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26 de agosto de 2013

Marx contra o socialismo estatal

Artigo encomendado pela revista Caros Amigos - Ca181ideias Marx contra o socialismo estatal Renato Pompeu Finalmente sai em português, pela Boitempo Editorial e em bem cuidada tradução, a partir do original em alemão, de Rubens Enderle, a “Crítica ao Programa de Gotha”, de Karl Marx, texto escrito em 1875. Gotha é uma cidade alemã e nela havia sido realizado, naquele ano, o encontro que oficializou a fusão entre a Associação Geral dos Trabalhadores Alemães, liderada por Ferdinand Lassalle, e o Partido Social-Democrata dos Trabalhadores, liderado por Wilhelm Liebknecht e August Bebel, dois dirigentes bastante próximos de Marx. O programa que saiu dessa reunião favorecia mais as teses de Lassalle e Marx criticou com tal contundência as teses lassallistas que seu texto só foi publicado em 1891, bem depois de sua morte.. No prefácio à edição brasileira, o importante pensador brasileiro radicado na França, Michael Löwy, assinala dois pontos que pouco foram levados em conta pelos marxistas: Marx se insurge contra a visão de Lassalle, de que só o trabalho produz valor – para Marx, a natureza também cria valor, o que indica que para o fundador do comunismo moderno as preocupações ambientais são de importância crucial. A outra crítica aguda que Marx faz a Lassalle é que este estava imerso na “credulidade servil no Estado”. Löwy se refere “às ideias antiestatistas que Marx desenvolveu ao longo de sua vida, desde sua crítica à filosofia do Estado de Hegel, em 1843, até seus escritos sobre a Comuna de Paris, em 1871”. Conclui o prefaciador: “Marx proclama contra os anarquistas a necessidade de certa forma de Estado – a ‘ditadura revolucionária do proletariado’ – durante o período de transformação revolucionária que conduz ao advento da sociedade comunista”. Não foi o que aconteceu nos países em que o marxismo triunfou, ainda que provisoriamente. Dois livros importantes sobre o conflito entre Israel e os palestinos: um da Civilização Brasileira, “Outro Israel”, do respeitado escritor, político e militante pró-paz israelense, Uri Avnery, bem conhecido de todos que se interessam pelos conflitos no Oriente Médio. Avnery, em seu prefácio, presta uma homenagem ao ex-presidente Lula, por este ter reconhecido a Palestina como Estado soberano. Aos 88 anos, ele publica todos os sábados, na imprensa de Israel, artigos em que comenta os assuntos que estão na ordem do dia. Os textos reunidos no livro foram selecionados e organizados pela consagrada jornalista brasileira radicada em Israel, Guila Flint, correspondente da BBC e que foi correspondente da CBN. A tradução é de Caia Fittipaldi. O outro é da Editora Record, “Um muro na Palestina”, do jornalista francês René Backmann, colunista da revista “Le Nouvel Observateur” sobre o tristemente célebre muro que Israel construiu na Cisjordânia, não muito alto, 3 metros, mas bastante extenso, 650 quilômetros, e, acima de tudo, bem largo: de 45 metros a 100 metros, incluindo bem no meio um fosso para impedir a passagem de veículos. Mas o livro não é só sobre o muro – e sim sobre as duas nações, Israel e Palestina, que o muro quer manter para sempre hostis entre si. A tradução é de Clóvis Marques. Já a Boitempo Editorial nos brinda, além de com o clássico antiestatal de Marx, com uma preciosidade: um livro do famoso historiador e ensaísta inglês Perry Anderson, 73 anos, “Espectro: da direita à esquerda no mundo das ideias”. Ex-diretor da conceituada revista “New Left Review”, que se vem empenhando há décadas na divulgação de um marxismo não dogmático, Anderson reúne na nova obra as suas duas facetas principais: a de historiador atento a tudo que assinala a mudança de uma época para outra, e a de ensaísta atento a tudo que há de mais contemporâneo. Seu livro, assim pode ser definido como uma rigorosa história das ideias contemporâneas. Entre outros autores, ele discute o guru dos neoliberais, Friedrich von Hayek; o guru dos neoconservadores americanos, Leo Strauss, mais os progressistas Jürgen Habermas e Norberto Bobbio. Outro lançamento importante da Boitempo Editorial é “Globalização, Dependência e Neoliberalismo na América Latina”, por Carlos Eduardo Martins. A temática é mais do que bem-vinda: como lidar, na atualidade, com a famosa Teoria da Dependência, e como inserir a América Latina nas Teorias dos Sistemas-Mundos e do Sistema Mundial. Diz a apresentação: “O autor utiliza a teoria de Marx sobre a tendência decrescente da taxa de lucro provocada pela revolução científico-tecnológica, quando ciência e tecnologia entram no processo com meios de acumulação do capital. No entanto, o elemento central que anima sua preocupação teórico-crítica é a utopia da autonomia e da autodeterminação, notadamente nos capítulos em que a América Latina é aprofundada no contexto da globalização, do sistema-mundo e de dentro da ‘carcaça de ferro’ do neoliberalismo e da dependência”. Também da Boitempo Editorial é outra preciosidade: a estreia em ficção, no livro “Cansaço”, de Luiz Bernardo Pericás, historiador já considerado clássico por sua obra “Os cangaceiros”. As duas histórias podem ser definidas ao mesmo tempo como dramas sertanejos e tragédias gregas.

