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18 de janeiro de 2014
Desastre ambiental nos EUA
A imprensa brasileira tem dado pouca atenção a um grave desastre ambiental ocorrido no Estado americano da Virgínia Ocidental, quando vazaram milhares de litros de metanol, usado para extrair carvão, no rio Elk, deixando 300 mil pessoas sem água potável. A notícia mais recente, divulgada pelo jornal The Huffington Post, é de que a empresa responsável pelo vazamento. a Freedom Industries, entrou na Justiça com pedido de falência. Ver, em inglês, http://www.huffingtonpost.com/2014/01/17/freedom-industries-bankruptcy-west-virginia-chemical-spill_n_4619385.html.
6 de junho de 2013
Consumismo derrota ambientalismo mesmo entre ambientalistas
Trabalho meu de História:
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Renato Ribeiro Pompeu
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R.A. 1052390
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ANTROPOLOGIA,
EDUCAÇÃO E ÉTICA
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Centro Educacional Claretiano
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Curso de História – 2.o ano
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Polo de São Paulo
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Curso de Extensão
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2011
Diante da crise colossal do capitalismo contemporâneo, combatê-la e superá-la por meio de uma educação mais avançada e de uma ética mais comprometida parece necessário, mas é totalmente insuficiente. As pessoas podem ser educadas, nas escolas e nas famílias, para se interessarem mais em ser alguém do que em ter muitas coisas; podem ser desenvolvidos e divulgados princípios éticos que impliquem a defesa do meio-ambiente. No entanto, mesmo as pessoas mais educadas e mais defensoras de princípios éticos de proteção do meio-ambiente, como Mikhail Gorbatchiov, Leonardo Boff e Mercedes Sosa, signatários da Carta da Terra, o mais importante documento ambiental jamais produzido, não fazem tudo que podem para defender a ecologia. Gorbatchiov construiu para si próprio uma mansão no bairro mais chique de Moscou, onde dispõe de uma enorme parafernália de aparelhos eletroeletrônicos, e dispõe de vários carros, consumindo energia poluidora muito mais do que a média da esmagadora maioria da população mundial. E, se todos fossem produzir livros como Boff e discos como Mercedes, não haveria mais nem florestas, nem ares sem poluição em todo o planeta.
O problema é o seguinte: todos se arrogam direitos que não reconhecem aos outros. Gorbatchiov defende que a humanidade seria extinta se todos poluíssem o planeta na medida do que o fazem os habitantes dos Estados Unidos; no entanto, com sua vida de luxo, polui muito mais do que a média da população americana. Igualmente, Boff critica os que defendem o direito de desmatar, mas ele próprio não se cansa de publicar livros impressos que implicam a derrubada de árvores, quando poderia difundi-los, por exemplo, só na Internet. Se fosse movida exclusivamente por fins artísticos, Mercedes Sosa não teria gravado discos – a indústria fonográfica é altamente poluidora – e sim os teria disponibilizado para todos por meio da Web.
Muitos possuem boa educação ambiental e professam parâmetros éticos contra o consumismo poluidor, mas poucos se dispõem a efetivamente renunciar às suas comodidades em favor do meio ambiente.
Além disso, os pensadores antigos, como Aristóteles, que defendia a escravidão, ou medievais, como Santo Tomás de Aquino, que achava justa a servidão da gleba, ou mesmo modernos como Kant, que não só defendia o capitalismo, como quis proibir os presos de uma cadeia de Königsberg (hoje Kaliningrado) de cantarem em suas celas, pouco nos podem servir de guias para combater e superar a atual crise estrutural do capitalismo em escala planetária. Mesmo Karl Marx nos é de pouca utilidade, porque a esmagadora maioria das pessoas, conforme a história demonstrou, prefere o consumismo capitalista, mesmo quando defendem o meio-ambiente, do que a vida mais frugal e menos livre, individualmente, do socialismo, tal como realmente se concretizou.
Mesmo Cuba, onde o governo se jactava de ter protegido toda a Ilha como um vasto santuário ecológico, sendo suas medidas ambientais muito elogiadas por ecologistas em geral, está partindo agora para uma economia mais livre e mais poluidora. E gerações de cubanos foram educados segundo uma ética rigidamente defensora dos princípios ambientais mais avançados, porém toda essa educação e toda essa ética ameaçam desabar diante da abertura para o consumismo. Assim a educação e a ética, embora necessárias, são totalmente insuficientes se as pessoas não renunciarem às suas liberdades de consumir o que bem entendem.
