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24 de julho de 2013
Coronelismo e compromisso
Atividade História do Brasil III
Durante o período de 1894 a 1930, o sistema político bra¬sileiro era caracterizado pelo predomínio político das oligarquias ligadas ao setor agroexportador de café. A relação entre o poder federal e local era articulado de forma a garantir a manutenção dessas oligarquias no poder. Sobre esse contexto, Maria de Lour¬des Mônaco Janotti (1986) publicou um trabalho intitulado Coro¬nelismo: uma política de compromisso. Tendo como base o conteúdo trabalhado nessa unidade, bem como o trabalho de Janotti, explique: Por que o coronelismo pode ser entendido como uma políti¬ca de compromisso? Essa atividade deve conter, no máximo, uma lauda, que será postada no Portfólio.
O coronelismo pode ser considerado uma política de compromisso porque no seu estado “normal”, isto é, quando não ocorriam conflitos entre os setores beneficiados por essa política, ela envolvia uma série de “acordos de cavalheiros”, hierarquizados tanto de baixo para cima como de cima para baixo. Na base estavam os chamados coronéis de menor importância, do qual dependiam, para terem atividades remuneradas, seja em dinheiro, seja em produtos, os trabalhadores rurais de uma pequena região, que viviam em condições de absoluta insegurança e precariedade. Por meio de mecanismos de coerção, executados por capangas seus armados, mecanismos de coerção que por vezes chegavam ao assassínio, e de mecanismos de consenso, como o chamado compadrio, esse pequeno coronel assegurava que os trabalhadores rurais votassem nos candidatos dos coronéis mais importantes, ou os impedia de votar em outros candidatos, ou os impedia de votar pura e simplesmente. Havia assim um compromisso, um acordo, entre os coronéis menos importantes e os mais importantes.
Os coronéis mais importantes, além de controlarem uma rede de coronéis menos importantes, pelos mesmos mecanismos de coerção e de consenso, tinham também, sendo proprietários de mais terras, sob seu controle um número bem maior de trabalhadores. Mas sua função principal era a coordenação com as autoridades estaduais que controlavam os órgãos do Executivo e do Judiciário e também os processos eleitorais tanto para o Executivo como para o Legislativo. Havia toda uma hierarquia para se confirmar, “a bico de pena” o resultado de cada urna e o resultado de todas as urnas, de modo que só recebiam diploma, independente de quantos votos tivessem legitimamente recebido, os aprovados por acordos entre os grandes coronéis e as autoridades estaduais, a começar do governador. Havia assim um compromisso em outro nível, segundo o qual os grandes coronéis “indicavam” quem seriam os vereadores e quem seria apontado como prefeito (as eleições diretas para prefeito só viriam de fato em 1946, com exceção de algumas cidades maiores), o que era respeitado pelas autoridades estaduais. Em troca, segundo o compromisso, os grandes coronéis apoiavam os candidatos a parlamentares estaduais e federais e para presidente de Estado e presidente da República indicados pelas autoridades estaduais. Na cúpula, o presidente da República controlava a “política dos governadores”. Enfim, uma rede de compromissos.
27 de junho de 2013
Protestos: as dificuldades de entender o que está acontecendo
Enquanto o respeitado pensador Vladimir Safatle, na revista Carta Capital, saúda em bloco os protestos em todo o País como um avanço progressista, o também respeitado cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, no portal IG, condena em bloco os protestos como um enorme ataque à democracia no Brasil. O que estamos precisando é de teóricos ainda mais eminentes, que deem conta de protestos que envolvem desde radicais de esquerda até radicais de direita. Afinal, os protestos são aplaudidos desde pela progressista Carta Capital até pela conservadora Veja.
22 de junho de 2013
Protestos: mais uma análise interessante
Jorge Alberto Benitez escreveu, sobre a mensagem anterior: "Como fotografia que capta estereótipos serve esta analise. No entanto não leva em consideração a dinâmica que significa esta imensa massa se dar conta do poder que juntos tem e de estar conhecendo e vivenciando algo distinto da cultura individualista e de consumo. Dizer que todo o pessoal do grupo 2 é massa de manobra da mídia é raciocínio raso. Por exemplo, Meus filhos e seus amigos universitários que estão se conscientizando aos poucos sobre politica e movimentos sociais estavam preocupados com a direitização do movimento, inclusive, compartilhando no facebook posts tipo "Vaza reaça!". Alem do mais fui e achei valido ver aqui em Porto Alegre aquele mar de gente embaixo de um frio e uma chuva que não dava trégua. Ver uma multidão destas indo para algo que não é um jogo de futebol deve ter algum valor maior do que o de, simplesmente, rotula- lo como massa de manobra da grande midia. Alias, o protesto em Porto Alegre tinha como alvo maior o prédio da RBS ( Maior grupo de mídia gaúcho) que não deve ter manobrado o movimento contra si. Não vi ninguém dizendo na passeata ( Eu estava no meio do grupo 2) que não deveríamos ir contra a aliciadora do movimento, como o texto sugere. Ao contrário, todos ali gritavam palavras de ordem contra o poder desmesurado da grande mídia, personificada aqui no Sul, pelo grupo RBS."
Protestos: uma explicação interessante
Na lista argentina Reconquista Popular, encontrei a seguinte mensagem em português sem acentos que é uma razoável explicação sobre as manifestações no Brasil.
Em 22/06/2013 00:32, Ezequiel Beer < ezequielbeer@yahoo.com.ar > escreveu:
----- Mensaje reenviado -----
De: franklin
Para: inflacionheterodoxa@yahoogroups.com
Enviado: sábado, 22 de junio de 2013 0:03
Asunto: Re: [inflacionheterodoxa] Brasil
Amigos
parte da dificuldade de entender as manifestações no brasil é que nelas tinham tres grupos
bem distintos:
1. um grupo pequeno de jovens militantes de esquerda universitarios de classe media e ai sim o ponto positivo
alguns de classes populares tanto que pediam onibus baratos. o ponto positivo é que os avannços
sociais recentes neste pais atrasado foram grandes e agora existem jovens universitarios pobres
que podem se dar o luxo de ser militantes de esquerda. estes começaram o protesto.
2. uma enorme massa de jovens de classe media alienados e individualistas que são meio
verdes (ambientalistas) gostam de ongs e são neoliberais mais por ignorancia do que convicção.
esta é a maioria dos que estavam nas ruas. e se fossem só eles os protestos nao teriam a menor
relevancia. estavam lá pela festa. nao tem agenda nem nada na cabeça.
3. um grupo pequeno mas ativo de jovens de classe media de extrema direita ( apoiados por mais alguma infiltração
policial e um grupo menor ainda de pequenos criminosos oportunistas pobres que se aproveitaram do caos para saquear lojas etc). Estes são os que causaram a violencia.
Além disso em varios locais e ocasiões a reação desproporcional e pouco competente da policia que em nome
de controlar o grupo 3 atacou
todos indiscriminadamente (de proposito ou por incompetencia
dependendo do governador de cada estado) tornou as coisas mais graves.
O grupo 1 é um avanço em relação a falta de mobilização da esquerda brasileira. O grupo 3
está tentando gerar instabilidade poltica com a cooperação coordenada ou não dos
policiais e dos criminosos oportunistas.
Seria otimo poder acreditar que no rio e em sao paulo 300000 pessoas defendessem melhor
transporte publico para o povo. Mas o grupo 1 devia ser uns 10% do total , infelizmente.
O grupo 2 era a imensa maioria. foram porque está na moda e porque a tv globo incentivou.
esta gente fala muito em ética, corrupção etc e se considera acima dos partidos e da velha
politica "corrupta". e acham que com smartphones e facebook mudarão o mundo.
Para mim a grande novidade pós -pós-moderna é vermos no mesmo protesto um espectro
de posições tão amplo. no meu tempo tinha protesto de esquerda e protesto de direita .
agora é um protesto só e todos os grupos dizem que os 300000 eram do grupo deles.
por isso as analises tem sido tão ruins.
abraço
franklin
5 de junho de 2013
Anarquismo no Brasil
Trabalho meu de História -
Renato Ribeiro Pompeu
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R.A. 1052390
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HISTÓRIA SOCIAL DO
ANARQUISMO NO BRASIL
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Centro Universitário Claretiano
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Curso de História – 2.o ano
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Curso de Extensão
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Polo de São Paulo
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2011
Passado menos de um século do auge do anarquismo operário no Brasil, o que resta de memória dessa vasta movimentação, que em 1917 e 1919 chegou a duas das três únicas greves gerais na cidade de São Paulo (sendo a terceira a do Abono de Natal, hoje conhecido como 13.o salário, em 1962), está nos arquivos e em algumas iniciativas no mundo acadêmico. Para falar a verdade, o próprio 13.o salário é tido pelas atuais gerações de trabalhadores como algo dado e óbvio, sem a lembrança de que foram necessárias lutas até sangrentas durante décadas para concretizá-lo como direito de todos os assalariados.
E os hoje esquecidos anarquistas contribuíram para a conquista de um marco muito mais importante, para os trabalhadores atuais, do que uma questão de salários: foram os anarquistas que forjaram no Brasil recém-saído da escravidão a noção de que o trabalho confere dignidade aos seres humanos. Os anarquistas organizaram o orgulho de pertencer à classe operária, fomentaram uma cultura operária brasileira, por meio de livros, jornais, revistas, saraus, sessões musicais, peças de teatro – tudo escrito e desempenhado pelos próprios trabalhadores. Particularmente, mulheres anarquistas foram as primeiras, no Brasil, a defenderem a independência de cada mulher, não só no que se refere ao trabalho e ao direito de escolher quando terá filhos, mas também no que se relaciona à própria liberdade sexual.
Ironicamente, os direitos que os anarquistas defendiam, a uma vida e um salário dignos, à limpeza pública, ao sanitarismo, à educação e à saúde, à liberdade de expressão, hoje desfrutados por uma grande parcela (longe de serem todos) dos trabalhadores brasileiros, são na atualidade, na prática, garantidos pelo Estado, tão abominado pelos anarquistas. Mesmo porque o poder do Estado burguês no País hoje é largamente exercido por sindicalistas e outros operários que, no entanto, não guardam memória de fato, nem histórica nem afetiva, de que seus benefícios são oriundos das lutas, dos sofrimentos e dos sonhos de trabalhadores hoje obscuros que lutaram durante décadas por uma sociedade sem classes, sem exploradores e sem explorados, sem oprimidos e sem opressores, autogovernada por todos os seus membros, sem um Estado que paire coercitivamente sobre essa sociedade.
Todos esses direitos, no entanto, estão hoje sob ameaça por mais uma incontrolável crise estrutural do capitalismo mundial. Mais e mais trabalhadores, em todo o planeta, estão perdendo o emprego, ou tiveram seus salários e benefícios sociais drasticamente reduzidos, em empregos a cada dia mais precários e insalubres. Por isso, e por muitos outros motivos, é importante cultivar a história social e fazer nascer a memória do que pensaram, do que fizeram e do que pensaram trabalhadores e trabalhadoras hoje de lembrança tão obscurecida. Pois sua noção de que a exploração não devia ser só amenizada, mas extinta – como era o objetivo dos antigos anarquistas –, está começando a entrar de novo na ordem do dia dos trabalhadores, embora os sentimentos de revolta estejam sendo mais aproveitados por populistas de direita do que por esquerdistas, cuja ala mais radical é a dos anarquistas.
15 de abril de 2013
Maior parte da imprensa brasileira não discute racismo, aponta pesquisa - Transcrito do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas
Blog JORNALISMO NAS AMERICAS
Jornalismo nas Américas
Maior parte da imprensa brasileira não discute racismo, aponta pesquisa
Por Isabela Fraga
A maior parte da imprensa brasileira não discute a questão do racismo, embora trate com frequência da desigualdade racial. É o que aponta um estudo realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e pela Andi, organização sem fins lucrativos voltada para ações de mídia. Intitulada "Parlamento e racismo na mídia", a pesquisa foi publicada em meados de março e analisou 401 matérias jornalísticas que tratam do racismo em relação ao poder legislativo brasileiro.