24 de agosto de 2013

Que pensam da Revolução de 1917 os russos atuais?

Ca180ideias Ideias de Botequim A Revolução de Outubro, segundo a intelectualidade russa atual Renato Pompeu Como este começo de ano tem ocorrido uma verdadeira entressafra de livros realmente importantes, vamos aproveitar o vácuo para falar de um tema particularmente interessante para as pessoas progressistas, às quais se dirige a revista Caros Amigos: como é que a Revolução Russa é vista atualmente na Rússia pós-comunista? À falta de pesquisas mais sérias sobre o assunto, e de uma vivência concreta na realidade russa contemporânea, podemos fazer uma boa ideia sobre o que pensa atualmente sobre a Revolução Russa a intelectualidade russa a partir da Nova Enciclopédia Russa, substituta da antiga Grande Enciclopédia Soviética. O primeiro volume (a edição inteira ainda não foi publicada) saiu em 2006, lançado em Moscou pela Izdaltel’stvo Entsiklopedia e pela Izdatel’skii Dom Infra-M, e é todo dedicado à Rússia. A apresentação é feita oficialmente pela Academia Russa de Ciências, sucessora da Academia Soviética de Ciências. A volumosa seção de História começa entre os séculos 4.o e 8.o, quando os eslavos passaram a ocupar o Leste, o Sudeste e o Centro da Europa. Mas, ao contrário da Grande Enciclopédia Soviética, que examinava as condições socioeconômicas à luz de uma interpretação bastante peculiar do marxismo, a Nova Enciclopédia Russa, se centra, na história da Rússia antiga, até os séculos 17 e 18, na constituição do Estado russo unificado e na constituição do Império Russo, por meio da descrição da ação de grandes personalidades e de intrigas dinásticas. Apenas a partir dos séculos 17 e 18 é que começam a surgir conceituações mais específicas a respeito das estruturas sociais e das atividades econômicas. O item “A Revolução de Outubro” de 1917 começa com uma declaração de Trotski, algo impensável na Grande Enciclopédia Soviética, a 7 de outubro pelo antigo calendário juliano, então em vigor na Rússia (uns treze dias atrasado em relação ao atual calendário gregoriano, que é o nosso calendário desde o século 16, de modo que se trata do nosso 20 de outubro de 1917). Se descreve em seguida como Kamenev e Zinoviev defenderam, ainda a 18 de outubro (31 de outubro nosso), que a revolução socialista na Rússia não era possível antes que ocorresse na Europa Ocidental. Na tarde e noite de 24 de outubro e na manhã de 25 (6 e 7 de novembro, para nós), quando se dá a tomada do Palácio de Inverno e do poder, se fala da ação de Trotski e Lenin, sem menção a Stalin. Em seguida se fala da ação de Kamenev na prisão de ministros do governo provisório e de Lenin na instalação do Conselho dos Comissários do Povo, nome dado aos ministros do governo revolucionário. Depois, já a 29 de outubro (11 de novembro), se fala de Kamenev, Rikov, Miliutin e Nogin, novamente sem menção a Stalin. Novamente Trotski é mencionado em janeiro de 1918, sobre o abandono da guerra pelo novo governo. No relato da Guerra Civil, novamente são mencionados Trotski e Kamenev como dirigentes importantes, além de Antonov-Ovseenko, mas Stalin não aparece em nenhum momento, o que parece indicar que os historiadores russos contemporâneos acham que ele não teve papel de destaque nem na Revolução, nem na Guerra Civil, que se encerrou só em 1922, com os bolcheviques tendo o poder central já havia cinco anos. Deve ser observado que Lenin, bem mencionado na Revolução, não aparece na parte da Guerra Civil, possivelmente por não ter exercido comandos militares diretos. Na verdade, segundo a Nova Enciclopédia Russa, Stalin, que não é mencionado nem no item da Revolução de Outubro, nem no item da Guerra Civil, só passou a ter importância bem depois da Revolução, pois ele só aparece no item Do Fim de 1922 a Julho de 1941, imediatamente em seguida à morte de Lenin, em janeiro de 1924, já como rival de Trotski pela sucessão do dirigente falecido. Note-se, no entanto, que nesse trecho se menciona que Stalin era secretário-geral do Partido bolchevique desde abril de 1922. O ano de 1922, igualmente de acordo com a Nova Enciclopédia Russa, marca o começo da repressão contra os opositores políticos do poder central, primeiro contra membros de outros partidos. Em seguida, se relatam as divergências entre os próprios bolcheviques, primeiro entre Stalin, de um lado, apoiado por Kamenev e Zinoviev, e, de outro lado, Trotski; depois, os próprios Kamenev e Zinoviev aparecem como opositores do já consolidado Stalin. Em outro artigo, vamos discutir como a Nova Enciclopédia Russa descreve a história soviética sob o poder de Stalin, desde sua ascensão até a invasão do país pela Alemanha Nazista. O importante, até aqui, é observar a maior relevância dada a Trotski nos primeiros anos da Revolução, enquanto durante grande parte da história da União Soviética Stalin era apresentado como o segundo em importância já desde 1917, após Lenin. Quem terá razão?