2 de junho de 2013
Álbuns sobre Portinari e sobre recursos renováveis
Resenha encomendada pelo Diário do Comércio de São Paulo:
Álbuns sobre os caminhos de Portinari e
sobre energias renováveis, as atrações
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Renato Pompeu
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Dois belíssimos álbuns de luxo, com encantadoras ilustrações e textos bem informativos, ambos de grande formato, em agradável, aos olhos e ao tato, papel couchê, se destacam entre os lançamentos recentes. Um é “Caminhos de Portinari”, com fotos de Alan Nielsen, textos de Diógenes Moura e poemas do próprio Cândido Portinari (1903-1962), um dos mais importantes pintores brasileiros, edição em português e inglês patrocinada pela OHL Brasil e publicada pela Terra Virgem Editora. O outro, também em edição em português e inglês, se intitula “Energias renováveis no Brasil – desafios e oportunidades”, de autoria do engenheiro-elétrico e economista Emílio Lèbre La Rovere, físico Luiz Pinguelli Rosa, economista Ladislaw Dowbor, ecossocioeconomista Ignacy Sachs, todos nomes de projeção no cenário universitário internacional, publicado pelo Núcleo de Estudos do Futuro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC-SP, grupo dirigido por Dowbor.
A intenção do fotógrafo Nielsen foi retratar as paisagens, tal como são hoje, da região de Brodowski, perto de Ribeirão Preto-SP, onde Portinari nasceu, filho de colonos italianos bem pobres, lavradores do café, que só se destacavam pelo sobrenome ilustre, o mesmo da florentina medieval Beatriz, inspiradora do poeta Dante Alighieri, e que era filha do banqueiro Folco di Portinari. A família era tão pobre que Portinari não chegou a completar o curso primário. Mas, aos 14 anos, foi recrutado, como ajudante, por um grupo itinerante de pintores e escultores italianos que trabalhava na restauração de igrejas. Revelou tanto talento que saiu de Brodowski com o grupo e, um ano depois, já era aluno, no Rio de Janeiro, da Escola Nacional de Belas-Artes, início de uma carreira vitoriosa nacional e internacionalmente que o levaria a pintar painéis que ornam a sede da Organização das Nações Unidas-ONU, em Nova York, e a Biblioteca do Congresso americano, em Washington.
Pelo que se vê nas fotos de Nielsen, Brodowski agora é área de canaviais – e não de cafezais, como Portinari as conheceu na infância. Também casas que poderiam ser novas na época em que Portinari vagava por ali hoje estão envelhecidas e, até mesmo, deterioradas. Mas de todo modo as fotos retratam os ambientes ao mesmo tempo agrestes, exuberantes e vagamente melancólicos reproduzidos também nos poemas de Portinari que acompanham as imagens.
Já o álbum sobre energias renováveis reúne fotos que documentam com rigor técnico e sensibilizam com altas qualidades estéticas o mundo ao mesmo tempo sombrio e promissor que emana, nas suas sombras, do consumo de combustíveis fósseis, e, nas suas promessas, das tentativas de uso das energias renováveis. Neste sentido, as fotos, reunidas a partir de diferentes arquivos, jornalísticos, públicos e empresariais, documentam de maneira eloquente as advertências de Dowbor em sua introdução, segundo as quais somos atualmente 7 bilhões de seres humanos no planeta, quando há apenas cem anos, havia 1,5 bilhão de pessoas no mundo. Cada um desses 7 bilhões lança ao lixo, por dia, um quilo de coisas no lixo. A níveis de consumo que no passado pareciam viáveis, por atingirem pequeno número de privilegiados, hoje aspiram praticamente todos os habitantes do planeta, e grande parte os estão alcançando, de modo que a pressão sobre os recursos naturais, entre eles as fontes de energia, cresce de maneira exponencial e alarmante. Mesmo porque, a cada ano, a população mundial cresce em 80 milhões de habitantes.
