinculadas, somente pode existir, se o Estado traz para si grupos de interesses com outra orientação. Tudo isso lembra, até estruturalmente, os mecanismos governamentais do Estado Novo para contentar ao mesmo tempo industriais, fazendeiros e trabalhadores, excluídos os do campo. Com efeito, em seus dois mandatos, o presidente Lula conseguiu, de um lado, satisfazer plenamente os interesses materiais dos setores dominantes mais estratégicos na economia, e, de outro, satisfazer menos plenamente os interesses materiais também dos setores dominados mais estratégicos. De um lado, os trabalhadores organizados, se não viram seus direitos se ampliarem, como pretendiam, com a diminuição das horas de trabalho, viram em parte amortecida a campanha pela “flexibilização trabalhista” e, principalmente, viram seus salários substancialmente aumentados. Até mesmo aumentaram os salários dos trabalhadores não-organizados, pelos sucessivos aumentos reais do salário mínimo, e até os rendimentos daquelas camadas que a ciência social americana chamou de “subclasses”, por meio de programas como o Bolsa-Família. A par disso, os setores financeiros, mineradores e grandes agricultores nunca puderam ganhar tantos lucros. Aqui paradoxalmente a Era Lula, simbolizada por um operário metalúrgico, se contrapôs à Era Vargas, simbolizada por um grande proprietário de terras. Enquanto Vargas usou as exportações de café para, criando taxas para seus rendimentos, fomentar a industrialização a partir de iniciativas estatais bancadas por essas taxas, Lula usou as exportações de ferro e de açúcar e soja para a partir delas extrair rendas que lhe permitissem fazer uma redistribuição dessas rendas em benefício das camadas menos favorecidas. Só ficou fora dessa verdadeira festa a massa dos sem-terra, só contemplada com slogans consoladores, tal como Vargas havia deixado fora da legislação trabalhista as massas rurais. CONCLUSÃO Ao contrário de Vargas, Lula não deixou o país mais industrializado do que o encontrou, mas, semelhantemente a ele, sofreu o ódio e o desprezo daqueles a quem mais beneficiara – no seu caso os setores dominantes dos financistas e dos exportadores de minérios e produtos agrícolas. O destino de Lula, no entanto, pode se tornar ainda mais parecido com o de Vargas. De fato, tendo o ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, sido condenado no chamado julgamento do mensalão sem provas documentais, apenas por ilação – tipo “ele era o chefe de todos e devia saber de tudo” – o mesmo raciocínio se pode voltar contra Lula. Aliás, já há manifestações do PSDB, do DEM e do PPS nesse sentido, e também editoriais da grande mídia. BIBLIOGRAFIA VIANNA, Luiz Jorge, “O estado novo do PT”, 2007, in http://www.centrovictormeyer.org.br/attachments/059_O%20estado%20novo%20do%20PT%20-%20Luis%20Werneck%20Vianna.pdf, acessado em outubro de 2012

5 de dezembro de 2012

Lula e Rosemary: namoro?

Na segunda-feira dia 3, a rádio CBN deu uma nota da reportagem da revista Época segundo a qual o presidente Lula teria tido relações de namoro com Rosemary, a ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo. A âncora e o repórter entrevistado disseram que Lula teria de dar explicações sobre as nomeações que teria feito por interferência de Rosemary. Depois não vi mais nada na mídia sobre o assunto, nem na própria CBN. O que será que está acontecendo?