"A democracia representativa brasileira é muito distorcida no parlamento. Para nós do Inesc, a explicação para essa distorção é o racismo e, nesse estudo, quisemos entender como a mídia trata essa questão do racismo tendo como base o parlamento: posições parlamentares, legislações, votações", explica Eliana Magalhães Graça, assessora política do Inesc.
Cerca de 56% das matérias analisadas não menciona o conceito do racismo, embora trate de temas que tangenciam a questão, como as ações afirmativas (cotas, por exemplos) e outras legislações na área. " As notícias afastam-se do debate histórico, filosófico, sociológico e antropológico sobre o fenômeno", diz o texto do estudo.
Mas será que é possível fazer esse tipo de debate, tão aprofundado, nas páginas de um jornal diário, limitado por tempo e espaço? Para Graça, a ideia não é discutir profundamente as causas e soluções para uma questão complexa que atravessa a história brasileira desde seu começo. "Você não precisa aprofundar, mas considerar o conceito [do racismo]", relativiza. "O problema da mídia é tergiversar: as matérias expõem dados, discutem a desigualdade racial, mas não a existência do racismo em si".
Entre os jornais analisados, foi uma publicação regional que mais mostrou aprofundamento da questão do racismo em suas reportagens: A Tarde, da Bahia, teve mais matérias que relacionavam a questão do racismo e o parlamento brasileiro, com 51 textos (12,7% das notícias analisadas). O Estado de S. Paulo veio em seguida, com 46 matérias (11,5%). No entanto, a publicação paulistana, segundo o estudo "empalideceu a ideia de uma sociedade marcada pelo racismo, negligenciando vozes parlamentares e de outros setores que afirmavam a existência do fenômeno".
Os negros representam mais de 50% da população brasileira, segundo o IBGE. No entanto, dos 513 deputados federais, apenas 43 se reconhecem como negros e, dos 81 senadores, há apenas dois negros, segundo a União de Negros pela Igualdade (Unegro).
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Publicado 2013-03-28 20:29
14 de abril de 2013
[Agência Pública] EUA fizeram lobby pró-censura durante governo militar
[Agência Pública] (livre reprodução desde que citada a fonte)
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EUA FIZERAM LOBBY PRÓ-CENSURA DURANTE GOVERNO MILITAR
09.04.13 Por Natalia Viana#WikiLeaksPlusDIlustração de Elifas Andreato em Movimento, edição 154 de 12 de junho de 1974. Fonte Livro Movimento, uma reportagem
Embaixada pediu a repórter da TV americana para ouvir Roberto Marinho e Nascimento Brito, diretor do Jornal do Brasil, vozes menos criticas à censura oficial
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Em 1973 o governo do general Emílio Garrastazu Médici entrava em seu quarto ano, consolidando a presença da chama “linha dura” militar no governo. A censura à imprensa se estruturou e se oficializou, abarcando todos os principais veículos de imprensa do país. Sob Médici, a maioria das redações recebiam bilhetinhos apócrifos ou ligações quase diárias de membros da Polícia Federal – a força encarregada de controlar a censura – com a relação de temas que não poderiam ser abordados: desde relatos de tortura e prisões políticas até reportagens sobre a precária situação dos trens, a pobreza no país ou escandalosos casos de corrupção. Outras, como Veja e o Pasquim, tinham que enviar seu conteúdo para a censura prévia. O Estado de S. Paulo convivia com um censor plantado dentro da redação, lendo todos os textos para decidir o que podia e o que não podia ser publicado.
Para os Estados Unidos, porém, país que propagandeava a democracia como resposta à “ameaça comunista”, nada disso importava. Pelo contrário: documentos constantes no PlusD, do WikiLeaks, mostram que a diplomacia americana chegou a defender a censura do regime militar brasileiro perante um jornalista da poderosa rede de TV americana CBS.
“O cônsul geral de São Paulo relata que o correspondente da CBS na América Latina, George Nathanson, está em São Paulo, fazendo um vídeo sobre a censura à imprensa brasileira. A ideia de realizar essa história foi incitada pelo artigo do New York Times de 21 de feveriro sobre esse assunto”, escreveu o então embaixador dos EUA no Brasil, William Rountree, que ficou no posto entre 1970 e 1973. O correspondente estava filmando na redação do Estado de São Paulo e, segundo ele, a reportagem corria muito bem.
Mas a embaixada tinha outra ideia de como a censura deveria ser retratada. “Durante um almoço com Nathanson na semana passado, o Oficial para Relações Públicas [da embaixada] sugeriu que Nathanson tentasse obter todos os lados da história da censura no Brasil”, descreve o documento de 9 de março de 1973, marcado “para uso oficial limitado”. “Além de apenas falar com fontes da mídia veementemente opostos e afetados pela censura presente, o oficial de relações públicas mencionou que seria útil a Nathanson falar com figuras como o conselheiro presidencial Coronel Otávio Costa [chefe da assessoria de Relações Públicas da Presidência] e outros oficiais do governo, bem como representantes da mídia como Roberto Marinho, do Globo, e Nascimento Brito, do jornal do Brasil, que veem a questão da censura de maneira diferente da família Mesquita, do Estado”. Em seguida o embaixador, satisfeito, afirma que o jornalista acatou a sugestão e “expressou interesse nesta abordagem para fazer uma cobertura balanceada”.
EXISTE COBERTURA BALANCEADA SOBRE CENSURA?
O aparato censório do regime militar foi construído sob as asas do Ato Institucional no. 5. Logo após sua decretação, em 13 de dezembro de 1968, o general Silvio Correia de Andrade, delegado da Policia Federal em São Paulo, declarou em entrevista coletiva: “Podem dizer que foi instaurado o arrocho à imprensa escrita, falada e televisada por parte do Contel, sob minha fiscalização direta. Os jornais estão sob censura no que diz respeito a greves, passeatas, comícios, agitação estudantil e qualquer tipo de ataque às autoridades”.
A PF seria responsável por calar a imprensa; no ano seguinte, dezenas de delegados destacados para esse fim receberam uma extensa lista de normas. Eles deviam vetar notícias “falsas” ou sensacionalistas, testemunhos em “off” (com fontes anônimas), comentários de pessoas atingidas pelos atos institucionais ou ligadas a entidades estudantis dissolvidas. Também eram proibidas notícias sobre todo tipo de repressão: cassações de mandatos, suspensão de direitos políticos, prisões, tortura.
Em 1971 o ministro da justiça Alfredo Buzaid aumentou a lista, proibindo também notícias “sensacionalistas” que prejudicassem a imagem do Brasil no exterior, notícias que colocassem em perigo a política econômica do governo, e até mesmo a “divulgação alarmista” de “movimentos subversivos” em países estrangeiros. Segundo levantamento do jornalista Élio Gaspari, entre 1972 e 1975 o Jornal do Brasil recebeu 270 ordens enviadas por telefone ou por escrito pelos policiais da PF. Apenas em 1973 – ano em que os diplomatas americanos queriam suavizar a cobertura da CBS sobre a censura brasileira – o pesquisador Paolo Marconi – consultando diversos veículos como Folha de S. Paulo, Rádio e TV Bandeirantes, em São Paulo, e Rádio e TV, em Salvador – contabilizou um total de 143 ordens enviadas pela PF. A maioria dos veículos praticava, então, a auto-censura, descartando os temas proibidos. É o caso da Globo de Roberto Marinho e do Jornal do Brasil de Nascimento Brito, apontados pelo embaixador como menos críticos à censura oficial.
Os veículos que mostravam alguma resistência tinham edições inteiras apreendidas ou eram submetidos à censura prévia – caso do Jornal da Tarde e da Revista Veja, então comandada por Mino Carta, que eram visitados por censores ou obrigados a mandar as edições antes de publicadas para a sede da PF em Brasília. Convivendo diariamente com um censor da PF, o Estado de S. Paulo teve 1136 reportagens censuradas entre março de 73 e janeiro de 75. Foram vetadas matérias sobre a Petrobrás, a questão indígena, a política de saúde pública, corrupção no ensino e até mesmo racismo no futebol.
Por sua vez, semanários pequenos e mais independentes como Opinião, baseado no Rio de Janeiro, e Movimento, de São Paulo, tiveram jornalistas presos, edições apreendidas e seus diretores interrogados inúmeras vezes. Daí o caráter “econômico” da censura, que foi responsável pelo desmantelamento, por asfixia financeira, de jornais de extrema qualidade e linhas editoriais progressistas – provocando um impacto que até hoje influencia o cenário da imprensa brasileira. Publicações independentes como Opinião, Ex, Movimento e Pasquim tiveram edições inteiras apreendidas, e tiveram que fechar as portas sob o peso da censura. Só o jornal Movimento teve 40% de todo o seu conteúdo censurado – mais de 3 mil artigos, mais de 4,5 milhões de palavras.
OS AMERICANOS SABIAM, CLARO
Nada disso era novidade para o Departamento de Estado chefiado por Henry Kissinger – o mesmo que criticou a lei de acesso à informação americana afirmando “antes da lei eu costumava dizer em reuniões, ‘o que é ilegal nós fazemos imediatamente; o que é inconstitucional leva mais tempo’, mas desde a lei eu tenho medo de dizer coisas assim”. Na verdade, os diplomatas americanos mantinham contato próximo com jornalistas brasileiros, acompanhando de perto as consequências da censura.
Assim, em 23 de março de 1973 – mesmo mês em que a embaixada defendia a censura junto ao correspondente da CBS – o cônsul de São Paulo, Frederick Chapin, relatou uma longa conversacom o dono do Estadão, Julio Mesquita, sobre a censura ao jornal. Embora o general Ernesto Geisel tivesse assumido com o compromisso de promover a “distensão política”, com a restauração dos direitos civis, nas duas semanas anteriores a tesoura da censura havia cortado seis matérias do Estadão, que as substituíra por cartas e receitas culinárias. Ao mesmo tempo, relata Chapin, Julio Mesquita enviara telegramas a todos os congressistas, e o Estadão publicou uma nota avisando que quem quisesse saber por que conteúdos desimportantes estavam aparecendo no jornal poderia ligar para a redação – receberam 167 ligações. “Julio Mesquita disse que a forte pressão que ele estava exercendo no governo para relaxar a censura estava fazendo efeito”, relatou Chapin, já que o Estadão chegara a publicar histórias – incluindo uma sobre censura – que não teriam passado. “Julio disse que pretendia continuar a pressionar o governo na questão da censura”.
Ainda assim, os censores só sairiam do Estadão dois anos depois.
Sob o embaixador John Crimmins, que assumiu o posto após Rountree, a embaixada dos EUA manteve uma “postura de não pôr as mãos” no tema da censura, segundo palavras do próprio. Mas continuava acompanhando de perto o despropósito da censura, conversando diretamente com editores e publishers. É o que mostra um documento do Rio de Janeiro, datado de 13 de maio de 1974, detalhando a situação do jornal Opinião. Em conversa com o então cônsul geral Clarence Boonstra, o empresário Fernando Gasparian, do Opinião, contava sobre os cortes mais recentes: uma entrevista com o então candidato a presidência francesa, François Mitterand, e com o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Nesse momento, a censura exigia novamente que o jornal fosse enviado a Brasília, antes de ser publicado, até quarta-feira de cada semana. “Gasparian estava ‘chocado e desanimado’ com os últimos acontecimentos”, relata Chapin, e decidiu ir a Brasília para investigar o motivo dos últimos cortes com o diretor-geral da PF, o coronel Moacyr Coelho. O coronel, que Gasparian descrevia como “deprimido e vacilante”, lhe disse que a censura havia sido decidida “em altas instâncias do Ministério da Justiça” e que havia outros jornais sob maior pressão, escreve Boonstra. “Ele voltou achando que ‘alguma coisa aconteceu dentro do alto escalão do governo para forçá-los a voltar às antigas restrições’. Gasparian disse que ouviu rumores em Brasília que os militares linha-dura não estavam felizes com os passos do regime em direção à liberalização e haviam demandado ‘apertar’ o controle da imprensa e de outras áreas”, diz o despacho diplomático.