Dowbor conclui: “A energia, como a água, é o sangue da nossa vida: intervém em todos os setores. Estamos chegando ao fim de uma era, do simples extrativismo, da energia fácil – a lenha, o petróleo, o carvão –, e entrando na era das formas sustentáveis e inteligentes de produzir, administrar e consumir energia. Felizmente, temos hoje as tecnologias e os recursos para empreender a construção de um novo paradigma energético”. Será?
29 de abril de 2013
China: "sumiram" 28 mil rios em 20 anos
Segundo artigo de Angel Hsu e William Miao na revista americana The Atlantic, em http://www.theatlantic.com/china/archive/2013/04/28-000-rivers-disappeared-in-china-what-happened/275365/,em inglês, as autoridades chinesas reconheceram que, dos 50 mil rios existentes nos mapas do país há 20 anos, cerca de 28 mil não foram encontrados nos últimos levantamentos hidrográficos. Ainda de acordo com esses jornalistas, as autoridades atribuem o "desaparecimento" dos rios em parte a erros nos mapas de duas décadas atrás, em parte a "mudanças climáticas". O problema, dizem Hsu e Miao, é que nenhuma autoridade reconhece que pelo menos parte das "mudanças climáticas" se devem a práticas errôneas de gestão dos recursos naturais.
17 de maio de 2012
Ambientalismo: a contribuição de Marx
Em http://monthlyreview.org/2012/05/01/marxs-ecology-and-the-understanding-of-land-cover-change,em inglês o pesquisador Ricardo Dobrovolski defende a tese de que o terceiro volume de O Capital de Marx tem a estatura de um tratado ecológico, com uma teoria ambientalista altamente relevante até hoje. A noção básica de Marx seria a de que os seres humanos constituem uma espécie social em metabolismo com a natureza, em combinação com seu conceito de "fenda metabólica".Trata-se do seguinte: o capitalismo, ao desenvolver-se, faz crescer enormemente a população urbana em relação à população rural. Com isso os nutrientes tendem a acumular-se exponencialmente nas áreas urbanas, desprovendo de nutrientes a maior parte da superfície do planeta. Ver o artigo para conferir com maior precisão
3 de maio de 2012
Alemanha: nazistas promovem ambientalismo
Segundo nota do jornal alemão Suddeutsche Zeitung, em http://www.presseurop.eu/en/content/article/1908331-far-right-green-packaging, em inglês, neonazistas ligados ao partido NPD, na Baixa Baviera, têm instalado uma rede de sítios orgânicos e defendido outras teses ecológicas. O jornal lembra que o regime nazista tinha leis de proteção aos animais e à natureza.
30 de março de 2012
Quem se dispõe de verdade a defender o meio ambiente?
Eis um trabalho meu para o curso de História:
Renato Ribeiro Pompeu
R.A. 1052390
ANTROPOLOGIA,
EDUCAÇÃO E ÉTICA
Centro Educacional Claretiano
Curso de História – 2.o ano
Polo de São Paulo
Curso de Extensão
2011
Diante da crise colossal do capitalismo contemporâneo, combatê-la e superá-la por meio de uma educação mais avançada e de uma ética mais comprometida parece necessário, mas é totalmente insuficiente. As pessoas podem ser educadas, nas escolas e nas famílias, para se interessarem mais em ser alguém do que em ter muitas coisas; podem ser desenvolvidos e divulgados princípios éticos que impliquem a defesa do meio-ambiente. No entanto, mesmo as pessoas mais educadas e mais defensoras de princípios éticos de proteção do meio-ambiente, como Mikhail Gorbatchiov, Leonardo Boff e Mercedes Sosa, signatários da Carta da Terra, o mais importante documento ambiental jamais produzido, não fazem tudo que podem para defender a ecologia. Gorbatchiov construiu para si próprio uma mansão no bairro mais chique de Moscou, onde dispõe de uma enorme parafernália de aparelhos eletroeletrônicos, e dispõe de vários carros, consumindo energia poluidora muito mais do que a média da esmagadora maioria da população mundial. E, se todos fossem produzir livros como Boff e discos como Mercedes, não haveria mais nem florestas, nem ares sem poluição em todo o planeta.