3 de dezembro de 2012

Lula e Vargas: uma comparação

Aqui, outro trabalho meu de História, uma comparação entre a Era Vargas e a Era Lula: Renato Ribeiro Pompeu RA 1052390 ATIVIDADE DA UNIDADE 6 DE HISTÓRIA DO BRASIL IV – era LULA Centro Universitário Claretiano Curso de História – 3.o ano Polo de São Paulo 2012 Elabore uma dissertação de até três laudas sobre a retomada de símbolos da Era Vargas durante a Era Lula. Lembre-se de que a Era Vargas remete ao tema da fundação do Estado Social no Brasil (este severamente abatido após os períodos Militar e Neoliberal). No entanto, a Era Lula não rompeu a lógica do mercado herdada dos tempos de FHC. INTRODUÇÃO Talvez mais do que adotar símbolos e gestos característicos do antigo presidente Getúlio Vargas, como o de se deixar fotografar com as mãos sujas de petróleo para saudar a inauguração de mais um poço ou campo, ou de pronunciar discursos inflamados de fácil compreensão pelas massas de trabalhadores, o presidente Luís Inácio Lula da Silva tenha utilizado formas mais profundas das práticas políticas da Era Vargas. Em particular, a Era Lula parece ter conseguido conciliar, ao estilo do Estado Novo, os interesses mais disparatados, desde os setores mais conservadores das elites dominantes, até os setores mais organizados das massas trabalhadoras. DESENVOLVIMENTO Considera-se que quem mais bem explorou essa hipótese das semelhanças profundas entre o Estado Novo de Getúlio Vargas e os governos da Era Lula foi o cientista político fluminense Luiz Werneck Vianna, em VIANNA (2007). Ele primeiro assinala que, durante a Era Neoliberal, e explicitamente nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, havia o objetivo de “enterrar” a Era Vargas, nas suas duas vertentes, a da preocupação de fazer avançar o nacional-desenvolvimentismo e a da preocupação em criar diques de contenção para proteção do nível de vida dos trabalhadores, notadamente dos proletariados urbanos dos setores da produção e dos serviços. Fernando Henrique Cardoso se tinha consagrado como arauto da chamada Teoria da Dependência. Mas esta, nas suas mãos, muito mais do que uma denúncia segundo a qual o atraso da sociedade brasileira se devia a sua inserção semicolonial na dinâmica do capitalismo mundial, era na verdade uma constatação de que a economia brasileira poderia muito bem se desenvolver, e mesmo se desenvolver aceleradamente, por meio, justamente, dessa dependência. Aliás, mais do que um programa, a Teoria da Dependência, nas mãos de Fernando Henrique Cardoso, era fruto da observação: durante uma fase do regime militar, o País tinha crescido em ritmos sem precedentes, justamente impulsionado pelos capitais estrangeiros. FHC, cuja oposição ao regime militar fora patrocinada pela Fundação Ford, em meio à crescente oposição do governo americano à continuidade do regime militar, por causa do crescente nacional-estatismo dos militares brasileiros, queria enterrar o nacional-desenvolvimentismo da Era Vargas substituindo-o por um internacional-desenvolvimentismo, para o que pretendia reduzir drasticamente os diques de contenção da legislação trabalhista, a fim de criar um ambiente mais favorável para os capitais internacionais. Não teve tempo, porém, de cumprir principalmente, a par da “abertura da economia”, a tarefa da “flexibilização trabalhista”, pois foi literalmente surpreendido, no começo do seu segundo mandato, pela crise da dívida externa, prova viva do caráter vicioso, e não virtuoso, como FHC defendia, da dependência sobre a qual tinha teorizado. Cabe aqui dar a palavra a Luiz Werneck Vianna. Na abertura de VIANNA (2007), ele escreve: A crer nos indicadores dos dois períodos presidenciais de Fernando Henrique, mas, sobretudo, a partir do mandato de Lula, o capitalismo brasileiro encontrou um caminho de expansão e de intensificação da sua experiência. Contudo, tem sido agora que se vê conduzido por um projeto pluriclassista e com a definida intenção de favorecer uma reconciliação política com a história do país, contrariamente à administração anterior, mais homogênea em sua composição de interesses e decididamente refratária ao que entendia ser o legado patrimonial da nossa herança republicana. Com efeito, estão aí, neste governo Lula, guindadas a Ministérios estratégicos, as lideranças das múltiplas frações da burguesia brasileira — a industrial, a comercial, a financeira, a agrária, inclusive os cúlaques que começaram sua história na pequena e