12 de abril de 2013

A Graça da Revolução Permanente, por Etapas Mensais

O mau humor dos esquerdistas radicais, enquanto o mundo ruma ao socialismo. Renato Pompeu Há mais de 120 anos os meios mais avançados entre os seres humanos mais progressistas adotaram como fato líquido e certo o de que o futuro da humanidade só tem duas saídas possíveis: ou o socialismo, ou a barbárie. Isso já tinha sido prefigurado por Marx, quando constatou que o desenlace de cada luta de classes é, ou a vitória de uma das classes envolvidas, ou a extinção de todas as classes em luta. Portanto, o socialismo não é “inevitável”, como acredita boa parte dos esquerdistas radicais, pois há outra saída para a humanidade além do socialismo, ou seja, a saída da barbárie. Hoje, mais de um século depois de já estarem previstas teoricamente as duas saídas possíveis para os seres humanos, isso já deixou de ser uma questão teórica, pois passou pelo teste da experiência. De fato, ao longo do século 20, a humanidade oscilou entre o socialismo do socialismo real, o socialismo da social-democracia, particularmente o socialismo escandinavo, mais o socialismo do New Deal e do Estado do Bem-Estar Social, o estatismo terceiromundista, de um lado, e, de outro lado, balançou pela barbárie do nazifascismo e das ditaduras de direita e de esquerda, da Primeira e Segunda Guerra Mundiais, do Holocausto, do genocídio colonialista, do genocídio racista, da derrocada do socialismo real. E agora, no século 21, enquanto surge na Venezuela um socialismo social-democrata que tenta ser um socialismo escandinavo e na China surge o que lá se chama de socialismo de mercado, de outro lado nunca esteve tão evidente o risco de a barbárie do capitalismo redundar tanto numa guerra nuclear em larga escala, como numa catástrofe ambiental nunca vista, e aomda numa regressão a formas de governo antidemocráticas até mesmo nos países capitalistas mais avançados. Continuamos, portanto, com a perspectiva sorridente do socialismo e com a alternativa sombria e carrancuda da barbárie. Diante dessa situação parece bastante adequado seguir a recomendação do líder comunista italiano Antonio Gramsci: cultivar ao mesmo tempo o pessimismo da inteligência, para percebermos claramente os riscos de chafurdarmos na barbárie, e o otimismo da vontade, para termos ânimo de prosseguir a luta pela outra saída desse dilema inexorável, o socialismo. No entanto, são exatamente os esquerdistas mais radicais, que navegam nas nuvens da “inevitabilidade do socialismo”, sem se darem conta de que o socialismo não é de modo nenhum inevitável – sempre existe a sombra da barbárie, a ponto de banhar numa cor autoritária e algo desumana o próprio socialismo, quando este chega a se concretizar –, são exatamente esses esquerdistas mais radicais, que acham que “o caminho é sinuoso, mas o futuro é radiante”, que são os mais mal-humorados seres humanos de que jamais se teve notícia, sempre carrancudos e de sobrecenho carregado. Nunca vi um único deles dar sequer um sorriso, quanto mais uma risada ou mesmo uma gargalhada. Não cultivam assim o otimismo da vontade e na verdade se comportam sempre como se acreditassem que vivemos no pior do mundos possíveis e que nada disso vai mudar, a não ser para pior, no futuro previsível, que é a nossa existência terrena. Esses esquerdistas radicais ainda estão presos ao dilema rançoso da Revolução Permanente de Trotski vs. a Revolução por Etapas de Stalin. Não se lembram da dialética, que diz que uma coisa pode ser ela mesma e seu contrário ao mesmo tempo, ou seja, que a revolução permanente tem as suas etapas e que a revolução por etapas está passando permanentemente de uma etapa para outra. Que dizia a Revolução Permanente? Que o proletariado tem de assumir o poder para cumprir as tarefas da Revolução Burguesa que a burguesia se revelou e se tem revelado incapaz de cumprir e em seguida o proletariado deve encaminhar a Revolução Socialista em escala nacional e em seguida em escala internacional. A Revolução por Etapas diz que é a própria burguesia que deve comandar a primeira etapa, a de cumprir todas as tarefas da Revolução Burguesa, com o apoio do proletariado, que em seguida assumirá a hegemonia para cumprir as tarefas propriamente proletárias. Esses dois conceitos teóricos contraditórios, o que implica em serem iguais entre si, foram desde o seu surgimento comprovados parcialmente pela prática: o proletariado soviético cumpriu as tarefas burguesas da NEP, tentou instaurar o socialismo, tentou depois da Segunda Guerra expandir esse socialismo para fora de suas fronteiras. Tudo de acordo com os dois figurinos, o permanente e o por etapas. Só que não se percebia o fato de que se estava instalando um socialismo irreal, pois não partia das regiões mais avançadas no capitalismo, e sim de regiões bem atrasadas. O que se conseguiu foi um modo de garantir a acumulação primitiva do capital nos países do socialismo real, o qual não suportou a revolução tecnológica e acabou desaparecendo como todos os modos pré-capitalistas de produção, para dar lugar a um capitalismo mais desenvolvido. Enquanto isso, a coalizão governamental no Brasil, liderada pelos proletários mal e mal representados no PT, PDT, PCdoB, tem praticado a revolução permanente e por etapas, notadamente neste mês de abril na frente do trabalho doméstico, na frente do respeito aos gays e na frente antirracista (estas duas últimas frentes intensificadas pelo caso da Comissão dos Direitos Humanos e do pastor Feliciano), sem contar a frente desenvolvimentista com pouca inflação, notoriamente ora em dificuldades, tudo tarefas da Revolução Burguesa; no caso das domésticas e na frente antirracista, começam a ser dadas as últimas (ou as primeiras?) pás de cal nas mazelas herdadas da escravidão. De fora, o PSOL, PSTU e os demais ajudam essa movimentação progressista para evitar a barbárie e fazer avançar o socialismo. Por que, diante de tudo isso, os cenhos carregados? Sorriam como as domésticas estão sorrindo, apesar de saberem que parte delas vai ficar desempregada. Lembrem-se: “revolução” não é “insurreição”. É “mudança mais ou menos lenta ou rápida do equilíbrio de poder entre as classes, em favor das classes mais prejudicadas”. Se isso não é visível no mundo em geral, é bem claro que pelo menos no momento está ocorrendo em nosso País.