A partir de 1975, a censura se tornou mais seletiva e a censura prévia foi sendo retirada aos poucos. Não foi um processo decisivo, tendo idas e vindas de acordo com as pressões do momento, como mostram as conversas constamente relatadas pelos diplomatas americanos. Em 4 de abril daquele ano, a embaixada em Brasília enviou a Washington um relato sobre a apreensão do jornal Pasquim, do Rio de Janeiro, pela PF, ocorrida logo depois do veículo ter tido a censura prévia encerrada, e a uma edição comemorativa especialmente robusta. Chamando-o de “tabloide satírico semanal de centro-esquerda” Crimmins relata que, durante 5 anos, o semanário fora obrigado a enviar para Brasília duas a três vezes mais material do que necessário – texto, charges e fotos – para ser cortado.
“De acordo com [Millôr] Fernandes e outras fontes bem informadas da imprensa, o alvo real da apreensão do Pasquim era um editorial forte de Fernandes detalhando os problemas do jornal com a censura. Esses problemas incluíam: uma queda brusca de leitores (Fernandes afirma que houve uma queda de 200 mil para 100 mil em circulação nos seis primeiros meses de censura; alguns observadores acreditam que o cálculo atual seja de 50 mil) e assédio da equipe do Pasquim quando a censura teve início (ex. interrogatório policial da maioria deles e prisão de dez editores por dois meses, seguida da sua libertação e o arquivamento subsequente do inquérito). Fernandes também argumentava [no editorial] que o fim da censura prévia não significa que a imprensa livre brasileira possa imprimir o que quer e lembrava aos leitores que muitos dos jornais brasileiros ainda estavam sujeitos à censura”. O comunicado encerrava dizendo que a apreensão “foi um enorme golpe em termos financeiros”, já que o Pasquim dependia de vendas em banca.
A Veja de Mino Carta
A diplomacia americana também acompanhou de perto o périplo da revista Veja, fundada e editada por Mino Carta durante a ditadura militar e submetida a dois tipos de censura prévia ao longo dos anos: no geral, o censor da PF ia até a redação, no prédio da editora Abril; mas em algumas ocasiões o material tinha que ser enviado a Brasília dias antes da publicação.
Em maio de 1974, foi a vez do consulado de São Paulo informar sobre a censura a Veja. O primeiro despacho, do dia 10, é assinado pelo cônsul-geral Frederick Chapin. “Uma empreitada de censura ameaça a continuação de Veja, respeitada revista semanal”, descreve o cônsul A nova ordem exigia que todo conteúdo da revista fosse enviado a Brasília na quarta-feira, inviabilizando a cobertura de fatos “quentes”. Mino Carta – a quem Chapin chama de “um dos jornalistas mais hábeis e mais conhecidos” do país – contava que a nova ordem era uma represália, em especial, por uma charge de Millôr Fernandes mostrando um homem sendo torturado, sobre a legenda “nada consta”.
“Essa semana, quando Mino soube do endurecimento, ele ligou para o general Golbery, que foi ‘evasivo e hipócrita’. O general Golbery mencionou especificamente alguma insatisfação sobre a charge de Millôr Fernandes”. Decepcionado, já que tanto Golbery quanto o ministro da justiça de Geisel, Armando Falcão, haviam se manifestado contra a censura, mas estariam cedendo aos militares “linha dura”, Mino Carta ameaçava deixar a Veja. “Carta disse que não quer ter mais nada a ver com Golbery e Falcão porque ‘seria como lidar com office boys’”, relata Chapin. “Essas ordens, ele adicionou, vieram do ministro do Exército Dale Coutinho, um representante do ‘sistema’, ou como ele chama, ‘o capo máfia’ que ele [Mino Carta] acredita que controla o país’”, relata o despacho enviado a Washington.
“O cumprimento das novas regras vai efetivamente matar a Veja, segundo Carta”, escreve o cônsul, que finaliza o documento narrando que, para o jornalista, “o propósito do endurecimento não é destruir Veja, mas colocar a revista e a editora Abril ‘de joelhos”.
Roberto Civita, vice-presidente e filho do dono da editora Abril, viajaria para Brasília em busca de um acordo – que também foi acompanhado de perto pelos americanos. Em 28 de maio, outro despacho do consulado de São Paulo, relata que a ordem fora revertida. Como narrou Victor Civita ao americano, “[Dale] Coutinho se recusou a ver Roberto, que então ligou para Golbery e para o ministro Falcão”. A redação, portanto, voltaria a receber a visita de censores. O próprio Golbery e Falcão haviam servido como “fiadores” do acordo entre os censores e Veja. “Victor estava otimista sobre as relações futuras com a administração Geisel”, relatou Chapin. O dono da Abril afirmou: “eu só tenho três ou quatro amigos no governo agora, mas em um ano ou mais eu vou conhecer bem 10 ou 12 deles”.
No entanto, a paz não duraria muito, reflexo da queda de braço interna à administração Geisel. Em agosto de 1975, a ordem de enviar o material para Brasília voltou – e foi prontamente relatada o Departamento de Estado dos EUA. O estopim fora uma edição recente de um discurso de Geisel, que Veja via como um sinal de que a distensão estava morta. Hernani Donado, Relações Públicas da revista, conversou com os diplomatas. “Donato disse que a linha dura ficou irritada pelos elogios de Veja ao general Golbery (….) Golbery ligou pessoalmente para Mino Carta e pediu que ele parasse com as histórias: ‘toda palavra boa que você fala sobre mim é uma palavra ruim sobre os oponentes da distensão’”. Segundo o embaixador Crimmins, Hernani Donato também acreditava que censores de Brasília “não confiavam totalmente” nos seus subordinados de São Paulo, e sentiam “que eles podem ter se tornado muito próximos de jornalistas locais”. Em 27 de agosto, diplomatas da embaixada voltaram a almoçar com Victor Civita para discutir o assunto. “Ele contou que lhe foi dito para ser muito cuidadoso porque o governo tinha o poder de ‘colocá-lo de joelhos’ quando quisesse”.
14 de fevereiro de 2013
Denunciada prisão ilegal de jornalistas pelos EUA
Segundo artigo de Monica Campbell, pesquisadora do Comitê para Proteger Jornalistas, uma organização internacional, em http://www.cpj.org/2013/02/attacks-on-the-press-misusing-terror-laws.php, em inglês, 232 jornalistas estavam na cadeia em 2012, em todo o mundo. A mídia brasileira e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo deram ênfase a críticas do CPJ à repressão a jornalistas no Brasil, mas o ponto mais interessante do relato de Campbell é: "Os Estados Unidos ajudaram a legitimar a tática (de prender ilegalmente jornalistas) ao terem aprisionado pelo menos 14 jornalistas no Iraque, Afeganistão e Baía de Guantánamo durante a última década. Embora a maior parte deles nunca tenha sido formalmente acusada, todos foram em geral acusados por funcionários dos Estados Unidos de terem cometido infrações relacionadas à segurança ou ao terror. Os funcionários dos Estados Unidos nunca forneceram provas de nenhuma das alegações".
28 de janeiro de 2013
Bolivianos protestam contra industrialização de seu gás no Brasil e não na Bolívia
Em http://www.hidrocarburosbolivia.com/nuestro-contenido/noticias/59488-ibulo-bulo-en-jaque-autorizan-el-punto-de-entrega-de-gas-boliviano-para-su-industrializacion-en-tres-lagoas.html, em castelhano, o articulista boliviano Bernardo Prado Liévana observa que a instalação pela Petrobras de uma usina de fertilizantes em Três Lagoas-MS, usando gás boliviano, vai prejudicar usina semelhante em Bulo-Bulo, na Província de Oriente, Bolívia. Setores em vários países hispano-americanos a favor da união latino-americana, a chamada Pátria Grande, além de bolivianos, protestam contra o que julgam mais uma ofensiva da burguesia paulista, a que chamam de "burguesia bandeirante", contra a industrialização de outros países sul-americanos.
24 de janeiro de 2013
Argentina: "protetorado" do Brasil e Chile?
Em artigo a 24 de janeiro, quinta-feira, no jornal La Nación, de Buenos Aires, em http://www.lanacion.com.ar/1548409-somos-un-protectorado-de-chile-y-brasil, em castelhano, o pesquisador Carlos Escudé, depois de lembrar que nos últimos anos o Brasil tem gastado 2,6 por cento de seu PIB com as Forças Armadas, e o Chile 2,7 por cento, em comparação com 0,8 por cento da Argentina, chega à conclusão de que a Argentina só continua existindo como nação territorialmente íntegra porque o Brasil e o Chile a tratam como um "protetorado". Diz que a Argentina não teria condições de resistir mais de 24 horas a um "ataque do Paraguai" e conclui: "Esto significa que, actualmente, la Argentina es un Estado a medias, en tanto sigue siendo un Estado sólo porque sus vecinos más importantes, Brasil y Chile, quieren que siga siendo un Estado".
17 de julho de 2012
China e Brasil, os destaques das 500 maiores empresas do mundo
A impressionante ascensão das empresas chinesas e a importante presença do Brasil na lista das 500 maiores empresas do mundo elaborada pela revista americana Fortune, mais a decadência das empresas dos Estados Unidos, podem ser avaliadas segundo o artigo abaixo, publicado em castelhano na lista argentina de notícias Reconquista Popular, em mensagem de Néstor Gorojovsky < nmgoro@gmail.com >
GEntileza Andrés Soliz
Actualizado el 2012-07-16 a horas: 06:26:00
EE.UU. decae y China desplaza a Japón en el ranking de las 500
multinacionales más poderosas del mundo
Petroleras y bancos se enriquecen en plena crisis capitalista
Redacción Bolpress
Las petroleras, los bancos y los fabricantes de automóviles, en ese
orden, encabezan el ranking de las 500 multinacionales con récords de
facturación e ingresos en 2011. De las 10 multinacionales que más se
enriquecieron en plena crisis capitalista, siete son transnacionales
petroleras con sede en Inglaterra, China y Estados Unidos.
Las ganancias de las 500 multinacionales más grandes del planeta
crecieron 13,2% en 2011, con negocios por 29.500 millones de dólares,
reveló la revista Fortune al publicar el 9 de julio un adelanto de su
ranking anual 2012.
En la posición número uno aparece la petrolera Royal Dutch Shell
(Países Bajos), seguida por Exxon Mobil de EE.UU. (2); Walmart de
EE.UU. (3); la británica British Petroleum BP (4); las chinas Sinopec
Group (5) y China National Petroleum (6); la compañía eléctrica china
State Grid (7); las estadounidenses Chevron (8) y Conoco Phillips (9),
y la japonesa Toyota Motor en el puesto 10.
En 2011 Toyota perdió el liderazgo mundial en las ventas de vehículos
y cayó a la tercera posición, después de la estadounidense General
Motors y la alemana Volkswagen, pero obtuvo ganancias de 235.364
millones de dólares.En junio, las ventas de vehículos de Japón y
Surcorea registraron un incremento del 22% en el mercado
norteamericano. Toyota acumuló en los primeros seis meses del año un
repunte del 29% en la comercialización de vehículos, y logró una
participación del 14,4% del mercado norteamericano.
En el ranking de Fortune por países, Estados Unidos se consolida en el
primer lugar con 132 empresas, seguido de China (73), Japón (68),
Francia (32), Alemania (32), Reino Unido (27), Suiza (15), Corea del
Sur (13), Holanda (12), Canadá (11), Australia e Italia (9), Brasil,
India y España (8), Rusia (7), Taiwán (6), Bélgica y Suecia (4),
México (3), Irlanda, y Luxemburgo y Singapur (2). Con una sola empresa
en el listado 2012 aparecen Colombia, Venezuela, Arabia Saudí,
Tailandia, Turquía, Emiratos Árabes Unidos, Austria, Dinamarca,
Finlandia, Hungría, Luxemburgo, Malasia, Noruega y Polonia
Estados Unidos continúa en el primer lugar con 132 empresas, menos que
las 197 que tenía una década atrás. Este año la petrolera Exxon Mobil
fue desplazada por el gigante anglo-holandés Royal Dutch Shell,
mientras que la distribuidora estadounidense Walmart que lideró el
ranking en 2009 y 2010 cayó a la tercera posición. Otro de los grandes
perdedores, el grupo canadiense Research In Motion fabricante del
teléfono BlackBerry, quedó fuera de la lista de las 500 empresas más
importantes del mundo. [1]
En el listado de las 500 compañías más grandes del mundo confeccionado
por Fortune destaca el ascenso de China al segundo lugar, desplazando
a Japón a la tercera posición. El número de empresas chinas
registradas en el top 500 aumentó de 11 en 2002 a 73 en 2012. Tres
compañías chinas clasifican entre las 10 empresas más importantes del
mundo: Sinopec Group (que logró 375.214 millones de dólares de
beneficios en 2011); China National Petroleum, con 352.338 millones, y
State Grid, con 259.142 millones de dólares de ingresos.