O problema é o seguinte: todos se arrogam direitos que não reconhecem aos outros. Gorbatchiov defende que a humanidade seria extinta se todos poluíssem o planeta na medida do que o fazem os habitantes dos Estados Unidos; no entanto, com sua vida de luxo, polui muito mais do que a média da população americana. Igualmente, Boff critica os que defendem o direito de desmatar, mas ele próprio não se cansa de publicar livros impressos que implicam a derrubada de árvores, quando poderia difundi-los, por exemplo, só na Internet. Se fosse movida exclusivamente por fins artísticos, Mercedes Sosa não teria gravado discos – a indústria fonográfica é altamente poluidora – e sim os teria disponibilizado para todos por meio da Web.
Muitos possuem boa educação ambiental e professam parâmetros éticos contra o consumismo poluidor, mas poucos se dispõem a efetivamente renunciar às suas comodidades em favor do meio ambiente.
Além disso, os pensadores antigos, como Aristóteles, que defendia a escravidão, ou medievais, como Santo Tomás de Aquino, que achava justa a servidão da gleba, ou mesmo modernos como Kant, que não só defendia o capitalismo, como quis proibir os presos de uma cadeia de Königsberg (hoje Kaliningrado) de cantarem em suas celas, pouco nos podem servir de guias para combater e superar a atual crise estrutural do capitalismo em escala planetária. Mesmo Karl Marx nos é de pouca utilidade, porque a esmagadora maioria das pessoas, conforme a história demonstrou, prefere o consumismo capitalista, mesmo quando defendem o meio-ambiente, do que a vida mais frugal e menos livre, individualmente, do socialismo, tal como realmente se concretizou.
Mesmo Cuba, onde o governo se jactava de ter protegido toda a Ilha como um vasto santuário ecológico, sendo suas medidas ambientais muito elogiadas por ecologistas em geral, está partindo agora para uma economia mais livre e mais poluidora. E gerações de cubanos foram educados segundo uma ética rigidamente defensora dos princípios ambientais mais avançados, porém toda essa educação e toda essa ética ameaçam desabar diante da abertura para o consumismo. Assim a educação e a ética, embora necessárias, são totalmente insuficientes se as pessoas não renunciarem às suas liberdades de consumir o que bem entendem.
17 de março de 2012
Proteção do ambiente: quem quer renunciar ao que consome?
Eis um trabalho meu do curso de História:
Renato Ribeiro Pompeu
R.A. 1052390
ANTROPOLOGIA,
EDUCAÇÃO E ÉTICA
Centro Educacional Claretiano
Curso de História – 2.o ano
Polo de São Paulo
Curso de Extensão
2011
Diante da crise colossal do capitalismo contemporâneo, combatê-la e superá-la por meio de uma educação mais avançada e de uma ética mais comprometida parece necessário, mas é totalmente insuficiente. As pessoas podem ser educadas, nas escolas e nas famílias, para se interessarem mais em ser alguém do que em ter muitas coisas; podem ser desenvolvidos e divulgados princípios éticos que impliquem a defesa do meio-ambiente. No entanto, mesmo as pessoas mais educadas e mais defensoras de princípios éticos de proteção do meio-ambiente, como Mikhail Gorbatchiov, Leonardo Boff e Mercedes Sosa, signatários da Carta da Terra, o mais importante documento ambiental jamais produzido, não fazem tudo que podem para defender a ecologia. Gorbatchiov construiu para si próprio uma mansão no bairro mais chique de Moscou, onde dispõe de uma enorme parafernália de aparelhos eletroeletrônicos, e dispõe de vários carros, consumindo energia poluidora muito mais do que a média da esmagadora maioria da população mundial. E, se todos fossem produzir livros como Boff e discos como Mercedes, não haveria mais nem florestas, nem ares sem poluição em todo o planeta.
O problema é o seguinte: todos se arrogam direitos que não reconhecem aos outros. Gorbatchiov defende que a humanidade seria extinta se todos poluíssem o planeta na medida do que o fazem os habitantes dos Estados Unidos; no entanto, com sua vida de luxo, polui muito mais do que a média da população americana. Igualmente, Boff critica os que defendem o direito de desmatar, mas ele próprio não se cansa de publicar livros impressos que implicam a derrubada de árvores, quando poderia difundi-los, por exemplo, só na Internet. Se fosse movida exclusivamente por fins artísticos, Mercedes Sosa não teria gravado discos – a indústria fonográfica é altamente poluidora – e sim os teria disponibilizado para todos por meio da Web.