25 de março de 2013

Expediente

Blog do Renatão Publicação internética de peridiocidade dinâmica e acesso gratuito a todo e qualquer usuário que acione o link http.www.renatopompeu.blogspot.com ou idem final com.br Jornalista responsável – Renato Ribeiro Pompeu (MTb-SP 7.711) Editora de arte: Susana Carlos Pires Jornal editado com fins de lucro´pela firma Botequim de Ideias Literárias e Jornalisticas Ltda., com sede à rua Teodureto Souto, 532, São Paulo-SP, fone (11) 3208-0880, celular (11) 9.6594-7688, email rrpompeu@uol.com.br, diretor – Renato Ribeiro Pompeu Lema: “Maior democrata não é quem exige o direito de crítica, sim quem aceita serenamente o risco de ser criticado e mesmo acha que aprende mais com críticas do que com elogios” Nota – os lucros poderão ou não ser obtidos com anúncios a serem angariados, ou com contribuições voluntárias de qualquer valor para a conta Banco 341 Itaú, Agência 8122 Nova Patriarca, C/c 22665-0 Renato Ribeiro Pompeu Cpf 009.257.518-53 Não havendo lucros, o Blog do Renatão continuará na forma atual, sempre com acesso gratuito. Havendo lucros, serão reinvestidos para melhorar o Blog do Renatão, que continuará tendo acesso gratuito.