Europa en su conjunto perdió 11 representantes en el top 500 como
consecuencia de la crisis bancaria. La primera empresa europea del
ranking 2012 de Forbes es la francesa Total (11), seguida por la
alemana Volkswagen (12), la suiza de materias primas Glencore
International (14), y las energéticas alemana E.ON (16) e italiana ENI
(17). La primera firma de España es el Banco Santander (44), seguido
por Telefónica (82), Repsol YPF (90), Iberdrola (230), ACS (240), Gas
Natural Fenosa (376) y el Grupo Mapfre (378).
Este año Fortune incluyó en su elenco a ocho empresas brasileras, dos
mexicanas, una colombiana y una venezolana. Las tres primeras de
Latinoamérica son Petrobras de Brasil (23), la mexicana Pemex (34) y
la venezolana PDVSA (36). En el último año Petrobras escaló del puesto
34 al 23 y PDVSA del 66 al 36. Mucho más atrás figuran la colombiana
Ecopetrol (303) y la Comisión Federal de Electricidad (CFE) de México
(470).
Las petroleras se enriquecen contaminando
El gigante petrolífero anglo-holandés Royal Dutch Shell, primero en el
ranking de Fortune, facturó el año pasado 484.489 millones de dólares
y obtuvo beneficios por 30.918 millones de dólares. Este año explora
yacimientos en aguas del Ártico, de donde prevé extraer al menos 90
mil millones de barriles de crudo en los próximos 10 o 20 años,
soslayando los graves riesgos ambientales.
En agosto de 2011 la Shell confirmó el escape de crudo en una de sus
plataformas en el Mar del Norte, a 180 kilómetros de Aberdeen,
Escocia. Desde el 10 de agosto más de 200 toneladas de petróleo fueron
derramadas al océano y la mancha de crudo cubrió un área superior a
los 10 kilómetros cuadrados.
También en agosto del año pasado, el Programa de la ONU para el Medio
Ambiente (PNUMA) determinó que la Shell violó normas de seguridad en
la manipulación del combustible, una de las causas fundamentales del
derrame de petróleo en la región de Ogoni, Nigeria. La compañía asumió
su responsabilidad y prometió indemnizar a las etnias afectadas por el
siniestro.
Exxon Mobil, la segunda del ranking 2012, obtuvo ingresos por 452.926
millones de dólares en 2011, y además recibió 250 millones de dólares
de PDVSA como compensación por la nacionalización de sus activos en la
Faja Petrolífera del Orinoco en 2006. La transnacional demandó a
Venezuela en 2008 reclamando 907 millones de dólares de indemnización.
Exxon y la petrolera rusa Rosneft firmaron un acuerdo para la
explotación conjunta de un yacimiento de difícil acceso en Siberia y
en otros tres bloques en la zona de Prinovzhemel Oriental, en el mar
de Kara. Rosneft solicitó autorización para el inicio de la extracción
de hidrocarburos en al menos 20 nuevos yacimientos con reservas
conjuntas de unos 24.500 millones de toneladas en la plataforma
marina, que se sumarían a otros 29 proyectos en ejecución con 26 mil
millones de toneladas de crudo, 80% en la zona Ártica y semiártica.
Exxon Mobil es la principal responsable del derrame de petróleo en el
río Yellowstone, en Estados Unidos. En los últimos años las
autoridades regulatorias del país del norte le llamaron la atención
dos veces por la violación de normas de seguridad; y sin embargo la
transnacional continuó operando el oleoducto Silvertip, en uso hace
dos décadas, el cual suministra diariamente 40 mil barriles del
carburante (4,79 millones de litros) a una refinería en Billings,
cerca del Parque Nacional Yellowstone en Montana.
Después de explorar la línea en julio de 2009, la Administración de
Seguridad de Oleoductos y Materiales Peligrosos (PHMSA en inglés)
entregó una carta de aviso a Exxon respecto a una filtración de
petróleo de alguna de las válvulas y la responsabilizó por no abordar
a tiempo problemas de corrosión en el oleoducto. La rotura de la
tubería que pasa debajo del cauce derramó hasta mil barriles de crudo
en el río.
Las autoridades ambientales calificaron de preocupante la
contaminación provocada ya que el río no cuenta con diques que impidan
o aminoren el paso de la columna de petróleo que se desplazaba a una
velocidad de entre 8 y 11 kilómetros por hora y amenazaba con
contaminar cauces en Dakota del Norte. Exxon admitió que la fuga de
petróleo podía extenderse más allá de los pronósticos iniciales. Las
autoridades informaron que el crudo llegó a 130 kilómetros de
distancia, por lo que hubo necesidad de evacuar a poblaciones en las
márgenes del río, y en mayo el ducto fue cerrado temporalmente.
La británica BP, cuarta en el ranking de Fortune, logró ganancias por
386.463 millones de dólares en 2011. Esta transnacional también se vio
implicada en sonados casos de contaminación en los últimos años,
incluido el peor desastre ecológico en Estados Unidos.
En abril de 2010, la plataforma Deepwater Horizon arrendada a BP en el
golfo de México sufrió una serie de explosiones que costaron la vida a
11 personas y causaron un vertimiento de crudo durante 87 días que
afectó a más de 4.800 kilómetros cuadrados de zonas pantanosas y
playas. Se estima que más de seis mil aves de diversas especies
murieron por la contaminación en el peor desastre ecológico ocurrido
en Estados Unidos.
Al momento del accidente la plataforma de BP exploraba yacimientos
submarinos a 68 kilómetros al sureste de Venice, Luisiana. En marzo de
2012, el grupo petrolero británico se comprometió indemnizar con 7.800
millones de dólares a los afectados, de los cuales unos 2.300 millones
de dólares se destinarán al sector pesquero. Se estima los costos del
vertido del hidrocarburo ascienden a 41 mil millones de dólares.
La estadounidense Chevron, octava en el ranking de Fortune, obtuvo el
año pasado 245.621 millones de dólares de ingresos, y es una de las
principales responsables del desastre ambiental en la Amazonia de
Ecuador. La justicia ecuatoriana sancionó a Chevron con una multa de
18 mil millones de dólares por los desastres ocasionados desde 1964
junto a la Gulf, y en Brasil fue responsabilizada del derrame de 2.400
barriles de crudo en noviembre de 2011.
La empresa europea mejor clasificada en el ranking de Forbes, en la
posición 11, es la petrolera francesa Total 11, implicada en un grave
accidente en la plataforma Elgin en el Mar del Norte, frente a
Escocia. El 25 de marzo fue detectada una fuga de gas en una formación
rocosa a 4 mil metros de profundidad y desde entonces escapan
diariamente más de 200 mil metros cúbicos de gas formando una nube
alrededor de la instalación. Se trata del mayor accidente registrado
en el Mar del Norte en los últimos 10 años.
El cartel petrolero privilegiado en EE.UU.
Chevron, Shell US, BP America, Conoco Phillips y Exxon Mobil gozan de
privilegios impositivos cercanos a los dos mil millones desde la
administración de George W. Bush, y en los últimos meses fueron
acusadas en el Congreso de enriquecerse a expensas del ciudadano
estadounidense. El presidente de la comisión de Finanzas del Senado
Max Baucus no se explica por qué las petroleras necesitan recortes
impositivos, cuando sus ganancias ascendieron a más de 35 mil millones
de dólares solo en el primer cuatrimestre de 2012.
La comisión congresal también investiga es el grado de responsabilidad
de las transnacionales petroleras en el incremento de los precios de
la gasolina. El presidente Barack Obama culpó directamente a los
“especuladores” de la subida del combustible hasta 3,84 dólares el
galón, el nivel más alto desde agosto de 2008.
El presidente Obama pidió al Congreso legislar en beneficio de los
contribuyentes en un momento en el que los precios de la gasolina
esquilman al ciudadano medio, mientras los grandes consorcios ganan
millones sin necesidad de privilegios fiscales. Por ejemplo, la
corporación Exxon se embolsilla 4,7 millones de dólares cada 60
minutos, y además es uno de los grupos beneficiados con los más de dos
mil millones de dólares en exenciones monetarias federales.
Estas empresas están ingresando más dinero que nunca y el Congreso aún
les otorga millones de dólares en contribuciones cada año, eso es poco
comprensible, acentuó Obama, y presentó un proyecto para eliminar los
subsidios a petroleras estadounidenses. Sin embargo, su iniciativa fue
rechazada en marzo por la bancada republicana en el Senado.
En abril Obama exigió al Congreso aprobar su iniciativa para regular
el mercado petrolero y frenar la especulación. Solicitó otorgar a la
Comisión de Negociación de Futuros de Materias Primas (CTFC en inglés)
la autoridad para exigir a los operadores disponer de más garantías al
negociar en las bolsas.
El 21 de abril el gobierno de Obama anunció la creación de un grupo de
trabajo que investigará los fraudes en el sector energético y estará
integrado por funcionarios del Departamento de Justicia, la Asociación
Nacional de Procuradores Generales, la Comisión Federal de Comercio,
el Departamento del Tesoro, la Reserva Federal, la Comisión de Bolsa y
Valores, y los departamentos de Agricultura y Energía.
El fiscal general Eric Holder aseguró que el grupo supervisará la
evolución de los mercados, la oferta y demanda; y el papel de los
inversores y operadores de índices en los mercados de futuros
petroleros. La comisión estudiará si existe manipulación de precios, y
fraudes, colusión o declaraciones falsas en las ventas minorista y
mayorista que violen la legislación o perjudiquen al consumidor.
El fiscal general Eric Holder afirmó que se mantendrán vigilantes en
la supervisión de los mercados del petróleo y el gas para que los
consumidores puedan confiar en que no están pagando precios más altos
como consecuencia de la actividad ilegal.
El presidente ejecutivo de Chevron John Watson calificó las medidas
que encaminan los legisladores de la mayoría demócrata como
“anticompetitivas y discriminatorias”, mientras que el presidente
ejecutivo de Conoco Phillip James Mulva aseveró que un incremento de
los impuestos llevará a una menor inversión, menos producción, y
seguramente mayores costos por galón.
Los bancos quiebran,
Los bancos comerciales son la segunda industria más próspera en el
Global 500 de Forbes, aunque podrían ser los verdaderos dueños del
mundo, según un estudio del Instituto Federal Suizo de Tecnología.
Un núcleo de 147 empresas europeas, norteamericanas y japonesas, en la
mayoría de los casos institutos financieros y compañías de seguros,
controla el 40% de las actividades económicas del planeta a través de
inversiones selectivas en las 43.060 principales corporaciones
industriales del “primer mundo” revela el informe.
En el ranking 2012 de Forbes destacan el Bank of America Corp. en la
posición número 13, seguido por el J.P. Morgan Chase & Co. (16), el
banco holandés ING (18) y el Citigroup (20). Las entidades financieras
mejor clasificadas entre las posiciones 20 y 40 son Wells Fargo (26),
Morgan Stanley (68), Goldman Sachs Group (80), el Banco Industrial &
Comercial de China Ltd, el Banco de la Construcción de China, el Banco
Agrícola de China Ltd y el Banco de China.
La primera empresa española es el Banco Santander (44), seguido por
BBVA (186). Según la Asociación Española de Banca (AEB), las entidades
financieras de ese país obtuvieron un beneficio neto conjunto de 9.328
millones de euros entre enero y septiembre de 2011. De manera
contraria, 42.879 familias españolas perdieron sus viviendas en el
mismo período ante la imposibilidad de pagar hipotecas o alquileres,
reveló el Consejo General del Poder Judicial (CGPJ).