média propriedades, e que, com a cultura da soja, atingiram o reino do grande capital —, lado a lado com o sindicalismo das grandes centrais sindicais e com a representação dos intelectuais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). De outra parte, estão aí a revalorização da questão nacional, do Estado como agente indutor do desenvolvimento, o tema do planejamento na economia, a retomada do papel político da representação funcional, da qual é ícone institucional a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Se, antes, a ruptura com o passado fazia parte de um bordão comum ao PSDB e ao PT — o fim da Era Vargas —, sob o governo Lula, que converteu Celso Furtado em um dos seus principais ícones, e em que ressoam linguagens e temas do chamado período nacional-desenvolvimentista em personagens destacados da sua administração, como José de Alencar, Dilma Rousseff e Luciano Coutinho, todos em posições-chave, menos que de ruptura o passado é mais objeto de negociação. Assim, o governo que, no seu cerne, representa as forças expansivas no mercado, naturalmente avessas à primazia do público, em especial no que se refere à dimensão da economia — marca da tradição republicana brasileira —, adquire, com sua interpelação positiva do passado, uma certa autonomia quanto a elas, das quais não provém e não lhe asseguram escoras políticas e sociais confiáveis. Pois, para um governo originário da esquerda, a autonomia diante do núcleo duro das elites políticas e sociais que nele se acham presentes, respaldadas pelas poderosas agências da sociedade civil a elas vinculadas, somente pode existir, se o Estado traz para si grupos de interesses com outra orientação. Tudo isso lembra, até estruturalmente, os mecanismos governamentais do Estado Novo para contentar ao mesmo tempo industriais, fazendeiros e trabalhadores, excluídos os do campo. Com efeito, em seus dois mandatos, o presidente Lula conseguiu, de um lado, satisfazer plenamente os interesses materiais dos setores dominantes mais estratégicos na economia, e, de outro, satisfazer menos plenamente os interesses materiais também dos setores dominados mais estratégicos. De um lado, os trabalhadores organizados, se não viram seus direitos se ampliarem, como pretendiam, com a diminuição das horas de trabalho, viram em parte amortecida a campanha pela “flexibilização trabalhista” e, principalmente, viram seus salários substancialmente aumentados. Até mesmo aumentaram os salários dos trabalhadores não-organizados, pelos sucessivos aumentos reais do salário mínimo, e até os rendimentos daquelas camadas que a ciência social americana chamou de “subclasses”, por meio de programas como o Bolsa-Família. A par disso, os setores financeiros, mineradores e grandes agricultores nunca puderam ganhar tantos lucros. Aqui paradoxalmente a Era Lula, simbolizada por um operário metalúrgico, se contrapôs à Era Vargas, simbolizada por um grande proprietário de terras. Enquanto Vargas usou as exportações de café para, criando taxas para seus rendimentos, fomentar a industrialização a partir de iniciativas estatais bancadas por essas taxas, Lula usou as exportações de ferro e de açúcar e soja para a partir delas extrair rendas que lhe permitissem fazer uma redistribuição dessas rendas em benefício das camadas menos favorecidas. Só ficou fora dessa verdadeira festa a massa dos sem-terra, só contemplada com slogans consoladores, tal como Vargas havia deixado fora da legislação trabalhista as massas rurais. CONCLUSÃO Ao contrário de Vargas, Lula não deixou o país mais industrializado do que o encontrou, mas, semelhantemente a ele, sofreu o ódio e o desprezo daqueles a quem mais beneficiara – no seu caso os setores dominantes dos financistas e dos exportadores de minérios e produtos agrícolas. O destino de Lula, no entanto, pode se tornar ainda mais parecido com o de Vargas. De fato, tendo o ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, sido condenado no chamado julgamento do mensalão sem provas documentais, apenas por ilação – tipo “ele era o chefe de todos e devia saber de tudo” – o mesmo raciocínio se pode voltar contra Lula. Aliás, já há manifestações do PSDB, do DEM e do PPS nesse sentido, e também editoriais da grande mídia. BIBLIOGRAFIA VIANNA, Luiz Jorge, “O estado novo do PT”, 2007, in http://www.centrovictormeyer.org.br/attachments/059_O%20estado%20novo%20do%20PT%20-%20Luis%20Werneck%20Vianna.pdf, acessado em outubro de 2012