REVOLUÇÃO NO BLOG DO RENATÃO

Este é um “editorial pessoal”, iniciado a 25 de março de 2013, que comecei a escrever às 04h48 da manhã. A partir deste “editorial pessoal” o Blog do Renatão começará a passar por uma profunda reformulação por etapas, mas com a pretensão de mobilização permanente de suas leitoras e de suas leitoras, a curto, médio e longo prazos, sendo cada prazo ainda impossível de marcar. Lembre-se que o Blog do Renatão começou dentro do portal da revista Caros Amigos, que se diz “A Primeira à Esquerda” e de que sou, pelo menos por enquanto, colaborador, e visava dar destaque a notícias importantes, pelo menos para o grande público progressista, em todas as suas tendências, das menos radicais às menos radicais. Nessas condições, o Blog me parecia interessante também para leitores centristas e até direitistas. Pois teriam interesse em conhecer o universo da esquerda e do progressismo em geral, universo ao qual me filio. De todo modo acho necessário que exista um diálogo aberto e franco em nossa sociedade brasileira, que tende a aperfeiçoar-se cada vez mais, apesar do horizonte socioeconômico e ideológico sombrio que paira sobre os seres humanos em escala global, o que já permite prever uma regressão em relação a uma democracia mais plena. E isto mesmo em países ricos, e possivelmente até principalmente em países ricos. Nesse sentido, o Blog do Renatão visava contribuir para um grande debate entre todas as correntes da sociedade brasileira, em grande escala, e, em escala menor, também entre subcorrentes, subsubcorrentes, subsubsubcorrentes e até seitas, além de entre setores até mesmo reacionários. Isso deverá ficar cada vez mais claro com as sucessivas inserções no Blog. No entanto, desde o início e até a presente data, o Blog ficou restrito a um pequeno público de amigos e conhecidos meus e de uns poucos esquerdistas das mais variadas tendências. Isso pouco se alterou com a mudança do Blog para o portal do Nota de Rodapé, onde se encontra até hoje. Praticamente não havia debates. Diante disso, recentemente fiz uma mudança no Blog, convocando para o debate em cada mensagem, noticiosa ou não, mas sem maiores resultados em número e em qualidade das reações dos leitores. Com isso, o Blog, em mais uma reformulação, passa a partir de agora a mudar de caráter. Será, de um lado, um jornal com tudo o que um jornal contém: do noticiário mais objetivo ao noticiário mais comentado, além das diferentes seções, de reportagens, crônicas, artigos, artigos de fundo, editoriais do Blog e editoriais pessoais meus. Também conterá tudo que um blog costuma conter, desde relatos pessoais até piadas. Tudo isso parte de determinados princípios de edição. Um se refere a uma postura que adquiri desde os 6 anos de idade, quando li em 1947 o texto da Constituição se 1946, que proibia “a subversão violenta da ordem”. Isto é, a Constituição não proibia “a subversão pacífica da ordem”, postura que procurei seguir desde então até agora, 65 anos depois. Outro princípio provém da dialética de Hegel e de Marx, segundo as quais uma coisa pode ser ela mesma e seu contrário ao mesmo tempo. Dessa forma considero reforma e revolução uma coisa só, contraditória internamente, prevalecendo ora um polo ora outro: considero social-democracia e comunismo uma coisa só, nas mesmas condições, e capitalista e proletário uma coisa só, pelo simples fato de cada um precisa do outro para sobreviver como capitalista e como proletário. Haveria outras coisas a dizer, mas haverá oportunidades de voltar ao assunto em outras inserções no Blog, seja por parte de outras pessoas. Esse editorial pessoal se encerra aqui, às 05h30 de 25 de março de 2013, Assino, Renato Pompeu

26 de fevereiro de 2013

Eslovênia: crise atinge "a Suíça dos Bálcãs"

Em http://www.socialistproject.ca/bullet/775.php#continue, em inglês, se informa que nos últimos três meses se têm sucedido protestos de rua em várias cidades da Eslovênia, por causa da crise econômica e das acusações de corrupção contra os dois principais partidos políticos do país, um de centro-direita, que governa a nação, e outro de centro-esquerda, que comanda a Prefeitura de Liubliana, a capital. Entre os países ex-comunistas, a Eslovênia antes era apontada como "a Suíça dos Bálcãs", por causa do êxito temporário das reformas neoliberais. O país já era a República mais próspera da antiga Iugoslávia comunista, mas agora essa história de triunfo econômico chegou ao fim.

24 de outubro de 2012

Jovens russos querem novo socialismo

Segundo a agência de notícias russa RISNovosti, em http://en.ria.ru/analysis/20121023/176851932.html, em inglês, há um movimento entre a juventude russa para instaurar um socialismo diferente do soviético. Se inspiram em Marx e Lenin, mas não em Stalin ou Trotski, ou outros líderes. Acham que o Estado deve controlar as grandes indústrias, mas não as pequenas empresas.

10 de setembro de 2012

Partido de Lenin estaria abrigando fascistas

Segundo nota do jornal do Partido Socialista da Grã-Bretanha, em http://www.worldsocialism.org/spgb/socialist-standard/2010s/2010/no-1273-september-2010/material-world-fascists-take-over-russian-commu, em inglês, na Rússia, militantes fascistas estão aderindo em massa ao Partido Comunista, do qual já estariam controlando os sites da Internet. O movimento teria duas vertentes: o fracasso das instituições claramente fascistas e a aceitação pelos comunistas, desmoralizados e desmotivados pelo fracasso da União Soviética, de posições nacionalistas.