Muitos possuem boa educação ambiental e professam parâmetros éticos contra o consumismo poluidor, mas poucos se dispõem a efetivamente renunciar às suas comodidades em favor do meio ambiente.
Além disso, os pensadores antigos, como Aristóteles, que defendia a escravidão, ou medievais, como Santo Tomás de Aquino, que achava justa a servidão da gleba, ou mesmo modernos como Kant, que não só defendia o capitalismo, como quis proibir os presos de uma cadeia de Königsberg (hoje Kaliningrado) de cantarem em suas celas, pouco nos podem servir de guias para combater e superar a atual crise estrutural do capitalismo em escala planetária. Mesmo Karl Marx nos é de pouca utilidade, porque a esmagadora maioria das pessoas, conforme a história demonstrou, prefere o consumismo capitalista, mesmo quando defendem o meio-ambiente, do que a vida mais frugal e menos livre, individualmente, do socialismo, tal como realmente se concretizou.
Mesmo Cuba, onde o governo se jactava de ter protegido toda a Ilha como um vasto santuário ecológico, sendo suas medidas ambientais muito elogiadas por ecologistas em geral, está partindo agora para uma economia mais livre e mais poluidora. E gerações de cubanos foram educados segundo uma ética rigidamente defensora dos princípios ambientais mais avançados, porém toda essa educação e toda essa ética ameaçam desabar diante da abertura para o consumismo. Assim a educação e a ética, embora necessárias, são totalmente insuficientes se as pessoas não renunciarem às suas liberdades de consumir o que bem entendem.
21 de janeiro de 2012
Energia eólica não seria tão inocente quanto parece
Em http://louisproyect.wordpress.com/2012/01/20/the-city-dark-windfall/, em inglês, o moderador da lista americana de notícias Marxism, Louis Proyect, comenta o documentário "Windfall", em que a diretora Laurie Israel, moradora na pequena cidade de Meredith, no Estado de Nova York, conta como foi a introdução da energia eólica na região de fazendas e sítios. Ao invés do paraíso verde prometido, os habitantes depararam com um projeto de turbinas de 330 metros de altura a 300 metros de suas casas, e com a impiedosa terraplenagem das áreas montanhosas para instalar as turbinas de vento, que tinham de ser embutidas em enormes massas de concreto; as estradas tiveram de ser alargadas, prejudicando a vegetação, para acomodar as lâminas das turbinas, lâminas que podem chegar a 60 metros de comprimento. Os habitantes ficam sujeitos a sons de baixa frequência, que provocam insônia, dores de cabeça e náusea, além de serem muito desagradáveis ao ouvido. Há ainda o problema das enormes sombras. A população se dividiu: os grandes granjeiros de leite, ramo em decadência, aplaudiram o ganho extra, mesmo porque muitos nem moram na região; os pequenos sitiantes se revoltaram com os danos à saúde e ambientais. Pessoas antes amigas entre si se tornaram adversárias, ou seja, as turbinas de vento também afetaram as relações sociais na cidadezinha.
7 de outubro de 2011
As sombrias previsões da escritora Margaret Atwood
Recentemente o Diário do Comércio, de São Paulo, me encomendou a seguinte resenha:
A “distopia” de Margaret Atwood
Renato Pompeu
Desde o século 16, no Ocidente, escritores produziram várias utopias, em que descreviam situações ideais, sociedades humanas fictícias, localizadas no futuro ou em regiões remotas, em que não havia miséria nem maldades, nem abusos nem exploração de seres humanos por seres humanos. Foi só a partir do século 20, com sua sucessão de horrores em massa, que surgiram as chamadas “distopias”, ou seja, utopias ao contrário, que descreviam sociedades humanas no futuro ou em lugares remotos, em que prevaleciam a maldade, o controle absoluto das mentes, a miséria e a infelicidade, as torturas.
No começo, a inspiração das distopias eram os regimes totalitários que povoaram o século 20 e os escritores imaginavam sociedades ainda mais totalitárias, como “1984”, do britânico George Orwell, ou “O admirável mundo novo”, do também britânico Aldous Huxley. Em Orwell, o totalitarismo se estendia ao controle das mentes; em Huxley, ao controle biológico dos nascimentos.