Los procedimientos de desahucio presentados en los juzgados de España
en el tercer trimestre de 2011 ascendieron a 10.869, un 14,2% más que
en similar lapso del ejercicio precedente. Las estadísticas del CGPJ
señalan, además, que entre julio y septiembre los bancos iniciaron
14.894 ejecuciones para quedarse con las viviendas. En el acumulado
anual, se contabilizaron hasta esa fecha 57.136 ejecuciones, frente a
las 71.488 de 2010, que volvió a ser un año récord en este tipo de
procesos, al contabilizarse 93.636 actuaciones judiciales.
También llama la atención que los bancos “top” de Estados Unidos sean
los mismos que fueron “rescatados” de la bancarrota con el Programa de
Alivio para Activos en Problemas (TARP en inglés), puesto en práctica
para “salvar” a grandes bancos y empresas de la crisis, según un
informe del Centro de Política Responsable (CRP). El TARP tendrá un
costo total de 19 mil millones de dólares de fondos de los
contribuyentes, estima la Oficina de Presupuesto del Congreso.
Varios congresistas estadounidenses, tanto republicanos como
demócratas, aparecen entre los beneficiados. Por ejemplo, el líder de
la mayoría de la Cámara de Representantes, el republicano John
Boehner, y muchos otros legisladores invirtieron en firmas como
Goldman Sachs, beneficiada por el gobierno con un “rescate” de 10 mil
millones de dólares. Según CRP, nueve de los parlamentarios que
invierten sus capitales en estas empresas y bancos rescatados “ocupan
cargos en poderosos comités legislativos, que en algunos casos están
encomendados de regular al gigante de Wall Street”.
En conjunto, unos 19 legisladores invirtieron entre 480 mil y 1,1
millones de dólares en Goldman Sachs en 2010. Entre los congresistas
republicanos figuraron Richard Berg, Vernon Buchanon, Eric Cantor,
Larry Buscón, Jack Kingston, Randy Neugebauer, Phil Roe, Paul Ryan,
James Sensenbrenner, Fred Upton, y el senador Jon Kyl. Por los
demócratas aparecen los congresistas Gary Peters, Steven Rothman, y
los senadores Jeff Bingaman, Ben Nelson, Claire McCaskill, Mark Warner
y Sheldon Whitehouse.
El Bank of America, Goldman Sachs y Morgan Stanley, los tres
principales bancos de Estados Unidos, son investigados por la Fiscalía
General de Nueva York por su relación con la crisis financiera que
estalló en 2007. Según el New York Times, se busca todo tipo de
información sobre el papel de esas entidades en sus servicios
hipotecarios en los tiempos previos a la crisis.
La investigación cubrirá diversos aspectos de las prácticas bancarias
de vincular las hipotecas con títulos que luego eran vendidos a
inversores institucionales, sin tener claro cuál era el riesgo de las
líneas de crédito, una práctica que condujo al crash financiero a
principios de 2008. Los fiscales analizarán de qué modo este
procedimiento pudo ser usado para engañar a inversores
institucionales, aseguradoras y otros.
JP Morgan Chase, principal entidad por el volumen de activos, enfrenta
pérdidas por dos mil millones de dólares por un error en operaciones
con derivados financieros. La primera acusada es la directora de
inversiones Ina Drew, también está implicado un banquero de Londres
cuyas apuestas financieras son capaces de distorsionar todo el mercado
crediticio. El director del FBI de Estados Unidos Robert Mueller
confirmó que se inició una pesquisa acerca de la millonaria pérdida
del JP Morgan Chase en inversiones de derivados de alto riesgo.
Al igual que sus colegas petroleras, los bancos rechazan cualquier
tipo de regulación y se niegan a pagar más impuestos. Solo 10 de los
27 países de la Unión Europea apoyan la creación de un impuesto a las
transacciones financieras internacionales, cuyo objetivo es frenar las
operaciones más especulativas y hacer responsable a la banca de los
costos de la crisis.
La Comisión Europea propone cobrar a los bancos un gravamen de 0,1%
del valor de las compraventas de acciones y bonos, y 0,01% de las de
derivados, lo cual generaría ingresos de 55 mil millones de euros al
año, pero algunos países como Holanda y Reino Unido se han opuesto
vehementemente. El primer ministro británico David Cameron profirió
duras críticas a la propuesta impulsada por Alemania y Francia,
alegando que un impuesto a las transacciones financieras podría costar
hasta 200 mil millones de euros en crecimiento económico y hasta 500
mil puestos de trabajo.
Los abusos laborales de Walmart
Walmart de Estados Unidos obtuvo ingresos por 446.950 millones de
dólares en 2011. La transnacional posee sucursales en Japón, China,
Reino Unido, India, Argentina, Canadá, México, Brasil, Costa Rica, El
Salvador, Guatemala, Honduras y Nicaragua, y se enriquece explotando a
sus trabajadores.
En Chile, donde controla el 40% de las ventas al detalle, la
transnacional fue acusada de prácticas antisindicales, cotidianos
abusos tales como la evasión del pago de horas extras y
desconocimiento de derechos laborales básicos como el descanso semanal
y el pago del salario mínimo. En México fue acusada de pagar 24
millones de dólares en sobornos en la última década para ganar el
dominio del mercado nacional, denunció el periódico The New York Times
en abril.
Con información de China Daily, CNN Money, BBC mundo, El Universo,
Notimex, Prensa Latina, El Mundo e Infobae.com
[1] Según un estudio del Citigroup, en 2015 los intercambios
comerciales de China superarán la cifra global del comercio exterior
estadounidense. En 2050 las exportaciones chinas representarán el
18,2% del comercio global; la India ocupará el segundo lugar
controlando el 9% de los intercambios; Estados Unidos caerá al tercer
puesto con el 6,6% del comercio; seguida de Alemania con 3,5% del
comercio mundial. Corea del Sur ocupará el quinto puesto con 3,4%,
seguida por Indonesia, con 3,1%, Hong Kong con 2,3%, Japón con 2,7%,
Singapur con 2,4% y el Reino Unido en el décimo lugar con 2,1% del
comercio.
--
Néstor Gorojovsky
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12 de maio de 2012
O encontro de Getúlio e Roosevel
Há poucas semanas, o Diário do Comércio de São Paulo me encomendou a seguinte resenha:
Deliciosos “causos” sobre o encontro
de Getúlio com o presidente Roosevelt
Renato Pompeu
O consagrado jornalista Roberto Muylaert, que já dirigiu a Bienal de São Paulo e a TV Cultura, encontrou uma fórmula toda especial para escrever seu livro “1943 – Roosevelt e Vargas em Natal”, recém-lançado pela Bússola. Nele narra o encontro em Natal, capital do Rio Grande do Norte, entre os presidentes do Brasil, Getúlio Vargas (na verdade, ditador), e dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, em janeiro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial.
A fórmula foi a seguinte: Muylaert fez uma pesquisa exaustiva sobre tudo que pudesse estar relacionado a esse encontro, tais como os noticiários da imprensa da época, biografias dos dois presidentes, relatos sobre a Segunda Guerra Mundial, fontes brasileiras, americanas e de outros países, memórias pessoais e arquivos governamentais. Mas, ao transmitir essas informações tão trabalhosamente obtidas, checadas e confirmadas, mais do que um livro-reportagem, ele usou de uma técnica bastante peculiar para, ao mesmo tempo, informar exaustivamente o leitor e entretê-lo.
Poderíamos dizer que, nesse livro, Muylaert optou por, ao invés de fazer uma história do encontro, ou sobre ele fazer uma reportagem, apresentar uma série de crônicas sobre o assunto, amenamente escritas e agradavelmente lidas. Mas, na verdade, o que temos em mãos, sobre cada aspecto do importante encontro, é uma sucessão de “causos”, em que prevalece a oralidade, o ritmo das palavras, e acima de tudo uma série de relatos em que uma coisa puxa a outro, e se vai rodeando cada assunto, até que afinal, sem o leitor perceber nenhum esforço maior de compreensão, se assimila o todo das informações prestadas.
E as informações, assim agradavelmente transmitidas, são muitas, precisas, claras e importantes. Em primeiro lugar, a própria logística do encontro. Era algo inaudito: o presidente da nação mais poderosa do mundo, empenhada na maior guerra de todos os tempos, faz uma arriscadíssima viagem aérea de milhares de quilômetros, sujeita na época não só a acidentes como a ataques do inimigo alemão nazista, simplesmente para encontrar-se, secretamente, com o presidente de uma nação então periférica. Ainda mais quando o presidente visitante, Roosevelt, sofre de paralisia infantil e tem de andar, preferencialmente, em cadeira de rodas, ou, penosamente, se apoiar numa bengala, nesse caso por pouquíssimo tempo. De outro lado, o presidente visitado, Vargas, estava com um filho à morte, também por paralisia infantil, mas que afetou os pulmões, além das pernas, num hospital de São Paulo.
Ficamos sabendo que a base aérea americana de Parnamirim, em Natal, ocupada desde meses antes por tropas americanas, segundo um acordo prévio entre os dois presidentes, era na época o aeroporto mais movimentado do mundo. Recebia aviões de guerra dos Estados Unidos e outros países para que se dirigissem ao Norte da África (e, mais tarde, ao Sul da Europa), onde se travavam ferozes batalhas entre os Aliados ocidentais e tanques nazistas. Muylaert desfaz o mito de que a base aérea brasileira operada por militares americanos era uma base de lançamento de ataques por bombardeio aéreo contra as tropas nazistas no Norte da África, e de que, uma vez realizados esses ataques, os grandes aviões retornavam ao Brasil. Na verdade, a base aérea do Rio Grande do Norte era um ponto de passagem, descanso e reabastecimento de aviões que vinham dos EUA e em seguida partiam para a África, onde ficavam e/ou de onde partiam para a Europa, sem retornar ao Brasil.
Mas por que Roosevelt veio ao Brasil, se já tinha ocorrido o acordo para o Brasil ceder a base e esta já estava sendo operada por militares americanos? Muylaert esclarece que o presidente americano veio pedir que o Brasil enviasse tropas para a iminente invasão do Sul da Europa. Em troca, o Brasil receberia ajuda financeira e tecnológica para instaurar a usina siderúrgica de Volta Redonda, a empresa de mineração da Companhia Vale do Rio Doce e a Fábrica Nacional de Motores. Ou seja, o Brasil receberia investimentos imprescindíveis para a plena consolidação de sua industrialização. Para avaliar a importância do acordo entre os dois presidentes no que se refere à economia brasileira, basta pensar no que Volta Redonda e a Vale representam estrategicamente ainda hoje para o País.
No entanto, se isso foi o mais importante para o Brasil, o que resultou do encontro de maior importância para o mundo foi um acordo em torno da futura fundação da Organização das Nações Unidas. E aqui chegamos ao ponto mais alto do livro de Muylaert; o presidente Roosevelt acenou com a possibilidade de o Brasil integrar, desde o início, o Conselho de Segurança da ONU, coisa que o País persegue ainda hoje, setenta anos depois. Mas Roosevelt morreu antes de cumprir a promessa implícita no aceno, e ela foi retirada por seu sucessor, o presidente Harry Truman. A única peninha nesse livro precioso são alguns errinhos de revisão; numa página se diz, por exemplo, que o filho de Getúlio morreu aos 23 anos de idade e, em outra, que ele tinha 25 anos quando passou a sofrer sintomas da doença.
Em tempo: a base de Parnamirim foi o primeiro ponto por onde a Coca-Cola chegou ao Brasil, mais um dos deliciosos e informativos “causos” de Muylaert.
Deliciosos “causos” sobre o encontro
de Getúlio com o presidente Roosevelt
Renato Pompeu
O consagrado jornalista Roberto Muylaert, que já dirigiu a Bienal de São Paulo e a TV Cultura, encontrou uma fórmula toda especial para escrever seu livro “1943 – Roosevelt e Vargas em Natal”, recém-lançado pela Bússola. Nele narra o encontro em Natal, capital do Rio Grande do Norte, entre os presidentes do Brasil, Getúlio Vargas (na verdade, ditador), e dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, em janeiro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial.
A fórmula foi a seguinte: Muylaert fez uma pesquisa exaustiva sobre tudo que pudesse estar relacionado a esse encontro, tais como os noticiários da imprensa da época, biografias dos dois presidentes, relatos sobre a Segunda Guerra Mundial, fontes brasileiras, americanas e de outros países, memórias pessoais e arquivos governamentais. Mas, ao transmitir essas informações tão trabalhosamente obtidas, checadas e confirmadas, mais do que um livro-reportagem, ele usou de uma técnica bastante peculiar para, ao mesmo tempo, informar exaustivamente o leitor e entretê-lo.
