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27 de setembro de 2010
A revolta mundial contra os cortes orçamentários
Em artigo em inglês na revista americana TruthOut, em http://www.truth-out.org/world-revolt-the-global-backlash-against-budget-cuts63465, o pesquisador Anthony DiMaggio faz um levantamento das revoltas em todo o mundo contra os recentes cortes orçamentários a que têm recorrido os governos diante da crise do capitalismo global. Na França, centenas de milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra o aumento da idade para aposentadoria e o plano para demissão em massa de professores. Em Bangladesh, 50 mil trabalhadores se manifestaram para exigir um aumento de 500 por cento dos salários miseráveis que recebem, de 14 dólares por mês para 70 dólares mensais. Já em Moçambique houve violentos protestos de massa contra o aumento do preço dos alimentos, da eletricidade e dos combustíveis. Na África do Sul, um milhão de trabalhadores do setor público entraram em greve para aumento de cerca de 8 por cento dos salários. E na Espanha professores, bombeiros, enfermeiros e outros trabalhadores do setor público fizeram greve contra corte de 5 por cento em seus salários. Na Grécia ocorreram pelo menos seis paralisações gerais dos transportes, escolas, hospitais, tribunais e jornais. No Reino Unido, houve protestos de estudantes, professores e funcionários em cem universidades. O articulista pergunta quando começarão os protestos nos Estados Unidos.
12 de setembro de 2010
Jesus tinha o vírus da Aids, diz pastor sul-africano
O jornal inglês The Guardian informa em http://www.guardian.co.uk/world/2010/aug/25/pastor-jesus-hiv-south-africa, em inglês, que, na Cidade do Cabo, o pastor Xola Skosana, da Igreja Modo de Vida, no bairro pobre de Khayelitsa, fez um sermão intitulado "Jesus tinha o vírus da Aids", para criticar a visão da maioria dos religiosos da África do Sul, o país de maior incidência proporcional do HIV em todo o mundo, de que a Aids é resultado do mal e do pecado. Além disso, o pastor e mais 100 jovens da congregação fizeram em público o teste do HIV. Skosana citou um trecho do Novo Testamento em que Jesus dizia: "Eu estava enfermo e vós viestes a mim, eu estava na prisão e vós viestes a mim". E acrescentou: "Em muitas partes da Bíblia, Deus assume a posição dos destituídos, dos enfermos, dos marginalizados. Quando cuidamos dos que estão enfermos, estamos cuidando Dele. Quando marginalizamos pessoas que estão doentes, estamos O marginalizando". Duas irmãs de Skosana morreram de Aids.
Seu sermão foi bem recebido por autoridades de saúde, mas foi atacado por outros clérigos, que o acusaram de alardear que Jesus era sexualmente promíscuo.
Seu sermão foi bem recebido por autoridades de saúde, mas foi atacado por outros clérigos, que o acusaram de alardear que Jesus era sexualmente promíscuo.
19 de agosto de 2010
Um milhão de funcionários em greve na África do Sul
Decepcionados com o não cumprimento das promessas pelo Congresso Nacional Africano, no governo desde o fim do apartheid, e pelo presidente Jacob Zuma, mais de um milhão dos funcionários públicos da África do Sul estão em greve desde o dia 18. Exigem aumento salarial de 8,6 por cento e auxílio-moradia de mil rands. Lembre-se que o presidente Zuma representa a ala esquerda do partido governante e que foi eleito também com o apoio do Partido Comunista.
15 de junho de 2010
Copa do Mundo: África do Sul não foi beneficiada
Em artigo na revista australiana Links, da organização esquerdista do mesmo nome, em inglês em http://links.org.au/node/1738>, os pesquisadores sulafricanos Ashwin Desai e Goolam Vahed concluem que a África em geral e a África do Sul em particular não estão sendo beneficiadas pela Copa do Mundo. Dizem eles, notadamente:
"O marketing da Copa do Mundo como um evento africano fez aumentar a pressão sobre os organizadores para 'outorgar' não apenas miríades de benefícios prometidos aos sulafricanos, mas também cumprir as expectativas dos países africanos. Entretanto, a economia política do futebol torna difícil realizar um evento 'africano'. O 'modelo' de Copa do Mundo da Fifa (...) permite que ela ganhe uma fortuna a partir dos direitos de televisão, publicidade e vendas de produtos licenciados.