Depois, entre novas distopias, no pós-Segunda Guerra Mundial, se destacavam as que se situavam após uma guerra nuclear, com os sobreviventes humanos constituindo uma população rarefeita, às vezes reduzidas a uma pessoa só, ou a poucas outras pessoas.Em seguida vieram as distopias baseadas em catástrofes ecológicas, em desastres ambientais. Mas o romance da escritora canadense Margaret Atwood, “O ano do dilúvio”, que acaba de ser lançado no Brasil pela Rocco , dois anos após o lançamento em inglês, descreve um mundo desolado e hostil a seres humanos que se localiza no futuro após catástrofes genéticas.
Num mundo que leva ao exagero características do mundo atual, a humanidade está dividida em três grupos: os poucos que vivem em condomínios de luxo realizando experiências de bioengenharia, os muitos que vivem na miséria absoluta fora dessas verdadeiras redomas luxuosas, e os ambientalistas que combatem o consumismo desenfreado. Um vírus desconhecido mata quase todos os seres humanos, e animais “experimentais” criados pela engenharia genética tomam conta do mundo, como os mistos de leão e de carneiro e os porcos dotados de cérebros humanos, além de ovelhas de pelos multicoloridos.
A história é narrada sob os pontos de vista de duas mulheres que escaparam da nova praga. Margaret Atwood tem sido chamada de escritora de ficção científica, mas ela prefere descrever o gênero que pratica como “ficção especulativa”. Com efeito, nesse seu novo livro, ela não lida apenas com ciência, mas desenvolve tramas relacionadas com exacerbações de tendências sociais e culturais do atual mundo global, bem como com suas vertentes econômicas, religiosas e políticas.
De fato, embora Margaret Atwood, atualmente com 72 anos de idade, tenha escrito dezenas de livros de vários gêneros, inclusive para crianças, a sua marca desde pelo menos os anos 1980 tem sido realmente a ficção especulativa. Trata-se do seguinte – ela constata um aspecto mais ou menos anômalo da sociedade atual, como o fundamentalismo religioso ou a eventual falta de maior cuidado com as consequências dos avanços tecnológicos. Em seguida, a escritora imagina uma situação no futuro em que essa anomalia se agiganta e toma conta do mundo. Ela já descreveu, por exemplo, os Estados Unidos do futuro como estando dominados pelos fanáticos cristãos de extrema direita, ou, em “Oryx e Crake”, de 2003, o mundo que existiria após uma catástrofe genética. Assim, ela realiza um trabalho semelhante aos que especulam, por exemplo, sobre os futuros impactos das mudanças climáticas.
“O ano do dilúvio” chegou a ser apresentado como uma continuação de “Oryx e Crake”, pois também se passa após uma catástrofe genética, e de fato há personagens em comum entre os dois livros, mas cada um pode ser lido independentemente do outro. Margaret Atwood é particularmente destra em descrever ambientes naturais, seja intocados, seja destruídos pela ação humana. Afinal, ela é filha de um entomologista, e o pai a fazia passar seis meses de cada ano na mata virgem da Província de Ontario, onde ele observava insetos, e os restantes seis meses na cidade grande.
Começou como poeta que criticava os artificialismos da vida moderna. Formada em três universidades, a canadense de Ontario e as americanas de Radcliffe e Harvard, ela publicou, além de seus poemas, mais de dez romances, dois volumes de crítica literária, livros infantis, livros de contos; é ativa colaboradora em jornais e revistas, militante de causas feministas e políticas, sempre com um sentido de manter as liberdades individuais e a independência diante de governos e de grandes conglomerados econômicos.
Em diversos livros, tanto de ficção como de não-ficção, ela manifesta preocupação com tendências antidemocráticas nos poderosos Estados Unidos, tão próximos de seu Canadá. Duas de suas frases famosas são: “Cuidado ao pedir justiça, pois a justiça pode ser imposta a você” e “Uma palavra depois de uma palavra depois de uma palavra é poder”. No novo livro, ela nos chama a atenção sobre o que pode ocorrer se os seres humanos continuarem irresponsáveis ecológica e geneticamente.