10 de outubro de 2012

Lula pode ser o próximo alvo

A mesma argumentação que levou à condenação de José Dirceu pelo STF, a de que, mesmo não havendo maiores provas, era impossível ele não saber que existia o mensalão, pode ser estendida ao ex-presidente Lula. Ou seja, pode haver algum movimento, ou mesmo ação judicial, questionando "como Lula poderia não saber que existia o mensalão"? Aliás, a Rádio CBN, semanas atrás, noticiou que o PSDB e o PPS tinham entrado com uma representação contra Lula, por causa do mensalão, na Procuradoria Geral da República. Ninguém mais parece ter noticiado isso e a própria CBN deixou de falar desse assunto.

19 de setembro de 2012

Lula e o mensalão: confusão no noticiário

Ontem 18 de setembro ouvi na passagem da tarde para a noite, na rádio CBN, que o PSDB, DEM e PPS haviam protocolado junto à Procuradoria Geral da Justiça que fosse tomada uma iniciativa a respeito das declarações de Marcos Valério, publicadas pela revista Veja, de que o ex-presidente Lula seria o chefe do mensalão. Depois, a rádio acrescentou que essa ação só seria iniciada após o fim do atual julgamento. Em seguida, não ouvi mais nada, nem vi a notícia hoje nos portais do Uol e do Ig. Será que estão ocultando a notícia? Estou perplexo com o fato de uma notícia tão importante - a possibilidade de o político mais popular no País em todos os tempos ir para o banco dos réus - aparentemete estar sendo ignorada. Alguém pode dar um palpite?

7 de maio de 2011

O DEM e Lula

Não se está dando detaque ao seguinte fato: na campanha eleitoral do ano passado, o então presidente Lula pediu que a população "extirpasse o DEM". Talvez devido aos resultados das eleições, o DEM está em crise profunda, perdendo parlamentares, governadores, e até seu presidente de honra, Jorge Bornhausen. Não está sendo destacado devidamente o papel de Lula nesse processo.

8 de novembro de 2010

Engraxate que se tornou doutor critica Lula

Recentemente o Diário do Comércio de São Paulo publicou a seguinte resenha:


Engraxate que virou doutor ataca colega que não estudou e se tornou presidente

Gil Lúcio Almeida, atual presidente do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo, doutor desde 1993 pela Universidade do Estado do Iowa-EUA, autor de dezenas de artigos científicos em revistas especializadas nacionais e internacionais, sobre neurofisiologia, controle motor e biomecânica, professor universitário em São Carlos e Ribeirão Preto-SP, nasceu em família sem recursos de São João Batista do Glória-MG, à beira do rio Grande, perto da divisa com São Paulo. Quinto de seis filhos, começou menino a trabalhar como engraxate na vizinha Itaú de Minas. Agora, no livro “O engraxate que virou PhD”, publicado pela Porto de Ideias Editora, ele critica, sem citar o nome, o presidente Lula:
“Quatorze anos após terminar o PhD, eu estava ministrando uma palestra para um grupo de universitário quando um deles me perguntou o que achava da declaração de um político que justificou não apresentar diploma universitário por não ter tido oportunidade. Respondi, sem pestanejar, que esse comentário era o maior desserviço que alguém poderia prestar aos cidadãos.
“Para ganhar o direito à vida, vencemos quase meio bilhão de outros espermatozóides. Não existe exemplo maior de superação do que o momento mágico em que cada ser humano é concebido. Além da dádiva da vida, ao chegarmos neste mundo ganhamos uma incrível capacidade de aprender. Portanto, não pode existir qualquer desculpa para se manter sem uma educação formal”.
E acrescenta: “Finalmente, gostaria de dizer ao tal político que não tenho a menor dúvida de que o país seria ainda melhor se ele tivesse estudado”. Mas, além de ser surpreendente que um menino engraxate se tenha tornado um cientista respeitado internacionalmente, também é surpreendente que, neste livro de memórias, Almeida demonstre dominar os recursos da escrita, as técnicas da descrição e da informação, do lirismo das mais diversas situações humanas, à altura dos melhores prosadores brasileiros.
Por exemplo, falando de sua meninice como filho de um chacareiro, ele escreve: “A casa era a sede de uma linda chácara, cortada ao fundo por dois pequenos córregos, entre os quais existia um brejo recoberto de capim fino e alto. As chuvas produziam uma enchente nos córregos, inundando o brejo. Ao findar, a enxurrada deixava inúmeros peixes nas armadilhas naturais. Depois das chuvas de verão, seguidas de sol firme, íamos até o brejo pegar lambaris, mandis e bagres que ficavam presos nos capins. Não vou dizer o tamanho dos peixes que pegávamos com as mãos porque podem me acusar de estar contando história de pescador. Mas, eram peixes maiores do que o tamanho da mão de criança”.
Continua: “Na chácara, havia vários animais: porcos, galinhas, vacas e cavalos. Para as galinhas dormirem, meu pai fez um poleiro. De um tronco de árvore saíam vários caibros, dispostos simetricamente, formando uma escada circular, com um bonito desenho que mais lembrava uma obra de arte. Ao cair da noite, o poleiro ficava repleto de galinhas, completando o feito de meu pai”.
Bem depois, a família morava mais precariamente: “Naquela noite, comemos novamente o arroz com carne de porco. Diferente do dia anterior, o céu relampejava no alto da serra.Após cada relâmpago, chegava um forte trovão. Era o sinal que papai estava esperando há dias para tomar a decisão e iniciar a semeadura. Na casa de pau-a-pique, as goteiras vazavam por todos os lados. A cobertura de sapé do telhado não venceu a água que caía com fartura sobre a terra. Se o desconforto de dormir no meio da água era grande, os comentários de meu pai eram de agradecimento, “Deus ouviu as minhas orações e mandou essa abençoada chuva’, exclamava ele”.
Almeida confirma as qualidades literárias: “Não me preocupei com a precisão dos fatos relatados”. E insiste: “Se os fatos não são totalmente precisos, com certeza relatam momentos reais que vivi e carrego de forma vívida em minhas lembranças”. Em suma, um belo livro.