5 de outubro de 2011

Democracia até certo ponto

A revista Carta Capital publicou recentemente a seguinte resenha de minha autoria:


A subversão

pelos fatos



O jornalista e historiador inglês Timothy Garton Ash, autor do recém-lançado volume “Os fatos são subversivos – Escritos políticos de uma década sem nome”, sobre os anos 2000 a 2010, editado pela Companhia das Letras, é bem conhecido pelo público culto anglo-saxão como defensor das democracias ocidentais. Afinal, ele havia coberto com entusiasmo, em livros e reportagens, toda a crise terminal do comunismo. Desde muito antes do desenlace ele visitava periodicamente os países então socialistas da Europa Oriental e da União Soviética. Assim, detectou precocemente os sinais da crise iminente e, depois, relatou maravilhado, como testemunha ao vivo, como se deram as chamadas revoluções democráticas na Tchecoslováquia, na Hungria, na Polônia, entre outros países. No novo livro, ele não parece tão encantado com as revoluções na Sérvia, Ucrânia, Belarus e Macedônia. Outros artigos são sobre o terrorismo, em especial o terrorismo islâmico, os Estados Unidos, a União Europeia... e até o Brasil. Seria interessante saber como esse firme paladino da democracia anglo-saxã comentaria os recentes acontecimentos relacionados com a secular manipulação da opinião pública na Grã-Bretanha, pelo conluio das autoridades com a grande mídia, e com a crise econômica americana, em que governo e oposição ignoram a maioria da opinião pública que quer aumentar os impostos sobre as grandes fortunas, reduzir os gastos militares e não cortar gastos sociais. – RENATO POMPEU


4 de outubro de 2011

Corrupção grassa em Cuba, diz jornal oficial

Telegrama da agência italiana de notícias Ansa, em http://www.abc.com.py/nota/corrupcion-imperante-preocupa-a-cuba/, em castelhano, nota que o jornal cubano "Juventud Rebelde" informou que a corrupção impera no país. Diz o jornal que pessoas encasteladas "em suas parcelas de poder (...)buscaram o enriquecimento pessoal com recursos que são tão caros para um país pobre sob implacável fustigamento imperial".  E mais: esses "saqueadores em trajes de funcionários" sonham com a queda do socialismo em Cuba e "já deliram vendo-se a si mesmos na imaginada camada de opulentos exploradores".   

7 de agosto de 2011

Quem tem comunistas como os chineses não precisa de capitalistas

Jornais chineses publicaram um artigo em que se exige que os Estados Unidos façam cortes "substanciais" em seus "inchados" programas de bem-estar social. A informação é do jornal americano The New York Times, reproduzida em parte na lista de notícias também americana Marxism, por Shane Mage < shmage@pipeline.com >, em inglês. Eis o trecho do NY Times de sábado, 7 de agosto, citado por Mage: “'O governo dos Estados Unidos tem de acertar as contas com o doloroso fato de que os bons velhos dias em que podia simplesmente tomar empréstimos para sair das confusões que ele próprio armava, são finalmente coisa do passado', se lê no comentário, que foi publicado em jornais chineses.
"Pequim, que não divulgou nenhuma outra declaração oficial sobre o rebaixamento (da nota da dívida pública dos EUA), convocou Washington a fazer cortes substanciais em seus programas 'inchados' de bem-estar social'".
Ao mesmo tempo, isso coloca um desafio para os partidários da justiça social: os subsídios públicos adotados por governos progressistas, sejam democráticos, socialdemocratas, socialistas, comunistas, são a única ou a principal solução para as injustiças na sociedade?

27 de novembro de 2010

Marx e a "Crítica ao Programa de Gotha"

A Revista do Brasil há pouco tempo me encomendou o seguinte texto:


Crônica de uma crítica perdida


Interessante como o tempo é lento e rápido... ao mesmo tempo. Da redação da “Crítica ao Programa de Gotha”, em 1875, pelo pensador alemão Karl Marx, nos separam 135 anos, o que parece muito, mas eu tenho 68, exatamente metade disso, então a mim, hoje, me parece que essa crítica foi escrita há não muito tempo. E a cada dia me parece mais claro que ela deva ser mais conhecida do que jamais foi e deve ser pelo menos tão divulgada quanto o Manifesto Comunista.
Afinal, Marx tinha menos de 30 anos quando escreveu com Friedrich Engels o Manifesto e estava perto dos 60, com muito mais experiência, quando escreveu a carta que Engels publicou depois como a “Crítica ao Programa de Gotha”. Esse programa estava sendo discutido pelas duas facções que depois se fundiriam para criar o Partido Socialdemocrata alemão, até hoje existente. Marx fez várias observações sobre o programa, mas elas não foram levadas em conta pelos fundadores do novo partido.
Quatro coisas me chamam a atenção na crítica de Marx. Em primeiro lugar, ele me parece dar muito menos ênfase ao caminho insurrecional e muito mais ênfase ao caminho eleitoral para o socialismo do que, por exemplo, no Manifesto. Em segundo lugar, ele prega a necessidade absoluta da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. Aqui temos de levar em conta que, em sua época, a imprensa era muito mais crítica dos poderes vigentes do que é hoje em dia. Não sabemos se, hoje em dia, Marx defenderia a liberdade de expressão dos racistas, dos nazistas, como é permitida nos Estados Unidos, ou se a proibiria, como acontece no Brasil e na Alemanha.
Terceiro, Marx defende a necessidade absoluta da educação pública e gratuita. Entretanto, se deve esclarecer que, para Marx, o “público” não se confunde com o “estatal”. Para ele, o caráter público da educação pública, e por extensão da saúde pública e da empresa pública, não se tratava de serviços proporcionados e administrados por órgãos estatais, e sim proporcionados e administrados por todos os membros do público, da sociedade em geral. Marx estava longe de imaginar que o socialismo seria, como acabou sendo no extinto socialismo real, regido por aparelhos, órgãos e empresas estatais sob a direção de corpos de burocratas. Pelo contrário, achava é que toda a sociedade, composta por indivíduos livres e iguais, é que deveria ir assumindo as funções que vinham sendo executadas pelo Estado.
Do mesmo modo que Marx não pensou na possibilidade de, no processo eleitoral, a maioria da população não querer a implantação do socialismo, ou de essa maioria se voltar contra o socialismo após ele ter sido implantado, também não pensou na possibilidade de a maioria da população não se interessar pela administração da coisa pública, seja no socialismo, seja no capitalismo ou seja no regime que for. Aqui devemos lembrar que, para Engels, a diminuição da jornada do trabalho implicaria mais intensa participação política por parte de cada trabalhador, que teria tempo cada vez maior para fazer política. No entanto, notamos que a grande maioria das pessoas prefere dedicar ao lazer, e não à atividade pública, a maior parte do seu tempo livre.
Em quarto lugar, finalmente, quando Marx fala em “ditadura do proletariado”, como fase transitória da passagem do capitalismo para o socialismo, ele não está se referindo a um regime autoritário, sim a um regime com plena liberdade de expressão e de organização, exatamente como acontece nos regimes capitalistas mais avançados, as chamadas democracias burguesas, em que para Marx prevalece a “ditadura da burguesia”. Podemos dizer que, nessa crítica efetuada por Marx, a “ditadura do proletariado” difere da “ditadura da burguesia” exatamente por ir progressivamente democratizando o controle de toda a sociedade sobre os órgãos e empresas estatais. Se isso é ou não uma utopia, é outra conversa. É importante discutir como os seres humanos poderiam viver melhor, mas isso não deve eliminar a necessidade de verificar concretamente como as pessoas vivem e como gostariam de viver. Para mim, o mais impressionante é que apenas o tempo equivalente a duas vidas minhas até agora nos separa dessas cogitações de Marx.

30 de outubro de 2010

Comunismo é igualitarismo?

A propósito da postagem de ontem, sobre as relações do socialismo e do comunismo com o igualitarismo, acho que as coisas são muito mais complicadas do que o modo como foram tratadas na manifestação do militante cubano. A fórmula de Marx e Engels era de que, numa primeira fase, a que se convencionou chamar de socialismo, de cada um seria exigido de acordo com sua capacidade e a cada um seria atribuído de acordo com o seu trabalho. Já no comunismo, de cada um seria exigido de acordo com sua capacidade e a cada um seria atribuído de acordo com as suas necessidades. Ora, "capacidade", "trabalho" e "necessidades" variam de acordo com a pessoa, o tempo e o espaço. Como assim falar em "igualdade"?

18 de setembro de 2010

O destino do Vietnã antecipa o de Cuba?

Agora que se está falando das mudanças pró-cooperativas privadas e pró-empresas privadas em Cuba, talvez seja adequado lembrar a trajetória do Vietnã. Abaixo, artigo que me foi encomendado em abril pelo Diário de S. Paulo:

Aos 35 anos de sua reunificação, Vietnã busca novos caminhos
Renato Pompeu (especial para o Diário)