11 de dezembro de 2010
Conferência de Cancún: o presidente da Bolívia dá motivos para não assinar a declaração final
A mídia noticiou que a Bolívia foi o único país a não ter assinado a Declaração Final da Conferência sobre a Mudança Climática em Cancún, no México. Mas não deu o devido destaque às afirmações do presidente boliviano, Evo Morales, feitas à TeleSur e transcritas por um site argentino em http://www.cadenamarianomoreno.com.ar/?p=1706, em castelhano: "Agora está em debate não só a luta de classes, mas a luta da raça humana com a natureza, a vivência em harmonia com a Mãe Terra. Quais são os direitos da Mãe Terra? Direitos a regenerar sua biodiversidade, direitos da Mãe Terra a viver sem contaminação, direito ao equilíbrio". O presidente voltou a propor a criação de um Tribunal Climático Internacional.
3 de junho de 2010
A era da abundância teria acabado. Há alternativas
Em artigo da rede ambientalista ArchDruid, em http://thearchdruidreport.blogspot.com/2010/05/world-after-abundance.html em inglês, se defende a tese de que já faz quatro décadas que se tornou claro que o desenvolvimento industrial, tal como vem ocorrendo secularmente, é insustentável a longo prazo, sob pena de tornar impossível a sobrevivência das atuais sociedades e até da própria civilização. Mas toda a população, inclusive os ambientalistas, parece, segundo o relatório, resignada com a inevitabilidade do próximo desastre. Ainda de acordo com a ArchDruid, as propostas atuais dos ambientalistas, de que o governo e as grandes empresas fomentem grandes unidades de energia sustentável, mantendo-se o nível de consumo atual, não são a solução. Na verdade, a solução seria cada cidadão e cada família adotar padrões de redução do consumo e de economia de recursos naturais. Lembra a rede que, por ocasião do choque do petróleo em 1973, as pessoas reduziram o seu consumo ao ponto de, em apenas um ano, o consumo de petróleo ter caído em 15 por cento.
21 de dezembro de 2009
Copenhague: as pessoas comuns é que seriam responsáveis pelo fracasso
Em artigo no jornal The Guardian de Londres, em http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/dec/19/copenhagen-climate-summit-benny-peiser, o especialista Benny Peiser defende a tese de que a oposição popular em diferentes países a mudanças em seu modo de vida é que levou os governos seus representantes a transformarem em fracasso as conversações sobre as mudanças climáticas em Copenhague. Peiser diz, notadamente:
"A política do clima enfrenta uma crise profunda. As revoltas entre os países da Europa Oriental, na Austrália e mesmo entre os democratas de Obama estão forçando os legisladores a renunciar ao apoio a políticas unilaterais sobre o clima. No Reino Unido, o consenso político-partidário sobre a mudança climática provavelmente não vai sobreviver às eleições gerais, na medida em que tanto os trabalhistas quanto os conservadores têm de confrontar uma crescente oposição popular contra os impostos verdes e os aumentos de preços dos combustíveis".
Em suma, é como a redistribuição de renda: todos são a favor, desde que não se mexa com a sua própria renda.
"A política do clima enfrenta uma crise profunda. As revoltas entre os países da Europa Oriental, na Austrália e mesmo entre os democratas de Obama estão forçando os legisladores a renunciar ao apoio a políticas unilaterais sobre o clima. No Reino Unido, o consenso político-partidário sobre a mudança climática provavelmente não vai sobreviver às eleições gerais, na medida em que tanto os trabalhistas quanto os conservadores têm de confrontar uma crescente oposição popular contra os impostos verdes e os aumentos de preços dos combustíveis".
Em suma, é como a redistribuição de renda: todos são a favor, desde que não se mexa com a sua própria renda.
8 de novembro de 2009
PT DA AMAZÔNIA NÃO FAZ MAIS AMBIENTALISTAS COMO ANTIGAMENTE: GOVERNADORA DO PARÁ ADERE À REDUÇÃO DA FLORESTA NACIONAL-FLONA DO JAMANXIM
O jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso-PA, em http://www.folhadoprogresso.com.br/folha3br2/modules/news/article.php?storyid=307, anuncia que a governadora Ana Julia (PT) aderiu à campanha de setores influentes do município de 22 mil habitantes para "redefinição" (leia-se "redução") dos limites da Flona-Floresta Nacional do Jamanxim. O assunto está em discussão desde a Operação Boi Pirata, em que o governo federal agiu contra o desmatamento na região.
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