Poderíamos dizer que, nesse livro, Muylaert optou por, ao invés de fazer uma história do encontro, ou sobre ele fazer uma reportagem, apresentar uma série de crônicas sobre o assunto, amenamente escritas e agradavelmente lidas. Mas, na verdade, o que temos em mãos, sobre cada aspecto do importante encontro, é uma sucessão de “causos”, em que prevalece a oralidade, o ritmo das palavras, e acima de tudo uma série de relatos em que uma coisa puxa a outro, e se vai rodeando cada assunto, até que afinal, sem o leitor perceber nenhum esforço maior de compreensão, se assimila o todo das informações prestadas.
E as informações, assim agradavelmente transmitidas, são muitas, precisas, claras e importantes. Em primeiro lugar, a própria logística do encontro. Era algo inaudito: o presidente da nação mais poderosa do mundo, empenhada na maior guerra de todos os tempos, faz uma arriscadíssima viagem aérea de milhares de quilômetros, sujeita na época não só a acidentes como a ataques do inimigo alemão nazista, simplesmente para encontrar-se, secretamente, com o presidente de uma nação então periférica. Ainda mais quando o presidente visitante, Roosevelt, sofre de paralisia infantil e tem de andar, preferencialmente, em cadeira de rodas, ou, penosamente, se apoiar numa bengala, nesse caso por pouquíssimo tempo. De outro lado, o presidente visitado, Vargas, estava com um filho à morte, também por paralisia infantil, mas que afetou os pulmões, além das pernas, num hospital de São Paulo.
Ficamos sabendo que a base aérea americana de Parnamirim, em Natal, ocupada desde meses antes por tropas americanas, segundo um acordo prévio entre os dois presidentes, era na época o aeroporto mais movimentado do mundo. Recebia aviões de guerra dos Estados Unidos e outros países para que se dirigissem ao Norte da África (e, mais tarde, ao Sul da Europa), onde se travavam ferozes batalhas entre os Aliados ocidentais e tanques nazistas. Muylaert desfaz o mito de que a base aérea brasileira operada por militares americanos era uma base de lançamento de ataques por bombardeio aéreo contra as tropas nazistas no Norte da África, e de que, uma vez realizados esses ataques, os grandes aviões retornavam ao Brasil. Na verdade, a base aérea do Rio Grande do Norte era um ponto de passagem, descanso e reabastecimento de aviões que vinham dos EUA e em seguida partiam para a África, onde ficavam e/ou de onde partiam para a Europa, sem retornar ao Brasil.
Mas por que Roosevelt veio ao Brasil, se já tinha ocorrido o acordo para o Brasil ceder a base e esta já estava sendo operada por militares americanos? Muylaert esclarece que o presidente americano veio pedir que o Brasil enviasse tropas para a iminente invasão do Sul da Europa. Em troca, o Brasil receberia ajuda financeira e tecnológica para instaurar a usina siderúrgica de Volta Redonda, a empresa de mineração da Companhia Vale do Rio Doce e a Fábrica Nacional de Motores. Ou seja, o Brasil receberia investimentos imprescindíveis para a plena consolidação de sua industrialização. Para avaliar a importância do acordo entre os dois presidentes no que se refere à economia brasileira, basta pensar no que Volta Redonda e a Vale representam estrategicamente ainda hoje para o País.
No entanto, se isso foi o mais importante para o Brasil, o que resultou do encontro de maior importância para o mundo foi um acordo em torno da futura fundação da Organização das Nações Unidas. E aqui chegamos ao ponto mais alto do livro de Muylaert; o presidente Roosevelt acenou com a possibilidade de o Brasil integrar, desde o início, o Conselho de Segurança da ONU, coisa que o País persegue ainda hoje, setenta anos depois. Mas Roosevelt morreu antes de cumprir a promessa implícita no aceno, e ela foi retirada por seu sucessor, o presidente Harry Truman. A única peninha nesse livro precioso são alguns errinhos de revisão; numa página se diz, por exemplo, que o filho de Getúlio morreu aos 23 anos de idade e, em outra, que ele tinha 25 anos quando passou a sofrer sintomas da doença.
Em tempo: a base de Parnamirim foi o primeiro ponto por onde a Coca-Cola chegou ao Brasil, mais um dos deliciosos e informativos “causos” de Muylaert.
30 de abril de 2012
As contradições do segundo governo Vargas
Segue mais um trabalho meu para o curso de História:
Renato Ribeiro Pompeu
RA 1052390
ATIVIDADE DE
HISTÓRIA DO BRASIL III
Centro Universitário Claretiano
Curso de História – 3.o ano
Polo de São Paulo
2012
UNIDADE 05 – A ERA VARGAS E A DITADURA DO ESTADO NOVO (1937-1945) – e UNIDADE 06 – A REPÚBLICA LIBERAL-DEMOCRÁTICA: O GOVERNO DUTRA E A VOLTA DE VARGAS (1946-1954)
Atividade
A cultura política de um determinado contexto:
[...] é construída em meio a um processo objetivo e tenso de circularidade das ideias [...]. Estamos nos referindo, basicamente, às estruturas mentais tanto de uma sociedade e/ou de uma conjuntura histórica determinada, que por sua vez se exprime através da longa [e média] duração. É possível identificar um conjunto de crenças compartilhadas em função da criação e/ou delimitação de ideias e conceitos que se transformam em lugares comuns, [ou seja, ideias comuns] [...] (REMOND, 1996).
Tendo em vista essa construção conceitual, relembramos que, entre o período de 1917 a 1945, relevantes transformações políticas estavam acontecendo, sobretudo no que se refere à crise do modelo liberal, à ascensão dos fascismos e comunismos ao e fim da Segunda Guerra Mundial. Já a partir de 1945, temos um novo contexto, no qual o capitalismo liberal e o comunismo se projetam como principais modelos políticos e ideológicos. Nessa direção, escolha um desses dois contextos, fale sobre as ideias e valores políticos que o configuraram e, com base no CRC, cite, ao menos, três características que podem também ser observadas no contexto brasileiro.
Considerando o período da República Liberal-Democrática no Brasil, entre 1945 e 1954, podemos observar um complexo jogo entre as contradições maiores e menores em curso no mundo e no nosso País na época, que permite tirar conclusões muito interessantes sobre como a realidade não só muda constantemente, mas também é ardilosa e cheia de heterologias que surpreendem os historiadores mais argutos, que tendem a procurar o curso principal dos acontecimentos, em meio à miríade de ocorrências singulares, e assim estão mais afeitos a homologias do que a heterologias.
Três características que podemos observar no mundo todo e no Brasil daquela época são a contradição entre capitalismo e socialismo, a contradição entre o nacionalismo e o expansionismo das grandes potências, e a contradição entre as camadas populares e as elites.
Internacionalmente, a primeira contradição, entre o capitalismo e o socialismo, se deu basicamente por meio da chamada Guerra Fria, entre o bloco de nações capitaneado pelos Estados Unidos e o grupo de países liderados pela União Soviética. A Guerra Fria, assim chamada porque EUA e URSS nunca entraram em confronto militar direto – mesmo porque, sendo ambas as partes dotadas de armas nucleares, um eventual confronto entre elas redundaria praticamente na aniquilação mútua –, se dava por meio de uma fantástica corrida armamentista, e por meio de confrontos militares indiretos, como a guerra da Coreia e a guerra da então Indochina francesa. Quanto à segunda contradição, entre o nacionalismo e o expansionismo das grandes potências, ela se dava, internacionalmente, entre o Terceiro Mundo, de um lado, e os Estados Unidos, de outro, mas também entre a China Popular, de um lado, e a União Soviética, de outro. Nos dois casos as partes mais fracas, o Terceiro Mundo e a China, procuravam afirmar um nacionalismo estatista desenvolvimentista e industrializante e uma política externa independente, enquanto as partes mais fortes queriam conduzir, de acordo com os seus próprios interesses, não só a economia, como também a política externa das partes mais fracas. Já a contradição entre as camadas populares e as elites se dava pela luta por melhores condições sociais arrancadas pelas camadas populares às elites, seja por meio do Estado do Bem-Estar Social nos países capitalistas adiantados; seja por meio das concessões às massas trabalhadoras, como o ensino, saúde, educação, habitação e transportes gratuitos ou pesadamente subsidiados, nos países socialistas; seja por meio do populismo de direita ou de esquerda, no Terceiro Mundo.
Os diversos atores dessas diferentes contradições podiam se coordenar em alianças não só instáveis como surpreendentes. Isso fica bastante claro quando examinamos um país como o Brasil da época. No governo Dutra, se observou uma inesperada aliança entre, de um lado, os partidários dos Estados Unidos na Guerra Fria e na ofensiva sobre o Terceiro Mundo, incrustados no governo brasileiro da época, encarregados de servir aos setores exportadores americanos por meio da eliminação do intervencionismo estatal que protegia a indústria brasileira desde o movimento de 1930, e, de outro lado, as massas consumidoras da época, que tiveram acesso a produtos americanos de melhor qualidade e mais baratos do que os produtos brasileiros, massas inconscientes de que essa euforia só poderia durar pouco.
Outra aliança inesperada foi a que ocorreu, no governo Vargas dos anos 1950, entre os comunistas e os setores pró-Estados Unidos na campanha contra a “corrupção” do governo de Getúlio. Não só “O Globo” foi empastelado pelas massas iradas com o suicídio de Getúlio Vargas, mas também jornais comunistas, que ficaram atacando Vargas até a morte deste. Talvez isso tenha a ver com o fato de que os comunistas brasileiros da época, interessados acima de tudo em defender a União Soviética e em atacar o poderio dos Estados Unidos, buscavam uma aliança com o capitalismo europeu e japonês, sendo que depois, já no governo Kubitschek, apoiado pelos comunistas, capitais alemães, franceses e japoneses colaboraram no desenvolvimento industrial brasileira (entre outras coisas dando origem, a longo prazo, à nova classe operária de que emergiria grande parte do PT).
Finalmente, a burguesia industrial, à qual Vargas garantia financiamentos pelo intervencionismo estatal, infraestrutura e energia por meio de empresas estatais, e mercado interno por meio da melhora das condições de vida das massas urbanas (já que Vargas nunca fez nada pelas massas rurais, então predominantes no Brasil), preferiu, à aliança com o populismo varguista, a aliança com os interesses anti-industrializantes dos meios ligados aos Estados Unidos, seja entre os militares, seja entre a burguesia comercial.
Assim, essas características reforçam a tese de que, na prática, as teorias são outras.
25 de março de 2012
O amadorismo dos agentes brasileiros de segurança nacional - e das empresas privadas internacionais de inteligência
Em matéria da Agência Pública, divulgada pela revista Carta Capital desta semana, fica comprovado que os órgãos brasileiros de segurança nacional e de inteligência são abertamente permeáveis à penetração dos mais bisonhos agentes estrangeiros, como os da empresa privada americana de inteligência Stratfor. Aconselho vivamente a leitura.
10 de março de 2012
O coronelismo em questão
Eis um trabalho meu sobre o coronelismo, no 3.o ano de História
Atividade História do Brasil III
Durante o período de 1894 a 1930, o sistema político brasileiro era caracterizado pelo predomínio político das oligarquias ligadas ao setor agroexportador de café. A relação entre o poder federal e local era articulado de forma a garantir a manutenção dessas oligarquias no poder. Sobre esse contexto, Maria de Lourdes Mônaco Janotti (1986) publicou um trabalho intitulado Coronelismo: uma política de compromisso. Tendo como base o conteúdo trabalhado nessa unidade, bem como o trabalho de Janotti, explique: Por que o coronelismo pode ser entendido como uma política de compromisso? Essa atividade deve conter, no máximo, uma lauda, que será postada no Portfólio.