Exatamente 35 anos depois da vitória dos comunistas na Guerra do Vietnã, cujo aniversário transcorreu na sexta-feira última, 30 de abril, e da unificação dos Vietnãs do Norte e do Sul na atual República Socialista do Vietnã, o país parece paradoxalmente em vias de tornar-se, não o que planejavam os vitoriosos na guerra, sim o que planejavam os derrotados, os sulvietnamitas anticomunistas e os norteamericanos. Esses dois últimos queriam uma economia abertamente capitalista, sem maior referência a uma abertura na política – exatamente os dois fenômenos que estão ocorrendo no Vietnã -, enquanto os comunistas queriam uma economia estatal planificada que se demonstrou inviável.
Com 330 mil quilômetros quadrados – um tanto maior do que o Estado de São Paulo – o Vietnã tem cerca de 88 milhões de habitantes, sendo assim literalmente um formigueiro humano. Sua história como região cultural e política com identidade étnica própria data do século 2 a.C, com o nome de Nam Viet, que, como Vietnã, significa “Estado do Sul”, em referência ao “Império do Meio” que seria a China. Esta dominou o país até o século 10 d.C.; a região depois esteve variadamente dividida até 1802, quando foi unificada sob uma única dinastia. Em 1859, os franceses ocuparam Saigon, hoje Cidade Ho Chi Minh.
Os portugueses tinham chegado bem antes, em 1535; o poeta Camões quase se afogou com o manuscrito de “Os Lusíadas” no delta do rio Mekong, e consta que é dirigido a uma vietnamita o seu célebre soneto “Alma minha gentil que te partiste”, e que ela teria morrido nesse naufrágio de que ele se salvou. Mas os portugueses só instalaram feitorias, enquanto os franceses - que acabaram ocupando todo o Vietnã até 1940, quando durante a Segunda Guerra Mundial o país foi tomado pelos japoneses – colonizaram plenamente o país e mudaram seu alfabeto tradicional para o alfabeto romano, ainda hoje utilizado pelos vietnamitas.
Em 1945, as tropas japonesas em fuga aceitaram a declaração de independência do Vietnã, feita pelos guerrilheiros comunistas, que porém não foi aceita pelas tropas francesas retornadas. Iniciou-se uma guerra entre os comunistas e a França, apoiada pelos Estados Unidos, com a vitória dos comunistas em 1954. Os franceses foram expulsos.
Surgiram então, em 1956, o Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, com a presença de tropas americanas. No Sul, guerrilheiros comunistas apoiados pelos norte-vietnamitas combatiam o governo pró-ocidental. Tropas americanas intervieram e nos anos 1960 aviões dos EUA bombardearam maciçamente o Vietnã do Norte, tendo sua capital, Hanói, sofrido muito mais bombas do que Berlim em toda a Segunda Guerra Mundial.
A indefinição do resultado da guerra, e a impossibilidade de os Estados Unidos a ganharem, para o que seria necessário invadir por terra o Vietnã do Norte – o que desencadearia uma imprevisível reação da China e da então União Soviética -, levaram a que o número de jovens americanos mortos em combate crescesse cada vez mais. Isso desencadeou uma reação da juventude, naqueles anos de recrutamento obrigatório e não de soldados profissionais como agora, e de outros setores da população dos EUA, reação que contribuiu de modo notável para o grande movimento de “paz e amor” de milhões de hippies nos lendários anos 1960.
Em 1973, houve um acordo de cessar-fogo e as tropas americanas começaram a se retirar. Em maio de 1975, finalmente, tropas regulares do Norte ocuparam Saigon, pondo fim ao regime sul-vietnamita pró-ocidental.
Antes mesmo da derrocada mundial do comunismo, em meados dos anos 1980, diante da inviabilidade do prosseguimento da instauração de uma economia estatal planejada, que não conseguiu se adaptar ao rápido desenvolvimento tecnológico em todo o planeta, ainda hoje longe de atingir a estabilidade necessária para o planejamento, o governo comunista vietnamita introduziu reformas profundas. O país foi aberto aos investimentos estrangeiros e mesmo à iniciativa privada local. Esses tinham sido exatamente os objetivos pelos quais tinham lutado os sul-vietnamitas e os americanos.
As relações diplomáticas com os Estados Unidos foram estabelecidas em 1995; os EUA assim perderam a guerra, mas ganharam a paz, com empresas como a Nike tendo suas maiores fábricas no Vietnã. O país caminha para se tornar mais um Tigre asiático.

15 de setembro de 2010

Uma avaliação sobre Cuba

Da França, Dan Koechling d.koechlin@wanadoo.fr enviou a seguinte mensagem para a lista americana Marxism: "Cuba está cortando 1 milhão de empregos na economia 'socialista'. Cuba espera se tornar a próxima maquiladora. Pensamento esperto por parte do regime. Seguindo o exemplo chinês e vietnamita. A proximidade aos EUA, sem sindicatos, regime repressivo... ideal para a exploração da força do trabalho. A dita força de trabalho é saudável, graças ao castrismo, não há analfabetismo. Muitos jeans para serem feitos, depois de 30 anos fazendo açúcar para a União Soviética. É isso que você obtèm quando impõe o chamado 'socialismo' de cima: ditadura e obediência servil. É claro que o socialismo real, e a autogestão dos trabalhadores, nunca foi tentado em Cuba. Fidel, Che e Raúl tinham uma alternativa melhor". Proponho que os que acompanham o meu blogue discutam isso.

13 de outubro de 2009

A história da Segunda Guerra Mundial está sendo reescrita para culpar Stalin e não Hitler

Não teve maior repercussão no Brasil a polêmica posição de historiadores da Europa Oriental, que começa a ser seguida por historiadores ocidentais, de que Stalin foi tão ou mais responsável quanto Hitler pela Segunda Guerra Mundial. A polêmica foi intensificada em setembro último, em que se completaram 70 anos da invasão contra a Polônia, de um lado, por tropas nazistas, e dos países bálticos, de outro lado, por tropas soviéticas. Artigo do pesquisador Seumas Milne, intitulado "Esta reescrita da história está espalhando veneno pela Europa" no jornal inglês The Guardian, de Londres, http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/sep/09/second-world-war-soviet-pact, defende a tese de que essa nova versão do conflito, além de falsa, só beneficia a extrema direita que renasce com vigor, por causa da crise econômica.