"A África do Sul precisa financiar estádios no 'estado da arte', hospedagem de padrão mundial e desenvolvimentos infraestruturais relacionados. Isso foi um desafio para um país assombrado pela crescente desigualdade e por dificuldades fiscais. O coeficiente Gini, que mede a desigualdade da distribuição de riqueza, subiu de 0,62 em 1992 para 0,77 em 2001. Segundo a Pesquisa de 2005/06 sobre Renda e Gastos, os 10por cento de lares mais ricos na África do Sul receberam mais da metade da renda disponível; os 40 por cento mais pobres, menos de 7 por cento; e os 20 por cento mais pobres, menos de 1,5 por cento. O cidadão negro médio estava ganhando um oitavo de sua contraparte branca, segundo uma pesquisa do Instituto para Justiça e Reconciliação em janeiro de 2008. A desigualdade subiu de 0,60 em 2006 para 0,62, numa escala de zero a 1, na qual 1 representa a desigualdade absoluta".
A conclusão geral é de que os investimentos na Copa beneficiaram muito mais a Fifa do que a África do Sul e de que o próprio futebol africano não vai sair melhor da Copa do que estava sem a Copa.
"O marketing da Copa do Mundo como um evento africano fez aumentar a pressão sobre os organizadores para 'outorgar' não apenas miríades de benefícios prometidos aos sulafricanos, mas também cumprir as expectativas dos países africanos. Entretanto, a economia política do futebol torna difícil realizar um evento 'africano'. O 'modelo' de Copa do Mundo da Fifa (...) permite que ela ganhe uma fortuna a partir dos direitos de televisão, publicidade e vendas de produtos licenciados.
"A África do Sul precisa financiar estádios no 'estado da arte', hospedagem de padrão mundial e desenvolvimentos infraestruturais relacionados. Isso foi um desafio para um país assombrado pela crescente desigualdade e por dificuldades fiscais. O coeficiente Gini, que mede a desigualdade da distribuição de riqueza, subiu de 0,62 em 1992 para 0,77 em 2001. Segundo a Pesquisa de 2005/06 sobre Renda e Gastos, os 10por cento de lares mais ricos na África do Sul receberam mais da metade da renda disponível; os 40 por cento mais pobres, menos de 7 por cento; e os 20 por cento mais pobres, menos de 1,5 por cento. O cidadão negro médio estava ganhando um oitavo de sua contraparte branca, segundo uma pesquisa do Instituto para Justiça e Reconciliação em janeiro de 2008. A desigualdade subiu de 0,60 em 2006 para 0,62, numa escala de zero a 1, na qual 1 representa a desigualdade absoluta".
A conclusão geral é de que os investimentos na Copa beneficiaram muito mais a Fifa do que a África do Sul e de que o próprio futebol africano não vai sair melhor da Copa do que estava sem a Copa.
3 de abril de 2010
Copa do Mundo: 15 mil sulafricanos em "campo de concentração"
Segundo reportagem de David Smith, correspondente na Cidade do Cabo, na África do Sul, do jornal The Guardian de Londres, em inglês em http://www.guardian.co.uk/world/2010/apr/01/south-africa-world-cup-blikkiesdorp, 15 mil pessoas que moravam em prédios abandonados por elas invadidos, foram há semanas confinadas pelas autoridades municipais num amontoado de barracos de ferro corrugado, conhecido como "Cidade de Lata", embora a designação da Prefeitura seja "Área de Relocalização Temporária", na periferia da cidade. A intenção das autoridades foi afastar essas pessoas da visão dos turistas que virão por ocasião da Copa do Mundo. Os confinados dizem que a Cidade de Lata é um "campo de concentração" pior do que os reservados a negros durante a era do apartheid. Em toda a área não há uma única árvore ou um único gramado. À noite, policiais vasculham o terreno, espancando qualquer morador de qualquer idade que insista em passear fora de seus barracos.
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