O coronelismo pode ser considerado uma política de compromisso porque no seu estado “normal”, isto é, quando não ocorriam conflitos entre os setores beneficiados por essa política, ela envolvia uma série de “acordos de cavalheiros”, hierarquizados tanto de baixo para cima como de cima para baixo. Na base estavam os chamados coronéis de menor importância, do qual dependiam, para terem atividades remuneradas, seja em dinheiro, seja em produtos, os trabalhadores rurais de uma pequena região, que viviam em condições de absoluta insegurança e precariedade. Por meio de mecanismos de coerção, executados por capangas seus armados, mecanismos de coerção que por vezes chegavam ao assassínio, e de mecanismos de consenso, como o chamado compadrio, esse pequeno coronel assegurava que os trabalhadores rurais votassem nos candidatos dos coronéis mais importantes, ou os impedia de votar em outros candidatos, ou os impedia de votar pura e simplesmente. Havia assim um compromisso, um acordo, entre os coronéis menos importantes e os mais importantes.
Os coronéis mais importantes, além de controlarem uma rede de coronéis menos importantes, pelos mesmos mecanismos de coerção e de consenso, tinham também, sendo proprietários de mais terras, sob seu controle um número bem maior de trabalhadores. Mas sua função principal era a coordenação com as autoridades estaduais que controlavam os órgãos do Executivo e do Judiciário e também os processos eleitorais tanto para o Executivo como para o Legislativo. Havia toda uma hierarquia para se confirmar, “a bico de pena” o resultado de cada urna e o resultado de todas as urnas, de modo que só recebiam diploma, independente de quantos votos tivessem legitimamente recebido, os aprovados por acordos entre os grandes coronéis e as autoridades estaduais, a começar do governador. Havia assim um compromisso em outro nível, segundo o qual os grandes coronéis “indicavam” quem seriam os vereadores e quem seria apontado como prefeito (as eleições diretas para prefeito só viriam de fato em 1946, com exceção de algumas cidades maiores), o que era respeitado pelas autoridades estaduais. Em troca, segundo o compromisso, os grandes coronéis apoiavam os candidatos a parlamentares estaduais e federais e para presidente de Estado e presidente da República indicados pelas autoridades estaduais. Na cúpula, o presidente da República controlava a “política dos governadores”. Enfim, uma rede de compromissos.
27 de fevereiro de 2012
Brasil e Malvinas: Wikileaks revela relatos secretos da Agência Stratfor
Na lista argentina Reconquista Popular, foi reproduzido o seguinte artigo do jornal Página 12, de Buenos Aires, http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-188440-2012-02-27.html, em castelhano, segundo o qual o Brasil quer a Grã-Bretanha bem longe das Malvinas.
Según informes secretos de la Agencia internacional de inteligencia Stratfor obtenidos por el sitio Wikileaks
Brasil quiere a Gran Bretaña bien lejos de Malvinas
Santiago O’Donnell
Página12
Los correos electrónicos de Stratfor reflejan la pulseada política con Gran Bretaña por Malvinas. Los informes dicen que el tema es agitado sólo como cortina de humo y expresan sorpresa porque “todavía” haya en la Argentina quienes creen que las islas sean de este país.
Más allá de los procesos de integración regional y las alianzas estratégicas, según la agencia de inteligencia global Stratfor, Brasil está dispuesto a apoyar a la Argentina en su reclamo por las islas Malvinas porque no quiere a Gran Bretaña cerca de sus yacimientos de petróleo.
Según e-mails de la agencia obtenidos por Wikileaks, el anuncio de que un grupo de empresas petroleras iniciaría perforaciones en aguas argentinas cercanas a las Malvinas en abril del 2009 disparó el siguiente intercambio entre distintos analistas y espías de Stratfor:
Allison Fedirka (desde Argentina): –Por ahora parece que YPF-Repsol, Petrobras y Pan American Energy participarán en la exploración. No estoy seguro cómo afectará las cosas la asociación entre PAE y British Petroleumm (o si no las afecta). No estoy segura por qué creo que Uruguay está involucrado. (¿Será una expresión de deseos?)
Reva Bhalla: –Es muy extraño que Petrobras esté involucrado (también es interesante que España apoya a Argentina). Paulo, ¿podés juntar análisis/información de lo que está pasando acá? La participación de Petrobras en este proyecto es una muestra de apoyo bastante fuerte en una disputa donde Argentina parece perdida. ¿Por qué hace esto Petrobras/Brasil?
Paulo Freire (desde Brasil): –Sí, trataré de conseguir análisis/información. Brasil ha mencionado varias veces que el Atlántico Sur es el Amazonas azul y que ningún país del norte debería estar ocupándolo. Desde que Lula llegó al poder, Brasil ha dado señales de apoyo para Argentina en el tema Malvinas. No quieren al Reino Unido cerca de sus reservas de crudo.
Bhalla: –Interesante. ¿Así que Brasil se está posicionando como el protector de Argentina? Supongo que lo pueden hacer si perciben que Argentina está débil.
Freire: –Ellos creen que Argentina no es una amenaza. Le tienen más miedo al Reino Unido porque lo asocian con la OTAN. El último plan nacional de Defensa de Brasil dice que el Atlántico Sur debería ser una de las prioridades de Brasil en el área de seguridad.
Bhalla: –Eeehhh... Flojito. Espero con interés el análisis/información que Allison y Paulo puedan juntar sobre el tema. (Al parecer no juntaron mucho más, porque el tema no vuelve a aparecer en los mails.)
Los correos electrónicos de Stratfor, más de 10.000 referidos a la Argentina, reflejan que la pulseada política con Gran Bretaña por Malvinas es uno de los temas referidos a este país que más atención concitan entre los clientes de la agencia. En particular, el grado de apoyo que Brasil estaría dispuesto a darle a la Argentina. El tema fue abordado nuevamente en un contacto que Paulo Freire, corresponsal brasileño de la agencia, mantuvo el 7 de septiembre pasado con una fuente de inteligencia militar brasileña que no identifica:
Freire: “Hasta hice un chiste diciendo que un posible conflicto armado entre Argentina y Reino Unido sobre las Malvinas no sería un tema en el que se involucraría Brasil y (la fuente) dijo que no. Dijo que Brasil daría alguna clase de apoyo retórico y algún apoyo logístico, también, pero la verdad que no”.
Otro tema de interés para los clientes de Stratfor es el nivel de militarización que existe en las islas. La agencia no tuvo problemas para describir los activos que conforman el despliegue militar británico en la zona de conflicto. Pero a pesar de una orden del jefe de inteligencia militar de Stratfor para que se informe sobre lo mismo pero desde el lado argentino, en los mails de la agencia no figura respuesta alguna a ese pedido. La falta de respuesta podría obedecer a que Allison y compañía no encontraron información pertinente, porque desde la guerra, Argentina no ha realizado maniobras militares ni desplegado tropas y armamento en el Atlántico Sur, limitándose a dirimir el pleito en foros internacionales por la vía diplomática.
A continuación, el memorándum que escribió Nathan Hughes, director de Análisis Militar de Stratfor, el 22 de febrero del año pasado, que además de preguntar acerca de las tropas argentinas alerta sobre posibles sabotajes argentinos que nunca ocurrieron en contra de las perforadoras de las petroleras británicas operando en Malvinas:
“Queremos vigilar el pozo Oceanside y cualquier intento argentino por interferir o intimidar operaciones. Cualquier actividad naval o aérea en la vecindad de las Malvinas en este momento por lo menos debe ser observada, cuando no informada. Cualquier refuerzo de Reino Unido siendo desplegado o llegando a Malvinas debería ser observado e informado a menos que se trate de una rotación normal.” (Un destructor o un flota de aviones reemplazando a otros, por ejemplo.)
Se trata de informar sobre hechos concretos y despliegues físicos. No habrá escasez de retórica saliendo de Buenos Aires sobre este tema. Pero es un conocimiento profundo sobre lo que realmente está pasando, lo que nos ayudará a ir más allá de la retórica.
“Activos del Reino Unido en estación Malvinas:
- Destructor con misiles guiados HMS York (D98).
- Navío de patrullaje offshore HMS Clyde (P-284).
- Carguero Auxiliar de la Flota Real Wave Ruler (A-390).
- Cuatro cazas Typhoon de superioridad aérea.
Probablemente no lo verán, pero manténganse alerta por cualquier indicio de la presencia de un submarino británico en la estación (Malvinas).”
Si bien el memorándum de Hughes no habría sido respondido por la corresponsal en la Argentina, el “analista táctico” de Stratfor Alex Posey sí lo hizo, confirmando la presencia de submarinos británicos en la zona desde el fin de la guerra:
“Entiendo que mantienen una rotación de submarinos en la región desde 1982.”
Otra de las consultas que recibió la corresponsal argentina de Stratfor se refería a la decisión del gobierno de Cristina Kirchner en febrero del 2010 de exigir permisos de viaje para barcos que entren en aguas argentinas rumbo a las Malvinas. La corresponsal concluyó que se trató de una movida de política interna para distraer a las masas. Sin embargo, la parcialidad de su análisis aparece reflejada en la sorpresa que le da que en la Argentina “todavía” existe gente que defiende la causa Malvinas. A continuación, su análisis del 17 de febrero de 2010, dirigido al supervisor Reva Bhalla:
“Mi opinión en este tema coincide con tu pensamiento –una distracción para escaparles a temas internos. A lo largo del año escucharás al gobierno argentino sacar el tema de la Malvinas–: para ellos el tema nunca se resolvió en 1982. Lo escucharás en las noticias a partir de principios de abril (Día de las Malvinas) y cada vez que haya una visita oficial importante en Reino Unido/Argentina. Por ejemplo, cuando CK fue al Reino Unido por el G-20 prometió sacar el tema. Debo decir que es un tema que les duele a los argentinos. Muchos de ellos todavía creen que las islas deberían ser de ellos por derecho (tal como aparecen en los mapas argentinos junto a la Antártida).”
No era la primera vez que un corresponsal de Stratfor en la Argentina concluía que un gobierno kirchnerista usaba el tema de las islas como maniobra distractiva. El 28 de marzo de 2003, Kornfield, el entonces agente de Stratfor en el país, usó el mismo argumento para explicar la decisión de Néstor Kirchner de dar por finalizada la exploración conjunta con el Reino Unido de las reservas petroleras de las islas. Curiosamente, si bien el agente Kornfield reconocía que el gobierno argentino atravesaba por uno de sus mejores momentos, concluyó que la maniobra de distracción servía para desviar el foco de supuestos problemas no especificados que se venían gestando “debajo de la superficie”. A continuación, los párrafos más salientes de su informe:
“En el 25º aniversario de la Guerra de las Malvinas, Argentina ha cortado su cooperación con Gran Bretaña en la exploración de petróleo en el área y está subiendo su retórica reclamando la completa soberanía sobre las islas y sus recursos. Es probable que el presidente Kirchner pretenda que esto sirva como una descarga para las tensiones internas que podrían amargar sus perspectivas para las próximas elecciones presidenciales en octubre.
(...)
Argentina tendrá elecciones presidenciales en octubre y el presidente Néstor Kirchner es amplio favorito si elige presentarse; si no, se espera que triunfe su esposa, Cristina, actualmente senadora. Los Kirchner han disfrutado de una enorme popularidad en los últimos tres años, manejando un crecimiento económico sostenido del ocho por ciento, sacado al país de su terrible colapso del 2001. Pero debajo de la superficie, el descontento se está gestando.” (Fin del comentario.)
Otro tema referido a las Malvinas que interesó a Stratfor tiene que ver con la fabricación del cohete argentino de mediano alcance Gradicom PXC 2009. Los sabuesos querían saber si el Gradicom tendría capacidad suficiente como para transportar un misil y alcance suficiente como para llegar a las Malvinas. Los informes decían que el misil había viajado cien kilómetros y que podría tener un alcance de hasta 300 kilómetros. Al observar en el mapa que las Malvinas estaban a 482 kilómetros del territorio continental argentino, los expertos de Stratfor concluyeron que no sería posible si no se introducían mejoras en el cohete/misil. Sin embargo, la corresponsal Allison concluyó que no había que preocuparse mucho porque los argentinos suelen anunciar grandes proyectos que al final se demoran mucho más de lo previsto.