rrpompeu@uol.com.br
www.renatopompeu.blogspot.com

24 de setembro de 2010

A história se repete, desta vez se espera como farsa e não como tragédia

Tendo em minha vida passado pelas campanhas da mídia contra Getúlio, Juscelino, Jango e agora contra Lula e Dilma, com a mídia sempre procurando mobilizar setores militares, como agora, em que o Clube Militar realizou um debate sobre liberdade de imprensa, estou consciente de que na sociedade brasileira há décadas se enfrentam dois grandes grupos, um que representa os poderes tradicionais das camadas altas e seus aliados de classe média, outro que representa novos atores políticos das camadas médias e baixas e seus aliados. Pela esquerda sempre surgem posições vanguardistas de crítica a esse segundo grupo que representa as camadas populares, com as vanguardas atacando o que julga serem concessões que esses novos atores políticos fazem aos poderes dominantes. Sabe-se como terminaram em tragédia as ofensivas contra Getúlio (suicídio), Juscelino (eleição do Jânio) e Jango (golpe de 64). O que temos de esperar é que, agora, como disse Hegel e Marx glosou, a história não se repita como tragédia, sim como farsa. De todo modo o confronto maior vai continuar, e as vanguardas de esquerda vão continuar criticando por fora esse confronto.

23 de setembro de 2010

Já vi esse filme

Vou completar 70 anos no ano que vem e já vi esse filme que está passando da mídia contra o Lula e a Dilma: já passou contra o Getúlio, contra o Juscelino e contra o Jango. Mas agora parece que o objetivo não é o golpe, mas sim evitar que a eleição seja decidida no primeiro turno, e/ou impedir que os lulistas-dilmistas consigam uma maioria no Congresso que lhes permita aprovar emendas à Constituição. Quanto à mídia, acho que tem de ser criticada, porém tenho razões para desconfiar que o "controle social da mídia" seja um "controle governamental da mídia". E noto que muita gente boa, como Hélio Bicudo e dom Paulo Evaristo Arns e os que estão indo da Dilma para a Marina, principalmente entre os jovens, estão se aliando com os setores mais conservadores. Me lembro que, em 1964, o professor Francisco Weffort foi de classe em classe, na Faculdade de Filosofia da USP, pregar contra o golpe em andamento... por parte de João Goulart.

29 de maio de 2010

Jackson Lago, do PDT, apoia Serra

Em mais uma demonstração de que, na prática, a teoria é outra, o ex-governador do Maranhão, Jackson Lago, do PDT, esquerdista histórico, candidato à reeleição, anunciou seu apoio a Serra, como meio de combater a influência de Sarney em seu Estado. Lago, que era governador e foi afastado pela Justiça Eleitoral por três testemunhos de compra de votos - uma das testemunhas se retratou e disse que fora forçada por terceiros a declarar que vendera o voto -, tendo estranhamente assumido a candidata derrotada nas urnas, Roseana Sarney, apoiada pelo presidente Lula, é candidato agora pelo PDT, PPS, PSDB e PTC. A notícia saiu no Jornal Pequeno, de São Luís-MA, em http://www.jornalpequeno.com.br/2010/5/28/jackson-lago-diz-que-apoio-a-serra-e-uma-luta-contra-oligarquias-146064.htm