Reva Bhalla: “En diciembre del 2009 Argentina probó el Gradicom PXC, que usó tecnología de combustible sólido para lanzar poco más de cien kilómetros. El objetivo es mejorar el Cóndor II, que supuestamente tendría un alcance de mil millas y una carga de 500 kilos. El objetivo de mediano alcance es que los misiles puedan transportar 500 kilos hasta 300 kilómetros, con lo cual podrían llegar a las Malvinas. Nate, ¿qué pensás?”.
(Nate no contesta, contesta Allison.)
Allison Fedirka: “Las Malvinas están a unas 300 millas (482 kilómetros) de la Argentina. No soy una gran experta en misiles, como para comentar acerca de la capacidad del arma. ¿Cuánto tiempo, tecnología y dinero requiere este tipo de mejora? Sé que llevan un año desarrollando el misil. Argentina suele hacer grandes anuncios, pero muchas veces no tiene suficiente dinero ni organización como para terminar el trabajo (por ejemplo la deuda del Club de París. Anunciaron que pagarían en el 2008...)”.
A pesar del escepticismo de la agente local de Stratfor, el sitio aviacionargentina.net tiene fotos de un modelo del Orbit, sucesor del Gradicom II, diseñado para triplicar su distancia de vuelo para alcanzar los 300 kilómetros, y anuncia que estaría listo para ser lanzado “a principios del 2012”. Habrá que estar atentos.
Fuente: http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-188440-2012-02-27.html
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Brasil quiere a Gran Bretaña bien lejos de Malvinas
Santiago O’Donnell
Página12
Los correos electrónicos de Stratfor reflejan la pulseada política con Gran Bretaña por Malvinas. Los informes dicen que el tema es agitado sólo como cortina de humo y expresan sorpresa porque “todavía” haya en la Argentina quienes creen que las islas sean de este país.
Más allá de los procesos de integración regional y las alianzas estratégicas, según la agencia de inteligencia global Stratfor, Brasil está dispuesto a apoyar a la Argentina en su reclamo por las islas Malvinas porque no quiere a Gran Bretaña cerca de sus yacimientos de petróleo.
Según e-mails de la agencia obtenidos por Wikileaks, el anuncio de que un grupo de empresas petroleras iniciaría perforaciones en aguas argentinas cercanas a las Malvinas en abril del 2009 disparó el siguiente intercambio entre distintos analistas y espías de Stratfor:
Allison Fedirka (desde Argentina): –Por ahora parece que YPF-Repsol, Petrobras y Pan American Energy participarán en la exploración. No estoy seguro cómo afectará las cosas la asociación entre PAE y British Petroleumm (o si no las afecta). No estoy segura por qué creo que Uruguay está involucrado. (¿Será una expresión de deseos?)
Reva Bhalla: –Es muy extraño que Petrobras esté involucrado (también es interesante que España apoya a Argentina). Paulo, ¿podés juntar análisis/información de lo que está pasando acá? La participación de Petrobras en este proyecto es una muestra de apoyo bastante fuerte en una disputa donde Argentina parece perdida. ¿Por qué hace esto Petrobras/Brasil?
Paulo Freire (desde Brasil): –Sí, trataré de conseguir análisis/información. Brasil ha mencionado varias veces que el Atlántico Sur es el Amazonas azul y que ningún país del norte debería estar ocupándolo. Desde que Lula llegó al poder, Brasil ha dado señales de apoyo para Argentina en el tema Malvinas. No quieren al Reino Unido cerca de sus reservas de crudo.
Bhalla: –Interesante. ¿Así que Brasil se está posicionando como el protector de Argentina? Supongo que lo pueden hacer si perciben que Argentina está débil.
Freire: –Ellos creen que Argentina no es una amenaza. Le tienen más miedo al Reino Unido porque lo asocian con la OTAN. El último plan nacional de Defensa de Brasil dice que el Atlántico Sur debería ser una de las prioridades de Brasil en el área de seguridad.
Bhalla: –Eeehhh... Flojito. Espero con interés el análisis/información que Allison y Paulo puedan juntar sobre el tema. (Al parecer no juntaron mucho más, porque el tema no vuelve a aparecer en los mails.)
Los correos electrónicos de Stratfor, más de 10.000 referidos a la Argentina, reflejan que la pulseada política con Gran Bretaña por Malvinas es uno de los temas referidos a este país que más atención concitan entre los clientes de la agencia. En particular, el grado de apoyo que Brasil estaría dispuesto a darle a la Argentina. El tema fue abordado nuevamente en un contacto que Paulo Freire, corresponsal brasileño de la agencia, mantuvo el 7 de septiembre pasado con una fuente de inteligencia militar brasileña que no identifica:
Freire: “Hasta hice un chiste diciendo que un posible conflicto armado entre Argentina y Reino Unido sobre las Malvinas no sería un tema en el que se involucraría Brasil y (la fuente) dijo que no. Dijo que Brasil daría alguna clase de apoyo retórico y algún apoyo logístico, también, pero la verdad que no”.
Otro tema de interés para los clientes de Stratfor es el nivel de militarización que existe en las islas. La agencia no tuvo problemas para describir los activos que conforman el despliegue militar británico en la zona de conflicto. Pero a pesar de una orden del jefe de inteligencia militar de Stratfor para que se informe sobre lo mismo pero desde el lado argentino, en los mails de la agencia no figura respuesta alguna a ese pedido. La falta de respuesta podría obedecer a que Allison y compañía no encontraron información pertinente, porque desde la guerra, Argentina no ha realizado maniobras militares ni desplegado tropas y armamento en el Atlántico Sur, limitándose a dirimir el pleito en foros internacionales por la vía diplomática.
A continuación, el memorándum que escribió Nathan Hughes, director de Análisis Militar de Stratfor, el 22 de febrero del año pasado, que además de preguntar acerca de las tropas argentinas alerta sobre posibles sabotajes argentinos que nunca ocurrieron en contra de las perforadoras de las petroleras británicas operando en Malvinas:
“Queremos vigilar el pozo Oceanside y cualquier intento argentino por interferir o intimidar operaciones. Cualquier actividad naval o aérea en la vecindad de las Malvinas en este momento por lo menos debe ser observada, cuando no informada. Cualquier refuerzo de Reino Unido siendo desplegado o llegando a Malvinas debería ser observado e informado a menos que se trate de una rotación normal.” (Un destructor o un flota de aviones reemplazando a otros, por ejemplo.)
Se trata de informar sobre hechos concretos y despliegues físicos. No habrá escasez de retórica saliendo de Buenos Aires sobre este tema. Pero es un conocimiento profundo sobre lo que realmente está pasando, lo que nos ayudará a ir más allá de la retórica.
“Activos del Reino Unido en estación Malvinas:
- Destructor con misiles guiados HMS York (D98).
- Navío de patrullaje offshore HMS Clyde (P-284).
- Carguero Auxiliar de la Flota Real Wave Ruler (A-390).
- Cuatro cazas Typhoon de superioridad aérea.
Probablemente no lo verán, pero manténganse alerta por cualquier indicio de la presencia de un submarino británico en la estación (Malvinas).”
Si bien el memorándum de Hughes no habría sido respondido por la corresponsal en la Argentina, el “analista táctico” de Stratfor Alex Posey sí lo hizo, confirmando la presencia de submarinos británicos en la zona desde el fin de la guerra:
“Entiendo que mantienen una rotación de submarinos en la región desde 1982.”
Otra de las consultas que recibió la corresponsal argentina de Stratfor se refería a la decisión del gobierno de Cristina Kirchner en febrero del 2010 de exigir permisos de viaje para barcos que entren en aguas argentinas rumbo a las Malvinas. La corresponsal concluyó que se trató de una movida de política interna para distraer a las masas. Sin embargo, la parcialidad de su análisis aparece reflejada en la sorpresa que le da que en la Argentina “todavía” existe gente que defiende la causa Malvinas. A continuación, su análisis del 17 de febrero de 2010, dirigido al supervisor Reva Bhalla:
“Mi opinión en este tema coincide con tu pensamiento –una distracción para escaparles a temas internos. A lo largo del año escucharás al gobierno argentino sacar el tema de la Malvinas–: para ellos el tema nunca se resolvió en 1982. Lo escucharás en las noticias a partir de principios de abril (Día de las Malvinas) y cada vez que haya una visita oficial importante en Reino Unido/Argentina. Por ejemplo, cuando CK fue al Reino Unido por el G-20 prometió sacar el tema. Debo decir que es un tema que les duele a los argentinos. Muchos de ellos todavía creen que las islas deberían ser de ellos por derecho (tal como aparecen en los mapas argentinos junto a la Antártida).”
No era la primera vez que un corresponsal de Stratfor en la Argentina concluía que un gobierno kirchnerista usaba el tema de las islas como maniobra distractiva. El 28 de marzo de 2003, Kornfield, el entonces agente de Stratfor en el país, usó el mismo argumento para explicar la decisión de Néstor Kirchner de dar por finalizada la exploración conjunta con el Reino Unido de las reservas petroleras de las islas. Curiosamente, si bien el agente Kornfield reconocía que el gobierno argentino atravesaba por uno de sus mejores momentos, concluyó que la maniobra de distracción servía para desviar el foco de supuestos problemas no especificados que se venían gestando “debajo de la superficie”. A continuación, los párrafos más salientes de su informe:
“En el 25º aniversario de la Guerra de las Malvinas, Argentina ha cortado su cooperación con Gran Bretaña en la exploración de petróleo en el área y está subiendo su retórica reclamando la completa soberanía sobre las islas y sus recursos. Es probable que el presidente Kirchner pretenda que esto sirva como una descarga para las tensiones internas que podrían amargar sus perspectivas para las próximas elecciones presidenciales en octubre.
(...)
Argentina tendrá elecciones presidenciales en octubre y el presidente Néstor Kirchner es amplio favorito si elige presentarse; si no, se espera que triunfe su esposa, Cristina, actualmente senadora. Los Kirchner han disfrutado de una enorme popularidad en los últimos tres años, manejando un crecimiento económico sostenido del ocho por ciento, sacado al país de su terrible colapso del 2001. Pero debajo de la superficie, el descontento se está gestando.” (Fin del comentario.)
Otro tema referido a las Malvinas que interesó a Stratfor tiene que ver con la fabricación del cohete argentino de mediano alcance Gradicom PXC 2009. Los sabuesos querían saber si el Gradicom tendría capacidad suficiente como para transportar un misil y alcance suficiente como para llegar a las Malvinas. Los informes decían que el misil había viajado cien kilómetros y que podría tener un alcance de hasta 300 kilómetros. Al observar en el mapa que las Malvinas estaban a 482 kilómetros del territorio continental argentino, los expertos de Stratfor concluyeron que no sería posible si no se introducían mejoras en el cohete/misil. Sin embargo, la corresponsal Allison concluyó que no había que preocuparse mucho porque los argentinos suelen anunciar grandes proyectos que al final se demoran mucho más de lo previsto.
Reva Bhalla: “En diciembre del 2009 Argentina probó el Gradicom PXC, que usó tecnología de combustible sólido para lanzar poco más de cien kilómetros. El objetivo es mejorar el Cóndor II, que supuestamente tendría un alcance de mil millas y una carga de 500 kilos. El objetivo de mediano alcance es que los misiles puedan transportar 500 kilos hasta 300 kilómetros, con lo cual podrían llegar a las Malvinas. Nate, ¿qué pensás?”.
(Nate no contesta, contesta Allison.)
Allison Fedirka: “Las Malvinas están a unas 300 millas (482 kilómetros) de la Argentina. No soy una gran experta en misiles, como para comentar acerca de la capacidad del arma. ¿Cuánto tiempo, tecnología y dinero requiere este tipo de mejora? Sé que llevan un año desarrollando el misil. Argentina suele hacer grandes anuncios, pero muchas veces no tiene suficiente dinero ni organización como para terminar el trabajo (por ejemplo la deuda del Club de París. Anunciaron que pagarían en el 2008...)”.
A pesar del escepticismo de la agente local de Stratfor, el sitio aviacionargentina.net tiene fotos de un modelo del Orbit, sucesor del Gradicom II, diseñado para triplicar su distancia de vuelo para alcanzar los 300 kilómetros, y anuncia que estaría listo para ser lanzado “a principios del 2012”. Habrá que estar atentos.
Fuente: http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-188440-2012-02-27.html
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